A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 17, 2013

Morar no Centro de São Paulo – prédios invadidos

Os hotéis Cambridge, Othon, Lord, foram invadidos.

Durante um bom tempo o Othon Palace Hotel, em pleno centro, foi referência no setor de hotelaria. Há pouco tempo foi invadido por cerca de 800 pessoas. Passo por lá todos os dias, quando venho para o trabalho. Causa-me bastante tristeza ver o abandono e degradação em que o lugar se encontra. Todos vocês, meus leitores, sabem que adoro o centro e morar nele para mim é algo especial. Meu sonho seria morar na Rua Líbero Badaró, que ainda considero uma das mais bonitas dessa cidade, apesar do abandono. E é onde fica o Othon!

Fundado no ano de 1954, por ocasião das comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo. Teve seu apogeu nas décadas de 1960 e 70, hospedando chefes de Estado, como a rainha Elizabeth II da Inglaterra, no ano de 1968. Em seu último andar havia o Chalet Suisse, restaurante de luxo da cidade. Com a degradação do centro da cidade, e hóspedes dando preferência a hotéis da região da Avenida Paulista e da zona sul, encerrou suas atividades no final de 2008 quando já estava operando por mais de um ano com prejuízos financeiros. Em 2009 o prédio foi declarado de utilidade pública. Em 2011, quando prefeito Gilberto Kassab, ocorreu a hipótese de destinar o prédio para abrigar órgãos da Prefeitura, por estar próximo ao gabinete do prefeito, no Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá. Mas, o processo de desapropriação foi interrompido, pois o prédio foi ocupado por grupo de sem-teto. Fonte Wikipédia

O prédio do Othon Palace Hotel fica na esquina da Rua Libero Badaró com o Viaduto do Chá. Aquilo deve ter sido o máximo do chique. Ainda dá orgulho de ver o prédio, a Praça do Patriarca, o Viaduto do Chá e a imponência do Teatro Municipal. Mas, daria muito mais orgulho se tudo fosse limpo e conservado. 

Conversei com o Délcio, um amigo, que trabalhou para a rede Othon até pouco tempo atrás. Ele me disse que ali se hospedaram a Rainha Elizabeth 2ª e vários chefes de estado.

Vocês devem imaginar que morar no centro, em lugar histórico, onde existem amplos apartamentos, lojas, padarias, supermercados, enfim, com toda a infraestrutura comercial, com rica presença cultural e linhas de metrô e ônibus para todos os lados deve ser muito bom, não é? E é! O centro paulistano é, de longe, um dos melhores lugares para morar. Mas, graças a incompetência dos prefeitos, o lugar se degrada a cada dia que passa.

Desde a década de 1970, com Olavo Setúbal a frente da Prefeitura, até Gilberto Kassab, que terminou sua gestão no ano passado, nenhum prefeito deu a atenção necessária ao centro da cidade. O resultado disso é a degradação, que deixa tudo feio, vulnerável e de portas abertas para a invasão de quem não tem onde morar. E quem pode dizer que os invasores estão errados? Os proprietários? São eles os primeiros a destruírem o imóvel ou abandoná-lo, muito deles com anos e anos de impostos atrasados.

Fonte: Folha de São Paulo

Fonte: Folha de São Paulo

No centro há sujeira por toda parte, prédios antigamente vistosos agora se encontram com aparência degradada. A Associação Viva o Centro fez uma Aliança pelo Centro Histórico que é a integração da comunidade e do Poder Público em benefício de todos: mais qualidade de vida para as pessoas que vivem, trabalham, ou frequentam a região, apoio aos turistas e visitantes e melhores condições de funcionamento para as empresas e organizações estabelecidas na área. Mas, parece que não está funcionando muito bem. Os moradores de rua continuam pela região, espalhando sujeira, defecando e urinando. Os usuários de crack também são moradores da região.

Nós, moradores do centro temos uma certeza – do que do jeito que está não pode ficar.

Sobre invasões, a quem reclamar:

Prefeitura de São Paulo
http://sac.prefeitura.sp.gov.br

Ouvidoria Geral do Município
(11) 0800-175717
(11) 3334-7132

Secretaria Municipal de Habitação
(11) 3397-3400

 Leia também A história das etiquetas de bagagens dos hotéis de São Paulo

Leia sobre o Canbridge Hotel

Hotel Marian Foto do blog Eu e Meu Chapéu

Hotel Marian
Foto do blog Eu e Meu Chapéu

Um exemplo que deu certo

Hotel Marian foi reformado e os apartamentos estão sendo vendidos. Esse edifício sempre chamou minha atenção. Ele fica ao lado da igreja de Santa Efigênia. Consultei os responsáveis pela recuperação e fiquei sabendo os preços dos apartamentos:

Depois da reforma, o prédio se tornou residencial com 83 unidades, 12 andares c/ 4 elevadores e 2 portarias. Lazer: piscina com deck e sauna. E está pronto para morar!
Infraestrutura: Luz, Água e Gás com medição individual. Apartamentos de 1 dormitório ou sala/quarto sem garagem.

