A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 29, 2012

Bacalhau com natas – um prato delicioso – e a lembrança do “bacalhau engarrafado” de minha infância!

Desde criança gosto muito de bacalhau, apesar de tê-lo comido muito pouco em minha infância. A bem da verdade, nem sei como eu gosto. Lembro muito bem das colheradas de Emulsão Scott (óleo de fígado de bacalhau) que minha mãe me empurrava goela abaixo quando eu tinha de 7 a 12 anos. Ela queria que eu engordasse. Era um garoto magrelo! Mas, apesar disso, a minha relação com o bacalhau sempre foi extremamente agradável! Ainda sou capaz de sentir no ar o cheirinho delicioso dos bolinhos de bacalhau que minha mãe fritava. Eram feitos com as sobras da bacalhoada da Semana Santa.

Quando minha mãe pegava o vidro do "bacalhau engarrafado", queria ter o dom da invisibilidade! Nos rótulos até hoje, está o pescador com o bacalhau nas costas e que identifica a Emulsão Scott há mais de um século.

Quando criança, pensava que o bacalhau vinha de Portugal, quando na realidade é oriundo das terras geladas da Noruega. Mais tarde fiquei sabendo que esses peixes salgados podem ser de cinco tipos diferentes. Aquele que é conhecido como Porto, na realidade é o peixe chamado Cod (Gadus Morhua) e reconhecido como o legítimo. Depois temos os mais baratos do que o Cod: o Saithe, o Ling, o Zarbo e, mais recentemente introduzido no Brasil, o Pacific Cod (Gadus Macrocephalus), originário do Alasca. Todos eles recebem três tipos de classificação quanto à qualidade e, em conseqüência disso, ao preço: Imperial, Universal e Popular (O Cod Imperial é reconhecido como o melhor).

O bacalhau pertence à família dos gadídeos e é o mais conhecido dos peixes de águas frias do mar Atlântico Norte, no Círculo Polar Ártico. Dele se aproveita tudo: sua carne é consumida em todo o mundo (seja fresca, defumada ou salgada e seca), do fígado se extrai óleo e da bexiga se faz cola. Cresce rápido, e a fertilidade das fêmeas é excepcional: elas colocam de 2 a 8 milhões de ovos por ano – os que sobrevivem alcançam 40 cm em dois anos, 1m aos vinte. Nesta idade, o peso é de aproximadamente 50 kg. Habituado a uma determinada temperatura, o bacalhau viaja constantemente a fim de permanecer em águas propícias. Por isso, ele é encontrado nos mares da Noruega, Rússia, Islândia, Canadá e Alaska.

Nunca havia visto uma cabeça de bacalhau, ou melhor, um bacalhau com cabeça, até mudar-me para São Paulo e começar a freqüentar as feiras livres. Nas barracas de peixes eles são vendidos frescos – e com a cabeça!

Mas, voltando ao bacalhau e a minha infância… Muitas vezes, na Sexta-feira da Paixão, o bacalhau era substituído por Merluza ou outro peixe qualquer. Tivemos tempos difíceis. Às vezes a bacalhoada que devia ser preparada com um bom azeite, azeitonas pretas, etc, tinha era muita couve e uma considerável quantidade de batatas para dar mais volume. Mesmo assim não deixava de ser um prato delicioso e preparado por minha mãe com todo o carinho.

Bem, comecei a escrever esse post, porque hoje, aqui em casa, teve bacalhoada! A receita foi Bacalhau com Natas. Segue abaixo para quem quiser provar! É deliciosa!

O bacalhau com natas é um prato feito com bacalhau desfiado ou lascado, que na preparação é envolvido num refogado de cebola juntamente com batatas fritas, molho bechamel e natas (creme de leite fresco), que vai ao forno para dourar. Existem diversas variantes. A receita que segue abaixo é a típica de Portugal e serve quatro pessoas. Você pode servi-la com arroz branco e couve refogada.

Bacalhau com natas

Ingredientes

  • Bacalhau dessalgado – 4 postas
  • batatas – 1 kg
  • azeite – 100 ml
  • cebolas médias – 2 unidades
  • alho – 3 dentes
  • farinha – 40 g
  • manteiga – 40 g
  • leite – 250 ml
  • Natas (creme de leite fresco) – 250 ml
  • sal – Quanto baste
  • pimenta – Quanto baste
  • noz moscada – Quanto baste
  • sumo de limão – Quanto baste
  • farinha de rosca ou queijo ralado (sugiro a farinha de rosca) – quanto baste para cobrir

Como fazer Bacalhau com natas

1 – Cozinhe o bacalhau durante três minutos em 1/2 litro de água. Retire a pele e as espinhas e parta-o em lascas pequenas. Reserve a água.

2 – Descasque as batatas, lave-as, corte-as em pequenos cubos e frite-as em óleo quente, sem deixar dourar. Depois de fritas, escorra-as bem e coloque-as em papéis absorventes para lhes tirar o excesso de gordura. Tempere-as com sal.

