A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 18, 2012

Dieta Mediterrânea – um filme engraçado, leve e saboroso

Um dos últimos filmes que vi foi o “Dieta Mediterrânea”. É um filme espanhol, de 2009 e dirigido por Joaquim Oristelli.

Aqui em São Paulo ele esteve em cartaz no ano passado em apenas uma sala do Reserva Cultural, cinema que fica na Avenida Paulista e que adoro freqëntar por vários motivos. O principal deles: lá não vende pipocas! Assim, fico  livre daquele cheirão que predomina nos Cinemarks e outras salas.

Cartaz

O filme conta a estória de Sofia  – que nasceu prematura em uma barbearia, cercada por homens que precisam de um corte de cabelo  e no mesmo dia do mes de Junho de 1968, quando Bobby Kennedy foi assassinado.

Por 15 anos, ela cresceu transitanto entre o fogão e a mesa da lanchonete de seus pais. Torna-se uma mulher trabalhadora, ambiciosa e imprevisível, que logo se apaixona por dois homens:  Toni, o filho que toda mãe gostaria de ter, com quem se casa e tem três filhos, e o outro, Frank, que é uma espécie de caça talentos, aquele que todo artista gostaria de ter como empresário e, com ele descobre os segredos da alta gastronomia. Com os dois chega a um acordo amoroso/profissional e revoluciona o mundo da cozinha.

Os personagens principais são:

– Paco León (Toni)
É um homem do povo. Nasceu e cresceu feliz, sempre dando mais do que recebe. E por isso consegue ter cada vez mais do que  jamais havia sonhado. Sabe como lidar com o dinheiro, com a família, filhos e especialmente com sua esposa, Sofia. É o mais forte, o mais honesto, e, no filme, representa o sal.

Olivia Molina (Sofia)
É a personagem central que quer se tornar a melhor cozinheira do mundo e que vive em uma pequena cidade. Descobre sua vocação para a cozinha trabalhando no comércio dos pais. Ela ama, odeia, sofre, manipula e explora e é explorada. É atraente, imprevisível, clara por dentro, escura por fora, é um gênio da cozinha… Ela é o próprio Mediterrâneo.

 Alfonso Bassave (Frank)
Por trás de um grande chef há um cérebro que o guia. Esse é Frank, que descobre o talento de Sofia e dedica sua vida para torná-la um sucesso. É um lobo solitário ou uma cobra, quando alguém o tira do sério, ou mais parece um cão sem dono quando se percebe incapaz de constituir uma família.

Ficou tentado em ver? Ficará ainda um pouco mais lendo a ótima e instigante resenha abaixo escrita por uma psicanalista chamada Eleonora Rosset. Ela escreve o Uma psicanalista vai ao cinema. Visitem. Vale a pena!

Frank, Sofia e Toni

Dieta Mediterrânea

por Eleonora Rosset

Espanha, 2009

Direção: Joaquim Oristelli

Esse é um daqueles filmes que você saboreia. Pertence a uma linha de cinema que faz sucesso explorando o tema da culinária: “A Festa de Babette”(1987), “Vatel, o Cozinheiro do Rei”(2000), “Estômago”(2007), “Julie e Julia”(2009), ”Comer Rezar Amar”(2010), para citar só alguns.

E parece certo que tais filmes são apreciados porque falam de uma arte necessária à vida prazeirosa. A cozinha, quando regida por pessoas dotadas, torna-se um lugar de descobertas, de transformações, onde sabores e cores são usados para deliciar nossos olhos e estômago.

Acrescente-se a isso uma bela pitada de sexo e temos “Dieta Mediterrânea”, um filme espanhol dirigido por Joaquim Oristelli.

“Salerosa”, Olivia Molina, a “chef” Sofia, ao redor de quem gira o filme, é uma morena atrevida, mandona e jeitosa. Encarna o eterno feminino, com tudo o que tem de matriarcado, num flexível corpo esguio e belos seios.

Ela é esposa, amante, mãe, filha e “chef” de cozinha. Segue a carreira do pai, para desgosto da mãe, Carmen Balagué, maravilhosa atriz de “Tudo sobre minha mãe” de Pedro Almodóvar.

E Sofia consegue fazer com que o seu talento seja reconhecido pelos grandes “chefs” europeus, entre os quais Ferran Adrià, que aparece em pessoa no filme.

Para quem não sabe, Adrià é o “chef” de um dos mais famosos restaurantes do mundo, El Bulli, que fica em Roses, na Costa Brava, Catalunha, ao norte de Barcelona . Usando novas tecnologias e buscando sabores inesperados aliados a texturas elaboradas, ele desenvolveu uma cozinha criativa que dá o que falar. Tem gente que faz reserva para conseguir mesa só um ano depois. El Bulli é famoso por seu menú degustação de 30 pratos, que convida as pessoas a provar sem saber o que estão comendo. Tudo pela descoberta de paladares adormecidos pelo quotidiano.

Em tempo – fiquei sabendo que o El Bulli fechou no meio do ano passado!

Mas o detalhe apimentado do filme é que Sofia é uma versão espanhola de nossa dona Flor, criação de Jorge Amado, vivida por uma inesquecível Sonia Braga nas telas.

As duas cozinham como deusas, são sensuais até a ponta dos dedinhos nas panelas e dão conta de dois homens.

Sofia escolhe esse destino, ao contrário de dona Flor, que parece sujeitar-se ao que acontece com ela, levemente constrangida, mas, secretamente adorando tudo aquilo.

A cena de Vadinho, o marido fantasma, nu pelas ruas de  Salvador abraçando dona Flor gingando ao lado do marido vivo, fecha o filme de Bruno Barreto de uma maneira magistral.

Em “Dieta Mediterrânea”, Sofia na cama, aprecia seus dois homens nus, em frente a ela, de costas para a platéia. A inspiração no filme brasileiro fica bem clara. Eu diria que é uma homenagem.

Mais que em “Jules e Jim” (1961) de François Truffaut, que é citado no filme, “Dieta Mediterrânea” se parece com “Dona Flor e seus dois Maridos” (1976). A diferença maior é que a “chef” Sofia, nascida em 1968, no dia do assassinato de Bob Kennedy, é mais contemporânea que a gentil professora de culinária dona Flor.

Mas longe de qualquer ousadia maior, “Dieta Mediterrânea” é um filme comportado que mais sugere do que mostra, em matéria de cama. Seu local predileto é a cozinha onde Sofia é a sacerdotisa a serviço do ritual de preparar a comida, a ser servida e apreciada.

O filme é contado através de um “flashback” que vai desde o nascimento de Sofia até o nascimento da narradora do filme, sua filha, que tem um nome muito peculiar.

Se vocês forem ver “Dieta Mediterrânea”, vão rir dessa última graça do roteiro de um filme gostoso de ver.

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4 Comentários »

  1. Olá!
    já irei procurar amanhã na video-locadora. Programa para fim de semana em casa, sem pipoca mas com vinho 🙂
    um grande beijo!

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    Comentário por RoPertile — janeiro 18, 2012 @ 23:04 | Responder

  2. Adicionei o seu blog e o do tio Alim no meu blog =) Grande beijo!!

    Curtir

    Comentário por Priscilla Schleier — janeiro 19, 2012 @ 14:33 | Responder


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