A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

agosto 8, 2012

Reflexões sobre a eutanásia… praticada em animais – parte 3

Sobre animais, eutanásia e crueldades praticadas contra esses seres que nos são tão próximos.

O post mais polêmico que já escrevi aqui foi sobre a Eutanásia praticada em animais.

Quem me conhece bem sabe do amor que tenho por animais e plantas. Toda a vida tive cães e, a partir de certa altura tive um gato também – um persa himalaio chamado Leopoldo José… Antes da eutanásia da Bubba, a qual relato no post, vários cães passaram pela minha vida desde a infância. Um deles, o Tico, muito próximo de minha mãe e meu companheiro de corridas na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, em Rio Claro, não era de raça pura. Era cruzado vira latas com cocker spaniel –  doce e lindo, com a idade foi perdendo a visão, a audição e estava já muito debilitado… Os pelos caíram. Tinha bolhas pelo corpo que viravam feridas. Já quase não se aguentava em pé e teve mesmo que ser “colocado para dormir”. Um dia conto toda a história dele aqui. Hoje, está perpetuado numa linda foto, num altar que tenho em casa.

Leopoldo José

E por falar na Bubba, faz uns 15 dias que estive em Rio Claro e vi o Bob, filho dela. Lindo! Mora num sobrado fantástico, com quintal e grama. Mas seu dono anda preocupado – suas pernas traseiras não estão respondendo muito bem por conta da idade. Ela está com 15 anos. Com lágrimas nos olhos falou que não sabe o que fazer, qual decisão tomar, caso a situação se agrave. Disse para ele que ainda hoje choro só de me lembrar da Bubba… E que se pudesse realizar um desejo, esse era tê-la de volta…

Interromper de modo voluntário a vida de um animal é a situação que um veterinário mais detesta enfrentar. Significa que já não existe mais nada a fazer de forma a resolver o caso do animal. Para nós, os donos, significa um sentimento de culpa e de abandono de um amigo que sempre nos apoiou. Conheço muita gente que prefere transferir a culpa para o veterinário, mas isso não é correto. Por coerência, e, porque não, lealdade, o dono do animal é quem deve assumir a responsabilidade do ato como sua, pois é a ele que cabe unicamente a decisão. O veterinário somente apresenta as hipóteses disponíveis. Foi o que aconteceu comigo. E segundo o veterinário, o animal não sofre. Simplesmente adormece imediatamente após a injeção. 

Na literatura a gente encontra listadas algumas situações em que se justifica o recurso da eutanásia:

– uma doença incurável em que a qualidade de vida do animal esteja de tal forma comprometida que a solução mais humana é pôr termo ao seu sofrimento.
– um nível de agressividade tão elevado que impeça o convívio do animal consigo mesmo, com outros animais ou com pessoas.

Muitos são totalmente contra a eutanásia mas a questão principal é se é correto deixar um animal continuar a viver. No caso da Bubba eu me perguntava – será isso vida? Com dores tão grandes e fortes que a medicação não aliviava, eu pensava – será correto deixá-la agonizar dias a fio, sem esperança, só porque não tenho coragem de pôr termo ao seu sofrimento?

Em defesa dos animais

Desagradável também é o caso de pessoas que criam cães que ficam de tal forma agressivos que a única solução é a eutanásia. Esta é a situação mais triste, pois a culpa não é do animal, mas de quem não o soube educar. Volta e meia temos a polêmica mostrada nos noticiários sobre os cães assassinos e que acabam abatidos por terem atacado pessoas.

Tenho um grande amigo e veterinário, que elaborou um documento que o dono do animal a eutanasiar preenche um termo de forma a evitar equívocos. Assim, o dono terá tempo de refletir na ação que deseja tomar. Ocasionalmente existe o reverso da medalha. Segundo o Junior, existem pessoas que desejam abater um cão por ele fazer muito barulho ou simplesmente por mudarem de casa, não terem espaço para ele e decidirem “colocá-lo para dormir” por não terem tempo para arranjar um novo lar. Para pessoas como essas, segundo ele, não há conversa e sim uma belo discurso de repreensão. A eutanásia não é para comodismos – mas só para situações extremas.

