A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 9, 2012

A minha Primavera e a Primavera de Botticelli!

Quem não acorda com saudades de qualquer coisa?
Eu acordo sempre com saudade de ver os raios de sol entrarem pela janela em minha casa de infância, saudades do tempo perdido que uma pessoa não aproveitou como devia ser, saudades de um pouco de tudo…
A saudade é a luz viva e nítida que ilumina a estrada do passado. Hoje acordei com saudades da Primavera de antigamente… O tempo tem estado tão maluco que as estações do ano não são mais tão definidas.

De quanto criança, lembro da chuva, do nevoeiro, do  frio…

Mas hoje,  estamos na Primavera. A estação mais bela do ano! Céu claro, pássaros cantando, a vida florescendo. Luz para o corpo e alma.

Lembrei-me de partilhar com vocês este quadro de Sandro Botticelli. Porque o belo nos enche o peito! Porque a natureza nos devolve sentimentos adormecidos!

Feliz Primavera!

A Primavera vai entrando no jardim, lançando flores por onde passa, perfumando tudo, enchendo tudo de maravilha.

Esta obra foi criada no ano de 1482. Época em que os pintores renascentistas inspiravam-se em fábulas mitológicas para realizarem as obras destinadas a adornar edifícios. O quadro “A Primavera” foi encomendado por Lorenzo di Pierfrancesco de Médicis para ser colocado na villa Mediceia de Castello. 

As dimensões desta obra de arte são 2,03×3,14m e atualmente encontra-se na galeria Uffizi, em Florença. O suporte em que se encontra esta obra é em pintura sobre madeira. Ela representa a deusa Vênus no centro da composição. Esta deusa simbolizava a beleza, a forma visível do bem e o amor como cultura. Ela fica ao fundo, observando e controlando tudo, senhora do jardim.

Vamos então identificar o resto das personagens representadas: à direita vemos Zéfiro, vento do oeste que se encontra de boca cheia disposto a soprar. Aparece tocando numa jovem, a ninfa Clóris que consegue gerar flores fazendo-as sair pela boca e se transforma em Flora, a deusa da Primavera que aparece aqui utilizando um vestido coberto de flores. Vêem-se flores a sair-lhe da boca…. À esquerda da pintura encontramos Mercúrio reconhecível pelo bastão que levanta com a mão direita protege o jardim, atento e de espada à cintura, capaz de afastar até os mais temíveis adversários. As três jovens que aparecem na pintura ao lado de Vênus e que dançam são as Três Graças (Aglaia, Talia, Eufrónsina), símbolos da sensualidade e da beleza, que acompanham sempre a Deusa. São filhas de Júpiter, provindas da tradição grega, representando a alegria, o encanto e a beleza, na sua dança de celebração.

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Na parte superior da pintura rodopia Eros (Cupido), o deus-menino do amor disposto a lançar uma seta dirigida a uma das três Graças. Está no ar, voando, cego e armado com o seu arco,  apontando para as Três Graças e prepara-se para lançar a flecha em uma delas…

A composição baseia-se numa visão central, da qual a figura de Vênus constitui o eixo e o centro. O grupo de Flora com Zéfiro e o das Graças com Mercúrio situam-se formando “alas” à sua direita e à sua esquerda. A curva formada pelos ramos das árvores cria um arco em cima da Deusa.

Todas as personagens apresentam pouca rigidez, evidenciando a naturalidade dos seus movimentos. Botticelli, em muitas das suas obras representa as personagens inseridas na natureza. Neste caso especialmente, o artista coloca as personagens numa espécie de bosque, onde são notáveis a enorme variedade de plantas e flores que rodeiam todo o cenário.

Ao observarmos esta pintura conseguimos reparar na enorme variedade de cores, especialmente cores quentes. As cores tornam-se mais evidenciadas pois, atrás das personagens existe um grande cenário negro e escuro que contrasta bastante com as cores fortes dos trajes e da natureza.

