A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 3, 2013

Prazeres simples da vida…

“Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.

Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.

Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos de quem me fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais.”

(Autor desconhecido)

“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha”. Poema – Tabacaria  (65º verso) Autor – Álvaro de Campos
(Heterônimo de Fernando Pessoa)

Andar descalço na chuva

Andar descalço na chuva

O que a gente precisa é tomar um banho de chuva… Um banho de chuva…

Mas, aqui em São Paulo o que me falta é coragem. E tempo. Tempo de olhar em volta e coragem de bater de frente. 

Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, com o penteado ou o sapato que não pode molhar? Eu nem me lembro. Faz tempo. Quando morava em Rio Claro, adorava as tardes de verão, quando saía do trabalho com chuva. Tirava os sapatos, arregaçava as calças, subia na bicicleta, passava pelas poças d’água e enxurradas… Fazia isso até quando ministrava aulas e era fim de expediente. Costumava ir para a Escola de bicicleta! Eu me permitia! As pessoas têm que se permitir. Têm que aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio caminho.

Ah, as pequenas coisas da vida e sua valorização… Ver borboletas voando, ler em voz alta, sentir frio na barriga ao sentar no balanço, observar o sorriso das pessoas, sorrir para desconhecidos e receber de volta um sorriso tímido, abraçar e poder sentir a sinceridade no abraço, perguntar “Como você está?” e ouvir a resposta olhando nos olhos, acordar com vontade de cantar, acordar com o barulho da chuva, correr atrás do cachorro, enquanto ele late e pula feito doido, dar comida aos pássaros do quintal, assoviar, tomar banho de chuva, correr na chuva, de mãos dadas, acordar bem cedinho pra ver o dia nascer, tomar sopa num dia frio, observar as mãos das pessoas, segurar nas mãos dos meus amigos, olhar no fundo dos olhos das pessoas, passar o dia todo de pijama, lendo e vendo TV, olhar o céu, sentar na cozinha para conversar enquanto a pessoa amada cozinha, esfregar os olhos ao acordar, observar os pássaros, ouvir gargalhadas de crianças, olhar pra um determinado lugar por certo tempo, observar enxurradas em dias chuvosos.

Sentir o vento na cara, folhas ao vento, cabelo ao vento, roupas ao vento… Sentir o cheiro da fumaça de chá ou chocolate quente. Perceber a gentileza, o respeito, cabelos amanhecidos, silêncio, pernas enroscadas, abraço apertado, olhares, palavras engraçadas…

Perceber, pés descalços, fogo, chuva, tempestades, trovões, névoa, sereno, neblina, serração, frio nas bochechas, calor nas bochechas, poder dizer que ama o quanto quiser… Sentir os pingos de chuva, o barulho da chuva, o cheiro da chuva, o cheiro da terra molhada, o reflexo das luzes na água…

Sentir o beijo no pescoço, o cheiro de mato, o cheiro de grama cortada, ver animais pastando, receber mensagem de um amigo distante, céu nublado, céu estrelado, lua em todas as fases, estrada vazia, sorrisos amanhecidos, pássaros cantando na manhã de inverno, cigarras cantando na manhã de verão, cachorro correndo na grama, cachorro balançando o rabo ao me ver chegar em casa…

Comida gostosa e especial feita pra gente, respiração vaporizada no inverno, ventinho na nuca no verão, ver fotos antigas de momentos bons, abelhas polinizando as flores, a neblina de um dia frio, ver anotações antigas feitas nas margens das páginas de um livro, perceber que outras pessoas lembram os pequenos detalhes da nossa história…

Ah, aquela parada gostosa que o coração dá quando a gente encontra alguém espacial e que faz tempo que não vê, estar pelado debaixo dos cobertores no durante o inverno…

Curtir estar em volta de uma fogueira ou lareira, o chiar da panela de pressão soltando cheiro de feijão novo, perceber que é época dos Ipês floridos, caminhar devagar com alguém espacial, deitar na cama e desmaiar de sono, banho frio depois de um dia quente, cheiro de pão quentinho, cuidar de uma planta e a ver crescer, cozinhar com os amigos, amanhecer na beira do mato, pernas sujas de andar na chuva de verão e de havaianas, beber água, saber de histórias felizes, ouvir declarações, terminar um livro bom, lembrar dos amigos de infância, chorar ouvindo uma música, orelhas quentinhas no inverno, ver pipas voando, receber uma carta, lembrar das músicas da infância, ver a luz da lua, sentir o calor de um colo, carinho, sol da manhã, o sono depois do almoço, sussurros, noites sem luz, deitar na grama para ficar olhando as formas da nuvens, deitar na rede, deitar no peito da pessoa amada e receber “rolinhos” nos cabelos…

Deitar a cabeça no travesseiro e sem preocupações, andar de bicicleta num dia de temperatura agradável e sentindo o vento gostoso batendo no rosto, encontrar um dinheiro esquecido no bolso de uma calça, ser abraçado de verdade, andar descalço na areia, ouvir “você me faz falta” no final da tarde…

Tomar um banho quente e demorado num dia frio, dançar pelado no quarto, conversar com o espelho, ver gente simples e felizes, dar abraço que parece beijo.

E para você? Quais são as pequenas coisas da vida que lhe são agradáveis? Conte aqui!

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13 Comentários »

  1. Que coisas boas!!!

    Bons propósitos são para os que tem coração leve, sorriso solto e cuca fresca!

    Quero meu ano assim e que seja compartilhado com o meu próximo, onde quer que o próximo esteja!

    Quero voar nas asas da imaginação procurando sentir liberdade e felicidade na observação minuciosa das pessoas e coisas que estão ao meu redor.

    Obrigada por despertar isso tudo dentro de mim!!

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    Comentário por Solange — janeiro 3, 2013 @ 15:26 | Responder

    • Oi Solange! Feliz 2013 para nós todos! Bjs.

      Em 3 de janeiro de 2013 15:26, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 3, 2013 @ 15:31 | Responder

  2. Amei… você disse tudo!

    Fico pensando como “crescer” nos separa de tantas coisas gostosas e simples. Uma pena…

    Coisas simples e gostosas? Lamber a tigela do bolo! Mas tem que ser direto na fonte, sem colher, usar o dedo mesmo! Saudade de mãe, né? Que deixava bastante na tigela para gente se fartar!

    Sentar e ver o por do sol com gente amada e conversar sobre a vida real e sonhada…

    Gargalhar junto, compartilhar o dia…

    Assistir a sessão da tarde merendando café com pão. Merendar é lanchar aqui no Ceará…rrrss

    Obrigada por compartilhar conosco.

    Bjs
    Imá

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    Comentário por Imaculada — janeiro 3, 2013 @ 15:33 | Responder

    • Oi Imá, querida! Lamber a tigela do bolo!!!! Ah, ainda faço isso. E com a panela do recheio também! Rs. Bjs. Augusto

      Em 3 de janeiro de 2013 15:33, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 3, 2013 @ 15:46 | Responder

  3. É Augusto, você disse tudo. Como diz uma passou. Falou e Dizeu. Não sobrou mais nada.
    Mas esse se permitir andar na chuva é “Otimo”.
    Lembrei de um dia que morava em Salvador num apartamento, desci para fazer não sei o quê. Não é que estava na esquina do prédio e de repente bateu uma chuva forte, mas daquelas que cada pingo é um pote e eu me permiti ficar ali toda vestida, na esquina de uma grande avenida tomando tranquilamente meu Banho de chuva. Foi um verdadeiro Presente dos Céus. Nunca mais esqueçi.
    Teve outra que eu estava numa Festa de Lago e começou a chover, mas chover muito, algumas pessoas assim como eu ficamos numa marquise esperando a chuva passar, mas só que não passou mesmo, e num relance percebi que muita gente estava se divertindo bastante independente da chuva. Aí resolvi cair na “Gandaia” com chuva mesmo. Foi Maravilhoso. Com certeza a melhor Festa de Lago que passei em Salvador.
    Vou colocar esta música dos Titâs, pois tem tudo a ver.
    É isto.
    Clara

    Epitáfio
    Titãs

    Devia ter amado mais
    Ter chorado mais
    Ter visto o sol nascer
    Devia ter arriscado mais
    E até errado mais
    Ter feito o que eu queria fazer…