Volta e meia vemos notícias de que nos Canis Municipais pratica-se a eutanásia como forma de controle dos animais recolhidos. Isso é um absurdo!

Um conselho – se algum dia se vir confrontado com a necessidade de eutanasiar o seu animal pense bem. Opinião minha – se não houver alternativa de tratamento é o último ato de amizade que pode lhe dar. Oferecer-lhe um repouso calmo e com dignidade evitando mais sofrimento. Não classifico isso como crueldade.

Dias atrás, li em algum lugar na internet um caso horrível. E não importa que seja uma crueldade a mais. Cada ato de violência contra uma criatura indefesa é uma lesão à dignidade coletiva, como todo ato de salvação eleva a todos nós. Falava sobre a crueldade contra uma cadele de três meses, abandonada em uma estrada depois que uma pessoa de nossa raça – e nos consideramos “superiores”, perfurou-lhe os olhos, ateou fogo e a jogou como se jogo um saco de lixo.

Isso aconteceu em Osasco. Mas, junto a essa crueldade, a notícia tinha uma coisa boa – uma jovem de 25 anos, salvou-lhe a vida.

O nome da menina é Vanessa Alencar. Ele estava em um ônibus quando viu a cachorra que parecia ter sido morta por atropelamento. Fez com que o condutor do ônibus parasse. Pegou o animal e levou imediatamente a uma clínica veterinária.

Seu corpo estava cheio de lama. Quando a pegou, viu que tinha a pele queimada e em carne viva. Os olhos pareciam ter sido perfurados com um ferro em brasa. Se isso não bastasse, depois de queimá-la a haviam enterrado.

Vanessa deu-lhe o nome de Vitória. Seu gesto, na verdade, foi uma vitória contra a crueldade gratuita.

Vitória

Vitoria ficará cega e suas orelhas foram amputados, pois estavam com gangrena. Não li mais nada a respeito depois disso. Espero que tenham conseguido salvá-la.

A reportagem dizia  ainda que já estavam chegando doações na clínica veterinária, a qual iria fazer todos os procedimentos necessários, calculados em quatro meses, para que Vitoria pudesse continuar a viver – como um desafio para quem queria a sua morte de forma tão cruel. E  já tinha dezenas de pessoas que queriam adotá-la, apesar de que ficará, se salva, cega e sem orelhas.

E como disse Juan Arias em seu blog, essa é a imagem viva da humanidade: uma mistura de selvageria e generosidade; de sentimentos de sadismo e de bondade.

Todos sabemos muito bem que muitas crianças que  são cruelmente torturadas e mutiladas no mundo, que existem em hospitais criaturas abandonadas a própria sorte e que perdem a vida por descuido ou falta de recursos desviados por políticos corruptos e sem alma.

Tudo isso não diminui a crueldade praticada em animais. Todo ato de barbárie praticado contra um ser vivo, humano ou não, é uma bofetada contra a vida. E toda crueldade desenfreada contra uma criatura indefesa é o maior dos atos covardes.

Rezemos para que Vitoria possa viver, apesar de cega e surda, como um testemunho vivo de sadismo humano e como prova de que os sentimentos de piedade correm paralelos ao rio de violência que parece não ter fim ou medida em nosso País.

Leia um belo artigo sobre o tema Eutanásia em animais  Família faz ensaio fotográfico emocionante para registrar último dia de cão e, no original, em inglês This Story Of A Dog’s Last Day On Earth Is Beautiful And Utterly Heartbreaking

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16 Comentários »

  1. Puxa, que bacana seu sentimeto pelos animais! Mas cuidado para não ficar com ele, e sofrer demais. Já procura outro animalazinho, que vc dará a ele, a oportunidade da vida, conforto e alegria! Abraço. Silvia

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    Comentário por Silvia — agosto 8, 2012 @ 12:49 | Responder

    • Oi Silvia.