Um pouco sobre o autor:

Sandro Botticelli, nasceu em Florença em 1445, foi batizado com o nome de Alessandro Di Mariano Filipepi e era filho de um curtidor de couro. O nome Botticelli foi derivado do apelido de seu irmão mais velho, Giovani, conhecido como Il Botticello (o pequeno barril). Ainda na infância, tornou-se aprendiz de ourives, mas logo descobriu sua preferência pela pintura. Foi estudar comFra Filippo Lippi, um dos mais admirados mestres florentinos da época. Depois trabalhou com o pintor e gravador Antonio Del Pollaiuolo. Em 1470, já tinha o próprio ateliê em Florença. Ficou famoso por seus retratos, e alguns historiadores acreditam que foi por causa deles que começou a ser patrocinado pela família Médici, que dominava Florença na época. Botticelli pintou não apenas Giuliano, irmão do poderoso Lorenzo de Médici, como também fez retratos póstumos de seu avô Cosimo de Médici e de seu pai, Piero. As feições dos membros da família Médici também foram usadas para compor os personagens do quadro Adoração dos Magos (1476-1477). Influenciado pelo neoplatonismo cristão – que pretendia conciliar as idéias cristãs com as clássicas –, pintou cenas mitológicas, como A Primavera (c. 1478) e O Nascimento da Vênus(após 1482). Também fez muitos quadros com temática religiosa. Destacam-se: A Virgem Escrevendo o Magnificat (década de 1480), A Coroação da Virgem (1490), A Virgem com o Menino e Dois Santos (1485), São Sebastião (1473-1474) e um afresco sobre Santo Agostinho (1480). Em 1481 foi chamado a Roma para trabalhar na decoração da Capela Sistina, no Vaticano, onde pintou os afrescos As Provas de MoisésO Castigo dos Rebeldes e A Tentação de Cristo. Os anos que se seguiram a 1494 foram difíceis para a cidade de Florença: os Médicis foram depostos e o monge domenicano Girolamo Savonarola instaurou um governo republicano. Idealista ascético, Savanarola criticava a corrupção da Igreja. Botticelli tornou-se devoto seguidor das idéias do novo governante e a tensão espiritual do período se refletiu em duas de suas pinturas, Crucificação Mística (1497) e Natividade Mística (1501). Totalmente dedicado à sua arte, Sandro Botticelli jamais casou ou teve filhos. Morreu em Florença em 1510.

Neste quadro vemos as vestes diáfamas das três graças, as mãos elegantes de Vénus e o vestido florido usado por Flora. Esta combinação perfeita, faz com que esta obra acabe por refletir a requintada arte de desenhar da escola florentina da época e onde Botticelli cria um traço gracioso, delicado, quase feminino. Muitos dos seus quadros contêm um significado filosófico e alegórico; a simbologia de A Primavera, em particular, tem sido alvo de debates.  Botticelli, por influência do carismático religioso Savonarola, viria mais tarde a pintar muito menos quadros de cujnho mitológico. Quando da sua morte, Botticelli não era muito popular. Foi redescoberto no século XIX pelos Pré-Rafaelitas, que admiravam de modo particular o traço delicado deste artista renascentista.
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3 Comentários »

  1. Você sabe, gosto muito de ler tuas histórias do interior, e por que não, as de Buenos Aires também.
    E aqui, ficou um pouco d atua sensibilidade também.
    Abraço de Luz e Paz.

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    Comentário por sissi2011Simone Schimidt — outubro 12, 2012 @ 18:02 | Responder

  2. Você sabe, gosto muito de ler tuas histórias do interior, e por que não, as de Buenos Aires também.
    E aqui, ficou um pouco da tua sensibilidade também.
    Abraço de Luz e Paz.

    Curtir

    Comentário por sissi2011Simone Schimidt — outubro 12, 2012 @ 18:05 | Responder


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