A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 26, 2012

Montevidéu e seus encantos…

Em Montevidéu dá aquela impressão que quase todo mundo conhece todo mundo. E lá vive quase metade de toda a população do Uruguai. Um milhão e meio de pessoas, o mesmo número de habitantes de um bairro grande de São Paulo, Cidade do México e Buenos Aires. E isso é uma atração para os visitantes estrangeiros. Não  há arranha-céus e os edifícios que parecem grandes e altos não intimidam o turista, mas sim os deixam atraídos por sua rara beleza como o Palácio Salvo ou a torre das telecomunicações. Na capital uruguaia ainda há futebol de rua com “traves” formadas por duas pedras e o garçom não tem urgência para limpar a mesa.

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É uma capital sem metrô e com um sistema de transporte em plena restruturação. Assim, vale a pena explorá-la a pé. Tudo é mais ou menos próximo. E suas atrações permanecem inalteradas ao longo do tempo: desde a simplicidade de uma feira centenária como Tristan e Narvaja, perto do centro, ao pitoresco Mercado do Porto na Ciudad Vieja, que fica junto ao melhor porto natural da América do Sul. 

Na Feira Tristan e Narvaja  você encontra frutos curiosos, legumes e queijos, além de primeiras edições de livros antigos ou antiguidades diversas. Tudo misturado, como em uma aldeia, mas no centro da capital: em frente à Biblioteca Nacional e da Faculdade de Direito. 

O Mercado del Puerto é outra coisa espetacular. Lá, você encontrará uma combinação criola: carne uruguaia de exportação, pessoas dançando o Candombe, e o médio a médio – um aperitivo de vinho branco e champanhe. O mercado foi fundado em 1868 pelo espanhol Pedro Sánez de Zumarán e resume o melhor da comida e da boa vida uruguaia. Dizem que se um turista chega em Montevidéu e não vai até o Mercado é como ir para o Louvre e ignorar o “La Gioconda”Ele está localizado na Ciudad Vieja, o bairro onde se respira a história.

No centro está o boliche Fun Fun (onde você poderá saborear a Uvita – uma bebida típica do local), que é tradicional por seu tango que atrai jovens intelectuais e boêmios. As fotos das paredes evocam a presença de Carlos Gardel. Eles dizem que, em 1933, “O Sabiá” (El Zorzal), cantou a capela para os presentes. Os grandes mestres do tango frequentavam o lugar, desde Julio Sosa, Canaro ou Piazzolla. 

Dizem que Montevidéu é como os frequentadores do Fun Fun: são cinza, é repetitiva porque os Montevideanos o são! Amantes do tango e da nostalgia, nada efusivos, pensativos, reflexivos. Nem todo mundo vê isso dessa forma. Eu não vejo! Montevidéu é verde e linda. Você enxerga isso quando chega de fora, de cima, do avião. Ou quando sobe num dos poucos miradores da cidade.  Converse com os uruguaios com um copo de vinho tannat nas mãos – uma especialidade varietal do solo uruguaio, onde as vinhas são cultivadas em um clima temperado. Lá é frio no inverno e quente no verão e é agradável no outono e na primavera. 

A cidade tem ar fresco, brisa, céu brilhante e claro. E tem outros encantos: Montevidéu, eterna aspirante à metrópole se dá ao luxo de ter uma Rambla enorme, com inúmeras praias como Ramirez, Pocitos, Malvin ou Carrasco. 

Tem também o Parque Rodó, de 25 hectares. Vá passear no Bairro El Prado, com os seus muitos espaços verdes e ruas arborizadas ou siga para a Fortaleza General Artigas, popularmente conhecida como Fortaleza del Cerro – que fica em uma colina acima do porto, o último edifício da defesa espanhola, a 132 metros acima do nível do mar. Os canhões abandonados referem-se ao monitoramento da postura cautelosa dos espanhóis contra as invasões inglesas.

Para quem gosta de arquitetura, Montevidéu continua sendo um museu vivo apesar do tempo. Não é de surpreender  que Le Corbusier também caiu de amores pela capital uruguaia em 1929 e ficou chocado com o Palácio Legislativo, uma alegoria de luxo e ostentação para a época. O italiano Vittorio Meano o projetou e seu companheiro Gaetano Moretti cuidou da estética. Para realizar as obras foram gastos 22 anos – Moretti trouxe artesãos de toda a Europa para cuidar de cada detalhe dos mosaicos de vidro e ferragens. Cuidadosamente planejado foi o Salão dos Passos Perdidos, similar a um salão do Palácio de Versalhes.

Falar bem de Montevidéu é fácil. Mas o bom mesmo é visita-la e ver de perto a simplicidade de seu povo formado por cidadãos de boas maneiras, com taxistas falantes, que, se você não for como eu e não quiser caminhar , poderão levá-lo para todos os lugares.

 

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2 Comentários »

  1. Vou a Montevidéo na próxima segunda e o artigo me animou mais ainda!

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    Comentário por marlucia — novembro 26, 2012 @ 17:57 | Responder

    • Oi Marlucia.
      Vai gostar. Procure aqui no blog que tenho outras postagens de Montevidéo e Colônia Del Sacramento.
      Boa viagem.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — novembro 26, 2012 @ 20:09 | Responder


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