3 – Corte as cebolas em meias luas finas e refogue-as em azeite, juntamente com alho picado, até ficarem translúcidas. Junte as lascas de bacalhau, deixe refogar mais um pouco, e misture depois as batatas e envolva-as no preparado.

4 – Prepare um molho de béchamel: derreta a manteiga numa panela pequena, acrescente a farinha e mexa bem; junte, aos poucos, 100 ml de água da cozedura do bacalhau, mexendo sempre; junte depois o leite e as natas (creme de leite fresco) e mexa até borbulhar; e, finalmente, retire do fogo e tempere com sal, pimenta, noz moscada e sumo de limão.

5 – Misture 2/3 do béchamel na mistura das cebolas, bacalhau e batatas e disponha a mistura numa forma ou refratário, previamente untado com manteiga. Cubra a superfície com o restante molho, polvilhe com a farinha de rosca (ou queijo ralado) e leve ao forno até dourar bem. Sirva em seguida.

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8 Comentários »

  1. Foi em Sintra (Portugal) quando eu provei pela primeira vez essa delícia. Aliás, para o bacalhau, Deus fez Portugal!

    Um abraço para você.

    Cocar Café Gourmet

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    Comentário por Augusto Martini — janeiro 29, 2012 @ 20:48 | Responder

    • Oi Alim.
      Não sei se está lembrado – foi você que apresentou-me um site português chamado “1001 receitas de bacalhau”. Assim, que falta eu provar só mais mil! Rs

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 31, 2012 @ 8:29 | Responder

  2. Olá, Augusto. Vc me fez lembrar do meu tempo de menina. Somos 6 irmãos e tb éramos”obrigados” a tomer o óleo de fígado de bacalhau. Papai ficava com a colher na mão direita e o “maledeto ” do vdro na outra mão e…nós seis na sua frente. Claro que ninguém queria tomar. O que ele fazia? O último a tomar ele não tirava a colher da boca do coitado. Sendo assim ninguém se arriscava a ficar para o final. Agora que me dei conta o porque não gostar de bacalhau. Enfim… mas gosto de outras comidas.Parabéns pelo blog. Há pouco tempo que o descobri. Sou mineira e moro em Belo Horizonte. Abrs. Maria Inês.

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    Comentário por Maria Inês — janeiro 30, 2012 @ 20:15 | Responder

    • Prezada Maria Inês,

      Agradeço pela visita ao blog. Bem vinda e volte sempre!
      Seu relato fez-me lembrar de situações vividas e parecidas. Em casa, meu pai também era o responsável por administrar o óleo. Lembro que diante das minhas recusas quando das tentativas de minha mãe, ele, sentado, prendia-me no meio das pernas e forçadamente tinha que engolir uma colherada. Lembranças nada boas. Rs.
      Um abraço.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 31, 2012 @ 8:27 | Responder

  3. AKAKAKAKAKAKAAKKAKAKAKAKAKA,FAÇO MINHA ESTAS PALAVRAS:Quando minha mãe pegava o vidro do “bacalhau engarrafado”, queria ter o dom da invisibilidade! Nos rótulos até hoje, está o pescador com o bacalhau nas costas e que identifica a Emulsão Scott há mais de um século.
    Quando vejo o vidro del nas farmácias sinto o gosto ainda …

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    Comentário por Irany — janeiro 31, 2012 @ 13:25 | Responder

    • Oi Laly.

      E que coisa horrível tinha a emulsão scott, não é? Será que ainda hoje, com todas as tecnologias, ainda persiste aquele mesmo sabor? Bjs.

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      Comentário por Augusto Martini — janeiro 31, 2012 @ 13:48 | Responder

  4. À excepção de, em Portugal, se juntar leite + água de cozer bacalhau em quantidades iguais (250ml) a 60g de manteiga e 60g farinha (para fazer o béchamel) e cá em casa gostar sempre de enriquecê-lo com gemas (yum!), a receita está mesmo perfeita! E por cima, pão ralado ou queijo. Ah! Tirando o arroz branco e a couve – arroz com batata não vai, servimos sempre com salada de alface, tomate, cebola, alho francês, rúcola, ou outras.
    Ah e experimente cozer o bacalhau em leite gordo…. 😉 utilizando depois este “leite” com sabor de bacalhau no béchamel.
    Boa cozinha!

    Curtido por 1 pessoa

    Comentário por Mary — setembro 25, 2014 @ 22:47 | Responder

    • Bom dia Mary.
      Fiquei muito feliz com sua visita ao blog e agradeço muitíssimo pelos conselhos. Vou experimentá-los na próxima vez que fizer bacalhau com natas.
      Tenho um amigo brasileiro que viveu 18 anos na Europa (inclusive Lisboa). E ele sempre me diz: “os brasileiros fazem mesclas erradas ao comer. Não se come arroz e batatas”. Dois carboidratos não combinam e nem se deve comer”.
      Um abraço desde São Paulo, Brasil.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — setembro 26, 2014 @ 8:21 | Responder


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