Valores :

– Valor a vista unid. Final 1 com 69 m2) R$ 424.200,00
– Valor a vista unid. Final 2 com 43 m2) R$ 262.600,00
– Valor a vista unid. Final 3 com 58 m2) R$ 353.500,00
– Valor a vista unid. Final 4 com 57 m2) R$ 350.470,00
– Valor a vista unid. Final 5 com 40 m2) R$ 247.450,00
– Valor a vista unid. Final 7 com 36 m2) R$ 221.190,00

Também podem ser financiados pela Caixa Econômica Federal.

 

Anúncios

10 Comentários »

  1. No ano de 2003, a rede de Hotéis Othon completa sessenta anos de existência, originada com a extraordinária visão de seu fundador, Othon Lynch Bezerra de Mello que, expandindo seus negócios nas áreas têxtil e açucareira, vislumbrou dar ao Brasil, com capital integralmente nacional, uma extensa rede hoteleira. A rede de Hotéis Othon vem, desde então, apresentando notável ritmo de crescimento, sendo ainda hoje a maior rede nacional de hotéis. Fundada em 1943 com a denominação de Cia. Brasileira de Novos Hotéis, seu primeiro hotel foi o Aeroporto Othon, inaugurado em 1944 no centro do Rio de Janeiro, então Capital da República, entre o Senado Federal e o importante aeroporto Santos Dumont, perto dos principais ministérios da época.

    Curtir

    Comentário por Autumn A. Bernard — janeiro 17, 2013 @ 19:08 | Responder

  2. Minha São Paulo de antigamenteNem completo uma semana fora de SP e já comento sobre a São Paulo de antigamente. Porque é isso que vai ficar na minha memória. Não o que virou hoje. Há pelo menos 25 anos atrás, era gostoso passear no centro de São Paulo, pois lá eu morava, bem no coração dela. Passeava à noite com a minha mãe pelo Mappin, Mesbla, pelo Teatro. Íamos no chalé Suiço no último andar do Othon Palace Hotel. No Bar do Brahma. De sábados perto da hora do almoço nós íamos no Bar do Leo para um choppinho maravilhoso. O mercadão, bem nem se fala eu o conheço como mercado da Cantareira, ainda antes da reforma, acho que era mais gostoso, menos sofisticado, mais barato. Hoje ficou maravilhoso, mas virou ponti chique e caro. Pena. É assim as coisas vão mudando e hoje tenho saudades daquela cidade, de hoje, bem só se tiver saudades de ficar trancada em casa para não ser assaltada, morta, sequestrada entre outros bichos mais.São Paulo da garoa, que não tem mais.

    Curtir

    Comentário por Lucinda K. Church — janeiro 19, 2013 @ 11:54 | Responder

  3. Na torre art déco de 25 andares, que um dia já foi hotel de luxo, o banho tomado no balde contrasta com o mármore travertino que reveste o banheiro. Aposentada de um lado, a banheira de porcelana branca se transformou em reservatório de água, que precisa ser carregada escada acima para garantir o abastecimento dos quartos. Foram-se as camas de madeira maciça, os colchões macios e os lençóis finos, agora substituídos pelos colchões infláveis, invariavelmente azul-marinho, que abundam pelas habitações. Também abandonou o endereço o Chalet Suisse, restaurante de luxo especializado em fondues que funcionava no deslumbrante terraço. Dele, só restou a vista para o Vale do Anhangabaú. A comida agora é feita bem longe dali, no térreo, em um cubículo de pouco mais de três por quatro metros, onde se espremem dona Fátima, a cozinheira, suas ajudantes, um fogão, algumas panelas industriais, uma geladeira e um freezer. Uma refeição custa R$ 2, preço bem diferente dos R$ 50 dos últimos fondues servidos pelo Chalet Suisse antes de fechar. Desde que ganhou uma nova função, em 26 de outubro passado, acabou-se a mordomia no Othon Palace de São Paulo. Outrora habituado a chefes de Estado, como a rainha Elizabeth II (que lá se hospedou em 1968) e famosos de passagem pela cidade, os corredores do ex-hotel de luxo agora se acostumam ao movimento ruidoso de seus novos hóspedes. São numerosas famílias, movidas pela esperança de encontrar um lugar definitivo para morar. Ao contrário dos antigos hóspedes, que após a estadia voltavam para suas casas, os que hoje ocupam os quartos do ex-hotel não têm para onde ir. São sem teto.

    Curtir

    Comentário por Thurman Z. Steele — fevereiro 4, 2013 @ 21:42 | Responder

  4. O teatro foi construído para atender o desejo da elite paulista da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grande centros culturais da época, assim como promover a ópera e o concerto . Abriga atualmente a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo , Orquestra Experimental de Repertório , Coral Lírico , o Coral Paulistano e o Ballet da cidade de São Paulo . O edifício faz parte do Patrimônio Histórico do estado desde 1981 , quando foi tombado pelo Condephaat .

