A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

julho 5, 2012

Em Buenos Aires, um exemplo de revitalização do espaço público – Puerto Madero!

Puerto Madero é um dos 48 bairros em que se divide a cidade de Buenos Aires. É o mais novo bairro da cidade e mostra as últimas tendências em arquitetura. Um passeio por ele é de encher os olhos. Situado no meio de uma faixa costeira onde se ergueram antigas docas (enormes abrigos onde no passado eram armazenadas as cargas que eram trazidas ao porto) que foram recicladas para dar vida a elegantes escritórios e luxuosos restaurantes. O projeto, que foi desenvolvido em 1991, foi concebido de forma a integrar o porto à cidade, como uma extensão do seu centro.

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De um lado do rio você encontra e convive com as centenas de prédios históricos da cidade, que lembra muito Madri e París por onde quer que se olhe. Do outro, o fantástico Puerto Madero, onde o novo e o antigo se hemogenizam perfeitamente.

Ao longo da história Puerto Madero foi um exemplo claro de como um bom planejamento urbano e de muito esforço e trabalho duro resultaram na criação de uma das áreas mais importantes da Província de Buenos Aires. Assim, esta área conseguiu tornar-se um dos principais pontos de encontro, e mais uma das zonas turísticas mais bem sucedidos da cidade, integrando a brisa do rio ao calor, e a simplicidade com elegância e exclusividade.

No início de sua história, Puerto Madero foi idealizado como uma necessidade de se construir um porto para servir como ligação entre a cidade e os navios que chegavam da Europa durante os últimos anos do século XIX, auge da agro-modelo de exportação que reinava na Argentina. Isso proporcionou o pontapé inicial para o engenheiro Eduardo Madero promover seu projeto pessoal, que propôs a construção de quatro barragens fechadas, ligadas por pontes e duas docas – a norte e a sul.

Assim, esse trabalho passou a girar em torno da história: Puerto Madero era apenas uma área selvagem e desolada  transformou-se em um lugar cheio de vida e prosperidade. O projeto foi aprovado em 1884 pelo presidente Julio  Roca, e a construção começou em 1900 e foi até 1905, quando  16 docas foram construídas de tijolos vermelhos, revelando o estilo da arquitetura Inglêsa utilitária. Estas docas foram construídas com  3 e 4 pisos mais um porão, os quais foram usados como depósitos de grãos e outros itens.

Com o florescente comércio de mercadorias, era necessário modificar as obras e dar um novo passo na história: Puerto Madero foi superado pelo aumento no tráfego de mercadorias e grande número no movimento de passageiros, de modo que lá pelos idos de 1910 o porto começou a apresentar falhas. Resultado – o porto teve que ser alargado em sua área portuária – trabalho realizado pelo engenheiro Luís Augusto Huergo.

Muitos anos se passaram o que levou para um outro momento crucial na história: depois de muito tempo abandonado Puerto Madero foi renovado no final da década de 80, graças à Lei da Reforma do Estado e a criação da Corporação Antiguo Puerto Madero, tendo como principal objetivo realizar trabalhos de recuperação em 170 hectares e trabalhos de modernização na área central da cidade. Isto resultou no projeto de construção de uma estreita faixa situada entre as barragens, bem como dois grandes parques e bonitas e amplas avenidas dotadas de vias de pedestres.

Além dessas obras foram recuperados numerosos detalhes que mantiveram a história viva: Puerto Madero foi o tema da reciclagem das antigas docas, mantendo as fachadas de tijolo e vigas de ferro fundido. Galpões foram reparados e incorporou-se vários elementos que contribuíram para a elegância, a identidade e prestígio para da área. Atualmente, esta parte é usada por edifícios e lofts, bem como escritórios, bares, restaurantes, universidades e diversas obras de beleza arquitetônica incomparável.

Depois de ter sido uma das áreas mais degradadas da capital argentina, Puerto madero se transformou num bairro nobre: morar nele é privilégio de poucos.

É o que há de mais moderno em Buenos Aires. Edifícios cada vez mais altos não param de ser construídos, a preços que sobem na mesma proporção. Um apartamento médio no bairro está na faixa de 5 mil dólares o metro quadrado.

Para manter tudo limpo e seguro, o bairro conta com duas prefeituras: a da administração e a naval. Afinal, é um porto. A relação com o Rio da Prata é estreita. Um velho navio ficou ancorado depois de 39 viagens pelo mundo. Virou museu e é muito visitado por turistas e estudantes.

O bairro inteiro é uma homenagem às mulheres. São elas que dão nome às ruas. Manuela Saenz, equatoriana revolucionária. Azucena Villaflor, fundadora das Mães da Praça de Maio, morta na ditadura militar. Até as filhas de Nereu, o deus grego, foram lembradas. Na obra de Lola Mora, em Fuente de las Nereidas. Veja post publicado aqui.

Por qualquer lugar que você caminhe no porto, há exposições permanentes e até um cassino flutuante. Nos finais de tarde, o mesmo calçadão das caminhadas da manhã vira palco de artistas. À medida em que sol se põe, os cantores vão surpreendendo. Por essas e outras maravilhas, Puerto Madero se transformou num cartão postal que hoje atrai turistas do mundo inteiro.

Escrevendo esse post e vendo isso tudo de perto, penso que se um dia o projeto “Nova Luz”, da cidade de São Paulo, vai chegar ao seu final apresentando para a população da cidade um espaço impar como esse de Puerto Madero. Penso também que se o projeto se concretizar teremos o reconhecimento da população em preservar o novo espaço criado. Por aqui, o que se vê são cidadãos íntegros, aproveitando o espaço que é deles e criado para eles. As praças são impecáveis. As ruas, limpas. Não se vê ninguém jogando papéis pelas ruas de Puerto Madero ou em qualquer outro espaço da cidade. Cidadãos conscientes saem com seus cachorros para passear e têm sempre a mão saquinhos para colher os dejetos que seus cães depositam nas calçadas e praças. Mas, tudo isso é oriundo de um longo processo de cidadania, de um povo educado e que sabe preservar sua história e contá-la para os turistas com um certo brilho nos olhos que nos põe inveja.

Fonte de pesquisa: www.buenosaires.com.ar

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