A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 19, 2012

Combate à Violência contra a Pessoa Idosa

Na novela das seis da rede globo de televisão, “Amor Eterno Amor”, Carlos Vereza vive o Sr. Francisco, um avô que mora com a filha e dois netos. Volta e meia o personagem passa por situações parecidas com que muitos idosos são obrigados a conviver no dia a dia. Ignorado pelos netos,  uma filha sem tempo para ele, que, como toda sua experiência de vida não consegue tocar seus familiares. Quem se aproxima dele com paciência para ouví-lo é um outro jovem, apaixonado por suas histórias.

Só porque alguém tem mais de 80 anos de idade não significa que tem de passar os seus dias dentro de casa e em frente à televisão. É essencial motivar o idoso para sair de casa e ter algum tipo de vida social – nem que seja ir tomar um chá com os amigos, dar uma pequena caminhada ou até inscrever-se numa aula de ginástica. Sempre que puder, a família também deve estar presente para fazer companhia ao idoso.

É, ser idoso nesse país não é fácil! Há uma grande diferença entre envelhecer num país rico ou num país pobre. 

Muitos idosos que moram com a família são acomodados naquele quartinho nos fundos, que por vezes nem janela possuem. Quanto há falta de um lugar para acomodá-los (e as vezes há o lugar, mas não o querem por perto), são colocados em instituições asilares. Muitos que vivem em instituições dizem que estão ali por vontade própria. Será mesmo? Trata-se de um assunto complexo e pesado com uma série de variáveis que até espero que seja aqui discutido na parte destinada a comentários. Poderemos fomentar um debate por lá!

Em muitos casos, para os idosos, os asilos e “casas de repouso” perpetuam o estado de exclusão social que sofreram ao longo da vida. Temos boas instituições, mas são poucas e caras. E a grande maioria dessas instituições são do tipo particular-filantrópica, isto é, do direito privado, mantida com donativos, contribuições do próprio idoso e familiares e um pequena parcela (verba) paga pelo governo – que as vezes não chega!

Nessas casas, quando alguém morre, fica aquele canto vazio, e que aos poucos vai ser ocupado por outra pessoa. Um jogo de dominó e a solidão convivem no mesmo espaço. De quando em vez aparece um filho ou um neto. E assim a vida segue adiante…

Mas, o por quê desse assunto tão pesado? É que no último dia 15 de junho foi comemorado o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa.  E pelo Brasil todo acontecerem diversos seminários, palestras e encontros com familiares, interessados e profissionais numa tentativa de esclarecer o público em geral para essa importante temática cada vez mais urgente devido à crescente longevidade humana.

Na cidade de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, aconteceu a palestra Violência contra o Idoso: conhecer, combater e denunciar, proferida por Zally Queiroz, uma iniciativa para chamar a atenção da população local para a causa. Divina de Fátima dos Santos, mestre em Gerontologia e doutoranda em Psicologia pela PUC-SP, esteve por lá e escreveu sobre o que ouviu da palestrante.

Zally Queiroz iniciou sua conversa com os frequentadores do CREMI – Centro de Referência da Melhor Idade, levando-os a refletirem sobre o que é de fato violência e questionou com os presentes sobre quem já sofreu algum tipo de violência. Nesse instante, muitos idosos deram vários exemplos de momentos por eles vividos. Assim seguiu a exposição da palestrante para um público participativo que acompanhou atentamente as palavras.

Ao longo da palestra, uma cuidadora da plateia fez o público pensar sobre a questão do abuso e da violência praticados pelo idoso ao seu cuidador e afirmou que muitas vezes o cuidador deseja fazer as coisas da melhor forma possível aos idosos, contudo alguns destes tratam estes profissionais com desrespeito e não entendem que a pessoa a sua frente está ali para auxiliá-lo.

Zally deixou claro que todos têm direitos e deveres. Sabe-se que o idoso muitas vezes é vítima, mas, ele também precisa entender que, assim como os demais membros da família, tem deveres; é preciso que todos respeitem uns aos outros. Ela lembrou que muitas vezes os idosos, devido às suas doenças, tornam-se agressivos e briguentos, sendo preciso estar atento à manifestação dessas doenças. Ela esclareceu que em alguns casos, por despreparo, a família sente-se estressada devido ao desgaste provocado por alguns cuidados mais complexos, sobretudo quando o idoso perdeu sua autonomia e isso pode levar alguns cuidadores a uma situação limite, pois os desgastes físicos e emocionais em geral aparecem nesse trabalho. Para evitar esse tipo de situação é fundamental o suporte psicológico a todos os envolvidos e principalmente a capacitação com cursos aos familiares e aos profissionais que desempenham a tarefa de cuidadores, que, segundo ela, é uma tarefa que consome muita energia e fragiliza todos os envolvidos.

Segundo ela, cabe também ao idoso procurar ao longo de sua vida se inovar, ser participativo, praticar atividades físicas, cuidar de si no sentido de manter sua qualidade de vida para preservar sua saúde e autonomia. “Se desejamos viver mais e melhor também temos a nossa responsabilidade no processo: é preciso investir no próprio envelhecimento”, disse Zally.

A violência pode ocorrer na forma física, psicológica, econômica, sexual, como negligência, como abandono etc. Conforme o contexto a violência pode ser classificada como estrutural, institucional e intrafamiliar. A palestrante chamou a atenção dos presentes para ficarem atentos e denunciarem às autoridades sempre que notarem algum tipo de violência contra a pessoa idosa e indicou vários locais para fazer isto, como: Ministério Público, Delegacia de Polícia, Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Idoso, Centro de Referência Especializada de Assistência Social, Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso de Caraguatatuba e o Disque 100 (em seguida a opção 2).

Fonte de pesquisa: http://portaldoenvelhecimento.org.br

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2 Comentários »

  1. Oi Gu! Muito triste mesmo esta realidade em que vivemos. A violência, os maus tratos e o abandono das pessoas idosas. Muitos não querem ter o trabalho ou serem incomodados pelos idosos, mas se esquecem que os idosos cuidaram deles até crescer com amor e paciência. A idade chega pra todos… Um dia tbem seremos idosos. Bjos. Rô.

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    Comentário por Rosana Christofoletti — junho 28, 2012 @ 9:00 | Responder

    • Oi Rô! É verdade! Lembra de nossa avózinha, Virgína, que ficou com a gente até os 94 anos? Quanta experiência de vida ela nos passou! Bjs. Gu

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      Comentário por Augusto Martini — junho 28, 2012 @ 10:10 | Responder


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