    Queria ter aceitado
    As pessoas como elas são
    Cada um sabe a alegria
    E a dor que traz no coração…

    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar…

    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    Ter visto o sol se pôr
    Devia ter me importado menos
    Com problemas pequenos
    Ter morrido de amor…

    Queria ter aceitado
    A vida como ela é
    A cada um cabe alegrias
    E a tristeza que vier…

    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar distraído
    O acaso vai me proteger
    Enquanto eu andar…(2x)

    Devia ter complicado menos
    Trabalhado menos
    Ter visto o sol se pôr…

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    Comentário por Maria Clara — janeiro 3, 2013 @ 20:21 | Responder

    • Digo, pessoa em vez de passou

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      Comentário por Maria Clara — janeiro 3, 2013 @ 20:23 | Responder

    • Oi Maria Clara. Adorei seu comentário! E essa música dos Titãs tem tudo a ver. Abrs.

      Em 3 de janeiro de 2013 20:21, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 3, 2013 @ 23:42 | Responder

  4. Sim Augusto, esqueçi.
    Você iniciou dizendo que mora em São Paulo e que lhe falta Coragem, mas que quando morava em Rio Claro você tomava seu Banho de Chuva na rua.Foi uma das coisas também que não consegui me adaptar aí. Essa de que o que se faz que não se “enquadra” chamar uma Atenção Demasiada.
    Se me permite um conselho. Tome seu Banho de Chuva na rua quando bem quiser, pois a vida é Bela. E se alguém se admirar muito ou lhe criticar, faça “Cara de Paisagem” e continue a fazer aquilo que bem lhe agrada.
    É só.
    Clara.

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    Comentário por Maria Clara — janeiro 3, 2013 @ 23:54 | Responder

    • Bom dia Maria Clara. Vou acatar seu conselho. Abrs.

      Em 3 de janeiro de 2013 23:54, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 4, 2013 @ 8:58 | Responder

  5. Olha Augusto, disso ja fiz quase de tudo um pouco e muita coisa ainda faço sem me dar conta, inclusive tomei muito banho de chuva quando criança, mas… confesso que hoje fujo dela. Medo de ficar gripada, pode? Porque a gente “cresce” e perde essa cumplicidade com a Natureza? Muito urbanismo na nossa vida? Acho que é hora de reverter esta situação e “começar de novo”. Sempre é tempo pra olhar pra trás. Retomar o que se perdeu na caminhada e prestar mais atençao às pequenas coisas que na verdade são as mais importantes. Nossa, acabei de fazer isso agora. Parei pra pensar. Então acho que ainda tenho chance de resgatar o simples que não se foi pra sempre, só está um pouco encoberto pela densa camada de neblina e fumaça da nossa velha cidade grande, que vela a visão e confunde o olfato. Mas tem ainda muita coisa bonita pra se ver e sentir. Basta olhar com os olhos do coração e perdoar sempre essa agressividade da qual estamos fugindo constantemente. Dar de ombros às mal querenças e lamber muita tigela de bolo. Ô coisa boa. Bjs.

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    Comentário por Sueli — janeiro 4, 2013 @ 14:47 | Responder

    • Oi Sueli!
      Que linda essa sua reflexão!
      Temos mesmo que voltar os olhos para a natureza, ouvir seus sons, sentir seus cheiros, mesmo em meio a essa selva de concreto e caos.
      Bjs.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 4, 2013 @ 14:52 | Responder

  6. Feliz Ano Novo, saúde e riquezas.
    Luz e paz na alma, amor no coração, sempre.

    Continuo sempre a dar uma passadinha por aqui.
    Teu blog vai continuar marcado no quadro da escola onde trabalho para ‘acesso livre’

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    Comentário por sissi2011Simone Schimidt — janeiro 6, 2013 @ 10:23 | Responder

    • Oi Simone.

      Quanta gentileza! Agradeço. Feliz 2013 para vc e todos os seus queridos! Abraços. Augusto

      Em 6 de janeiro de 2013 10:24, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 6, 2013 @ 12:00 | Responder


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