    Curtir

    Comentário por Kathleen V. Hodge — fevereiro 5, 2013 @ 5:20 | Responder

  5. Uma pena, mas agora esse edifício virou um cortiço horizontal, com motos estacionadas no hall, ao lado de carrinhos de bebê, em meio à sujeira e muitos desocupados plantados na porta “negociando” vagas. Uma mangueira plástica azul despeja “alguma coisa” diretamente na boca de lobo em frente ao prédio. Aliás, combina com o acampamento permanente de bêbados e drogados instalado na Praça do Patriarca. Essa é a vizinhança atual da Prefeitura de São Paulo. Bem de acordo!

    Curtir

    Comentário por Anna Áurea Leme — abril 24, 2013 @ 10:26 | Responder

    • Olá, Anna.
      Passo todos os dias em frente ao prédio. E realmente é uma pena. Fora isso tudo que relatou, agora temos também um “acampamento” de sem tetos sob a marquise da Praça do Patriarca. O cheiro de fezes e urina é insuportável!
      Abraços.

      Curtir

      Comentário por Augusto Martini — abril 24, 2013 @ 10:32 | Responder

  6. ola, eu acho que o governo tem que parar de falar ou doar imoveis para as pessoas, mas ao mesmo tempo deve ajudar as mesmas.
    Deixa eu tentar explicar como na minha opiniao deveria ser feito.
    1-a prefeitura levantaria imoveis com dividas grandes de iptu,
    2-localizaria os verdadeiros proprietarios, tentaria receber os iptus, caso negativo, desapropriaria o imovel e leiloaria o mesmo, pegaria o valor do iptu e devolveria o restante para o proprietario, caso a prefeitura queira o imovel para uso SOCIAL, ficaria com o mesmo pagando a diferença.
    3-reformaria o imovel, e cadastraria pessoas de baixa renda para alugar por um valor de aluguel social, ou seja a pessoa assinaria um contrato de aluguel em que pagaria um percentual de sua renda, e POR UM CERTO PERIODO, e caso minta seria responsabilizada civil e criminalmente.
    4-POR QUE EU ACHO ERRADO DAR, todo mundo paga impostos, na fonte ou comprando algo, assim como eu a maioria comprou imovel financiado em 10,20,30 anos, entao o governo nao deve simplismente dar algo que eh fruto da arrecadaçao de impostos que todo mundo paga.
    5-VOU FALAR POR QUE, ha pouco tempo atraz vi uma reportagem de uma mulher que nao tinha onde morar, o governo do estado do rio de janeiro deu um apartamento(novinho, melhor que onde moro), sabe o que ela fez, alugou no mes seguinte para uma pessoa, só que a mesma so pagou um aluguel., a mulher entrou na justiça, sabe o que o juiz determinou, que o imovel ficara com quem nao tinha onde morar e alugou, pois a mulher agiu de ma fe.
    6-enquanto a pessoa ficasse no imovel, ganharia cursos de requalifcaçao profissional gratuitamento do governo, dando chance a ter uma renda boa e assim podendo finalmente comprar seu imovel, quem ta morando na rua por nao ter renda suficiente para pagar aluguel , so dando para alimentaçao, pagaria aluguel zero,
    7-seria uma especie de bolsa aluguel, onde a pessoa alem de ser de baixa renda teria que estudar para melhorar de vida, pois se o governo continuar dando imovel isso nao tera fim NUNCA.

    ESPERO QUE COMPREENDAM MEU RACIOCINIO, POIS NA MINHA OPINIÃO GANHADO SEM ESFORÇO NINGUE DA VALOR OK……

    Curtir

    Comentário por wilson — abril 28, 2013 @ 19:49 | Responder

    • Bom dia Wilson.
      Entendo seu ponto de vista e agradeço sua visita e colaboração.
      Um abraço.
      Augusto

      Curtir

      Comentário por Augusto Martini — abril 30, 2013 @ 8:41 | Responder

  7. […] das últimas invasões foi novamente o prédio do antigo Othon Palace Hotel.  E pasmem – ao lado da Prefeitura, onde ficam diariamente duas viaturas da Polícia Civil […]

    Curtir

    Pingback por São Paulo e as invasões dos sem-teto | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — junho 5, 2014 @ 11:20 | Responder

  8. […] em edifícios centrais, em estado de abandono. São eles: São Paulo e a invasão dos sem teto, Morar no centro de São Paulo – prédios invadidos e Morar no centro de São Paulo – programa Renova […]

    Curtir

    Pingback por Invasões imobiliárias em São Paulo: “como chegamos a ocuparmos estes lugares” | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — junho 17, 2015 @ 15:10 | Responder


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Obrigado por assinar o meu blog! Espero que goste!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: