A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 30, 2012

O quinto dos infernos

Certamente você já ouviu alguém dizer: vá para “o quinto dos infernos”. Tal expressão é usada quando alguém quer mandar uma pessoa para longe ou se referir a um lugar remoto. Mas, pouca gente sabe que ela começou a ser usada em Portugal para se referir ao Brasil. Sua origem é o imposto de 20% (ou a quinta parte) do peso do ouro, cobrado no século 18, oriundo das cidades mineradoras do Brasil-Colônia. Para evitar as constantes sonegações, a Coroa portuguesa decidiu, em 1750, retirar o quinto diretamente nas casas de fundição. A riqueza obtida pelo recolhimento do imposto era levada para Portugal em navios que ficaram conhecidos como “naus dos quintos”. Por isso, na época, mandar alguém para os “quintos” significava mandar essa pessoa para esse lugar tão longínquo e desconhecido que era o Brasil.

menos impostos

Abaixo segue um texto interessante que recebi hoje, escrito por Reinaldo Luiz Lunelli.

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. O imposto cobrado pela Coroa Portuguesa sobre todo o ouro encontrado em suas colônias correspondia a 20%, ou seja, 1/5 (um quinto) do metal extraído que era registrado em “certificados de recolhimento” pelas casas de fundição. Este absurdo e altíssimo imposto, foi intitulado “O Quinto”. 

A reserva do “Quinto” pela coroa portuguesa era feita desde as primeiras doações das capitanias hereditárias por D. João III, em 1534. Mesmo antes do descobrimento de minas de ouro no Brasil, as “Ordenações do Reino” estabeleciam como direitos reais, entre outros, as minas de ouro e prata ou qualquer outro metal.

Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O “Quinto” era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de “O Quinto dos  Infernos”. A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os “quintos atrasados” de uma única vez, no episódio que ficou marcado em nossa história como “A Derrama”.

Apesar do rigor na criação de uma estrutura administrativa e fiscal, visando sobretudo a cobrança dos quintos, o imposto já era desviado. Afonso Sardinha, em seu testamento declarou que guardava o ouro em pó em vasos de barro. Outro uso comum era o de imagens sacras ocas para esconder o ouro, daí a expressão “santo do pau oco”.

A indignação da população ocasionou uma revolta intitulada de Inconfidência Mineira (1789), liderada por Tiradentes, os inconfidentes queriam a libertação do Brasil de Portugal. O movimento foi descoberto pelo rei de Portugal e o conflito teve seu ponto culminante na prisão e no julgamento de Joaquim José da Silva  Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, a  carga tributária brasileira dos últimos anos está, em média, chegando a quase 40% do PIB, ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa  produção. Assim, a carga tributária que nos aflige é de praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos”.

Você sabe exatamente, para que pagamos tanto imposto? Uma coisa eu posso lhe garantir, não é mais para envio aos colonizadores. Agora este imposto é utilizado para rechear cuecas de parlamentares, sustentar a corrupção, manter motoristas registrados no senado federal a serviço da filha do presidente da casa. O dinheiro público serve para manter o senado com uma legião de diretores que sequer comparecem frequentemente a seus gabinetes, serve para manter projetos que ao invés de dar educação e trabalho à população, lhes mantém em casa com vales gás e bolsa família. Hoje, o dinheiro arrecadado com os impostos, serve para pagar comissões, manter a festa das passagens e a farra da família do executivo.

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2 Comentários »

  1. Bom Dia Augusto!!!
    Esta expressão era muito usada lá na minha “terrinha”
    Recordei, velhos tempos, velhos dias.
    Quanto a utilização dos “Quintos”, concordo com você em Tempo Número e Grau.
    Ontem vi no video que envio o Link mais um lugar perdido para onde vai nosso tão Sofrido Dinheirinho.
    É uns Tanto, Outros tão Pouco e Outros Nada.
    Como dizia Cazuza:
    BRASIL,MOSTRA A TUA CARA.

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    Comentário por Maria Clara — dezembro 1, 2012 @ 7:29 | Responder

  2. O Link que falei.
    Não deixem de ver e se Segurem para não cair .

    É DEMAIS!!!
    É como falou o Comentarista:
    É UM TAPA NA CARA DO POVO BRASILEIRO.
    Eu começei a trabalhar aos 17 anos de idade e me aposentei com uma “Merreca”
    Reclamar aonde???
    Na Borracharia???
    Desculpem, mas me sinto Roubada.
    Grata.

    Curtir

    Comentário por Maria Clara — dezembro 1, 2012 @ 7:41 | Responder


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