      Atualmente moro em apartamento. E acho que cachorro em apartamento não dá muito certo. Os bichos precisam de espaço, de ar e terra. Quando voltar a morar em uma casa, com certeza terei outros animais. Abrs. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — agosto 8, 2012 @ 13:13 | Responder

  2. Oi Gu! Quanta crueldade com um ser indefeso, né. Infelizmente essa é mais uma diante de tantas barbaridades que vemos todos os dias… Bjos.

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    Comentário por Rosana Christofoletti — agosto 8, 2012 @ 15:40 | Responder

    • Oi Ro. Essas “coisas” que fazem uma crueldade dessas não deveriam fazer parte do ról dos humanos. Acredito piamente que um dia pagarão por tais atos de crueldade. Bjs. Gu

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      Comentário por Augusto Martini — agosto 8, 2012 @ 19:54 | Responder

  3. Olá Augusto, saudações.
    Fiquei consternado com a historia desses pequenos dos quais vc escreveu, porém lamento confessar que também passei por uma experiência amarga pouco tempo atrás: Tinha uma cachorrinha, chamada Keity, muito carinhosa, e como muitas, só faltava falar. Era meu xodó, e a tratava como uma criança, sentimento de filha mesmo. Ocorre que começou a surgir em seu pescoço um como que “papo”, e isso nos preocupou, então a levamos ao veterinário, que ao consultá-la, notou também suas unhas um tanto crescidas, e nos pediu que fizessemos um exame específico, para o problema e também o da Leishmaniose. Para nossa tristeza, ela estava infectada com o vírus, e a solução seria a eutanásia(embora também fomos informados que muitos submetem o animal a um tratamento, obviamente proibido por lei). Foi uma decisão dificílima, mas decidimos por fazer o correto(já que pregamos o certo, especialmente em nossas ações de Educação Fiscal), embora soubéssemos a dor que seria.
    Para tentar minimizar a dor de consciência, fiz questão de ficar junto a ela(Keity) no momento do procedimento de eutanásia: fiquei segurando-a, acariciando e falando com ela, até que em determinado momento ela encostou a cabecinha em meu corpo e “adormeceu”.
    No momento fiz-me durão, saí dali e quando entrei no carro, não pude conter as doloridas lágrimas.
    Doeu muito, mas o que nos conforta é o fato de que vivendo, ela poderia infectar uma pessoa, que poderia chegar à morte.

    Abraços
    José Antonio
    Jales-SP

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    Comentário por José Antonio Caetano — agosto 8, 2012 @ 17:11 | Responder

    • Boa noite José Antonio. Acredito que tais situações se fazem presentes em nossa vida para sermos colocados à frente de uma espécie de prova. Mas, que não é fácil, não é. Minha Bubba está hoje enterrada no queinta da casa, sob uma mangueira e uma pitangueira, lugar que adorava ficar. Abraços e obrigado por compartilhar. Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — agosto 8, 2012 @ 19:52 | Responder

  4. OLÁ AUGUSTO …. acabei de ler seu artigo , e estou me desmanchando em lágrimas …esse ano na quarta feira SANTA tive que levar o FADÚ … nunca mais na minha vida , quero passar por isso …não consigo esquece -lo …é muito triste mesmo ….abraços pra voce ….PAZ E BEM .

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    Comentário por IVONE VERONICA — agosto 8, 2012 @ 22:05 | Responder

  5. Infelizmente eu tenho tenho um caso de agressao contra os animais. Trata-se de Xana e Tiziu. Eu criava este casal de gatos. Tinha uma predileção por Xana porque ela era carinhosa ao Extremo. Costuma deitar em cima da gente quando estavamos no sofá depois da jantar, dar sua massagem em nosso corpo sempre “Ronrosnando” para logo após deitar sua cabeça em nosso peito e ali dormir. Eu e meu companheiro adoravamos.
    Só que nossa felicidade durou pouco. Eles costumavam passear num quintal vizinho e um dia senti a falta deles. Fui procura-los e para minha tristeza só encontrei ela “Muito quieta e Triste”. Examinei-a e vi que havia sido “Estrupada” de todas as formas. Sua genitália estava completamente Deformada assim como seu anus que já estava criando Bichos. Levei-a ao veterinário ele falou que teria que operá-la. Ele encontrou um pedaço de plástico duro no interior do seu útero. Ela resistiu bem a operação. Mas dos dias depois pedi para o veterinário aplicar um soro pois ela estava muito fraca e não sei o que aconteceu que ela morreu. Quanto a meu amiguinho Tiziu encontrei-o depois morto com um pedaço enorme de pau que colocaram de garganta abaixo e um olho perfurado por um pau que tem espinhos. Dois dias depois voltei para enterrá-lo e encontrei-o totalmente carbonizado. Como se não bastasse queimaram o meu gatinho.
    Sinceramente eu pedi a Deus para me dar Forças. Não consigo entender que mente Psicopata é esta. Chorei muito por Xana pois eu a amava de Verdade e tenho muita Saudade dela.

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    Comentário por Maria Martins Ferreira — agosto 9, 2012 @ 8:10 | Responder

    • Bom dia Maria.
      A que ponto chega a crueldade de alguns seres, não é? Pessoas que não deveriam pertencer ao ról dos chamados pensantes.
      Abraços.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — agosto 9, 2012 @ 8:53 | Responder

  6. Augusto, abraço de luz e paz.

    Deixo aqui para você e para os seguidores do teu blog um pequeno lembrete:
    São Francisco de Assis chamava os animais de nossos irmãos inferiores, porém, inferiores somos nós quando não os estimamos.

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    Comentário por Simone Schmidt — agosto 10, 2012 @ 17:54 | Responder

  7. Não consigo me imaginar sem meus bichos. Alguns chamam minha casa de zoológico, eu prefiro o termo Santuário, onde todos convivem harmoniosamente, e todos recebem muito carinho.
    lindo post!
    um abraço!

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    Comentário por RoPertile — agosto 11, 2012 @ 12:18 | Responder

  8. Estou com meu cão de quase 17 anos com tumor na bochecha e não tem como fazer cirurgia pois esta muito avançado Fazem 3 meses que cuido dele tento de tudo mas desde sexta ele começou a piorar já não come mais ração somente sorvetinho e qdo estimulámos ele a comer por seringa mingau aí as vezes come um carreteurunhi mas pouco Usa os medicamentos mas agora deu
    Pra suspirar depois que toma as medicações o veterinário disse que não esta fácil e qdo ele começasse a parar de comer era sinal de dor e sofrimento que deveríamos estar preparados pra uma eutanasia Fico na dúvida ele e muito ligado a mim mas não aguento mais ver ele assim E a eutanasia devo fazer ou e egoísmo meu querer ele do meu lado e assim Precisso de ajuda Aguardo retorno Att ,Elisabete

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    Comentário por Elisabete — novembro 26, 2013 @ 16:11 | Responder

    • Oi Elisabete.
      Essa decisao nao e simples de se tomar. Pense, se for religiosa, reze e tome a melhor decisao que lhe parecer viavel.
      Abracos
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — novembro 26, 2013 @ 18:58 | Responder

  9. […] tarde!! Toda a vida tive cães e, apenas um gato, o Leopoldo José, que ganhei depois que vim morar em São Paulo. Hoje ele mora com a amiga Clau, […]

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    Pingback por Reflexões sobre a eutanásia… praticada em animais – parte 4 | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — fevereiro 20, 2014 @ 14:38 | Responder


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