A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

dezembro 27, 2012

Digitalização x Microfilmagem

A digitalização da documentação histórica é primordial para a adequada conservação dos originais sem privar os estudiosos e investigadores de fazer-lhes consultas. Também garantem o manejo de grandes volumes de documentos sem deteriorar os originais facilitando-lhes o acesso graças às ferramentas da informática.

Sem dúvida, a mudança de suporte dos documentos é relevante para os arquivos, pois impacta diretamente na gestão dos espaços (físicos ou virtuais) de armazenamento e tal assunto é amplamente debatido nesse meio profissional. Os leigos acham que a digitalização ou a microfilmagem resolvem o problema. Mas, não é assim. É preciso planejamento. Há prós e contras tanto no processo digitalização quanto no da microfilmagem e eles devem ser identificados. O estabelecimento de uma Política Arquivística passa, necessariamente, pela definição criteriosa da técnica mais adequada para os fundos documentais acumulados. Também não podemos nos esquecer dos documentos já produzidos em meio eletrônico, que também podem migrar de suporte, seja para o papel ou o microfilme.

digita

Digitalizar ou não?

É inegável que a digitalização facilita o acesso aos documentos que podem ser disponibilizados em redes, mas que até o momento não possuem valor legal. A microfilmagem tem valor legal, dá segurança e garante a preservação por um período razoável de tempo. Nesse caso é preciso que existam condições adequadas para a preservação desse suporte. Mas, sem o tratamento arquivístico, a classificação, a avaliação, etc., tais medidas não atendem as necessidades administrativas e tampouco permitem a preservação e o acesso à memória institucional. Isso tudo ainda vai gerar muitos debates. 

Aproveito para postar aqui um artigo encontrado no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo/Centro de Preservação, que apresenta os prós e contras destes dois sistemas (digitalização e microfilmagem), apresentando argumentos que respondem à questão: qual desses dois procedimentos seria, afinal, o mais adequado para preservar e difundir o acervo das instituições?

Digitalização x Microfilmagem
Qual é a melhor solução?

Atualmente, as instituições de memória como o Arquivo Público do Estado de São Paulo utilizam dois métodos de preservação: a microfilmagem e a digitalização. Mas qual desses dois procedimentos seria, afinal, o mais adequado para preservar e difundir o acervo dessas instituições?

Ao analisar cada um desses métodos, o gestor deve considerar analisar três momentos do processo: a captura da imagem, o seu armazenamento e o acesso à cópia produzida. Para decidir que método será empregado, e em que momento, é importante considerar, primeiro, os objetivos do programa de preservação.

Se os encarregados do projeto desejarem uma imagem exatamente igual ao original, precisarão de tecnologia digital. Mas se o objetivo for apenas a facilitação da consulta, a tecnologia de microfilme, já bem estabelecida e madura, será suficiente para a maioria dos materiais impressos.

Quanto à preservação, o microfilme de alta qualidade, se bem armazenado, pode durar até 500 anos. E o seu custo de armazenagem é moderado.

Por outro lado, a qualidade da cópia de um documento em microfilme muitas vezes deixa a desejar. Ao produzir um rolo de microfilme, não é possível graduar a captura de modo a melhorar a imagem, individualmente, de cada página ou mesmo de cada documento fotografado. Por isso, a qualidade da imagem produzida tende a variar muito. A cópia em microfilme também não é uma boa solução para a preservação de imagens coloridas.

Além disso, com o passar do tempo, o custo de mão-de-obra especializada para o processamento do microfilme tende a aumentar.

Mas o maior ponto fraco do microfilme é a dificuldade de acesso e de difusão em larga escala, que pode ser garantida pela digitalização. Com a popularização da Internet, a armazenagem digital garante o acesso rápido à informação pelo público em geral, e termina com a necessidade de deslocamento até o local de consulta. A digitalização abre também a possibilidade de construção de Banco de Dados para procura de informações mais específicas. A melhoria do acesso à coleção arquivística permite economia de custos, que pode ser utilizada na preservação.

Mas a digitalização também tem seus pontos negativos. Tecnologias digitais mudam constantemente. Como garantir que a solução adotada não precise ser trocada mais tarde, para se adaptar a novas tecnologias? As mídias de armazenamento de imagens, como DVD e CD, ainda não demonstraram a mesma durabilidade do filme. Caso essas imagens se percam, será necessário um novo escaneamento – o qual, por sua vez, exporá um original já com problemas de conservação a uma deterioração ainda maior. Atualmente, um sistema de preservação baseado apenas numa das duas tecnologias pode apresentar as seguintes desvantagens:

1. Sistema apenas com microfilmagem
O sistema que utiliza apenas o microfilme não garante gradações de cor ou matiz, a não ser que o filme seja da mais alta qualidade. Além disso, pouca atenção é dispensada, quando se faz um microfilme, à indexação e à criação de processos automatizados de recuperação de informação. Mais tarde, se o filme for digitalizado, novos métodos de acesso precisarão ser criados. Utilizando apenas o microfilme, sem Banco de Dados, é possível identificar, por exemplo, apenas uma publicação, e não os artigos e reportagens; e é impossível trabalhar com palavras-chave. E a difusão em larga escala não é possível.

2. Sistema apenas com digitalização
Nesta solução, existe a necessidade de garantir espaços significativos de armazenagem dos dados digitais produzidos em alta resolução (como os arquivos TIFF). Caso contrário, as tentativas de economia de espaço para cópias podem resultar na produção de imagens apenas em arquivo mais leves, como os de formato JPEG. Estas imagens, porém, tem qualidade inferior à do original, resultando em prejuízos aos objetivos de preservação. Para garantir o armazenamento de imagens mais fiéis (e portanto mais pesadas) é preciso criar soluções de storage em servidores, o que implica em custos mais pesados.

Por tudo isso, um sistema híbrido, que combine as vantagens das duas técnicas, frequentemente é a melhor solução para um programa de preservação nas instituições, e é recomendado por vários especialistas.

A preservação em sistema híbrido pode começar com a microfilmagem, e depois evoluir para a digitalização dos microfilmes. Hoje também existem máquinas que podem fazer as duas coisas simultaneamente – digitalização e microfilmagem. Mas as dificuldades inerentes ao meio continuam: a cada geração de cópias, o microfilme perde cerca de 10% de resolução, e ainda exige espaços físicos de armazenamento.

Já a digitalização em primeiro lugar pode garantir não só uma imagem de boa qualidade, como um microfilme melhor, gerado a partir dessa imagem. Na digitalização, toda cópia é de primeira geração. Por tudo isso, o sistema de escanear primeiro, e depois microfilmar, está se tornando a alternativa mais eficiente, inclusive em termos de custo.

Combinando as duas técnicas, temos uma soma das melhores características de microfilme e digitalização:

   – Microfilmes – armazenamento a longo prazo garantido;

   – Digitalização – difusão em larga escala das imagens produzidas; habilidade de tratar e melhorar essas imagens.
_______________

Fonte: Willis, Don, Uma abordagem de sistemas híbridos para a preservação de materiais impressos, Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos, Rio de Janeiro, 2001, 2ª edição. 
_______________
Links:
Como Fazer Programas de Reprodução de Documentos de Arquivo v.7 – Esther Caldas Bertoletti – Publicação do Arquivo Público do Estado de São Paulo – Coleção “Como Fazer”

2 Comentários »

  1. […] Digitalização x Microfilmagem « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini. […]

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    Pingback por Digitalização x Microfilmagem « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini « Inesagula's Blog — dezembro 27, 2012 @ 14:41 | Responder


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