A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

dezembro 9, 2011

UM TUTOR PARA CHAMAR DE SEU ( matéria publicada na revista Ensino Superior – Edição 158 – 11/2011 – Editora Segmento

O crescimento da educação a distância trouxe à tona a discussão sobre o papel exercido pelos tutores, que acabam tão responsáveis pelo desempenho dos alunos no curso quanto pelo bom relacionamento deles com a instituição
por Patrícia Pereira 

Nos cursos de educação a distância, os tutores são peça-chave. Suas atividades, presenciais ou em ambientes virtuais, interligam os alunos às ferramentas colocadas à disposição pela instituição. Apesar disso, vivem um dilema: não sabem ao certo quais papéis devem desempenhar. Isso porque há vários modelos de cursos em EAD e, portanto, diversos sistemas de tutoria. A construção da identidade da tutoria foi tema de seminário promovido pela Associação Nacional dos Tutores da Educação a Distância (Anated), no início de outubro, no Rio de Janeiro.

Tutoria na EAD


 
Como na EAD há professores responsáveis pelo conteúdo das disciplinas e pela parte pedagógica, o tutor existe para exercer uma nova função: ser o facilitador do ensino – função essa que dá margem a diversas tarefas. Não há um padrão e cada instituição busca o modelo mais adequado a sua proposta pedagógica e até mesmo conforme o curso ofertado.

De acordo com Rita Maria Tarcia, professora da Unifesp e diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), é possível identificar quatro modelos de tutoria. O primeiro é chamado de Semipresencial I, no qual o tutor exerce atividades a distância, por meio de fóruns e chats, além de atendimento presencial. O segundo é o Semipresencial II, também com atividades a distância, mas com atendimento presencial referente à tecnologia. O terceiro é chamado de bimodal, o qual mescla a tutoria a distância com encontros presenciais obrigatórios. O quarto seria a tutoria exclusivamente vir­tual. Para Rita, não há uma modalidade que possa ser eleita como a melhor. “O que deve haver é coerência pedagógica e um sistema que suporte o processo de acordo com o projeto de educação da instituição e do curso”, recomendou.

Estabelecer a identidade e responsabilidades do tutor foi a principal dificuldade apontada por Daniel Freitas, tutor do Consórcio Cederj no polo de Rio das Flores. “Como atendemos diretamente os alunos, eles acham que tudo é com a gente. Se a profissão fosse regulamentada, teríamos funções mais definidas”, disse Freitas.

Competências

As inúmeras funções desempenhadas pelos tutores de EAD foram identificadas pela pesquisadora Lucíola Lima Pequeno, da Universidade de Fortaleza (Unifor). A partir do trabalho intitulado A importância do tutor na Educação a Distância, Lucíola percebeu que apesar de as atribuições do tutor não estarem muito bem definidas, há uma série de funções frequentemente identificadas como sendo do tutor. Entre essas atribuições, a pesquisa relaciona: mediação, facilitação, orientação, além de atividades que o consideram como um professor on-line.

Segundo Luis Gomes, presidente da Anated, os diversos papéis que os tutores desempenham nos cursos de EAD se apoiam em competências de três áreas: pedagógica, tecnológica e de gestão. Pedagógica por sanarem as dúvidas dos alunos relativas ao conteúdo das aulas; tecnológica por precisarem conhecer o funcionamento das plataformas de EAD; e de gestão porque  demandas administrativas chegam ao tutor.

A conclusão é fruto do trabalho da  Anated junto a tutores de todo o Brasil. “A associação busca mapear as funções daqueles que estão à frente do processo, a fim de reunir todas as experiências do país, incluindo os diferentes conceitos que se tem de EAD, e agrupar quais são as competências do tutor”, informou Gomes.

Um problema ocasionado pela falta de regulamentação é a baixa formação de profissionais para a atividade. Como no mercado de trabalho não há quantidade suficiente de tutores para contratação, são as próprias instituições que têm capacitado seus professores para atuarem como tutores.

É o caso da Universidade Estácio de Sá, que possui mais de 40 mil alunos nos cursos de EAD. De acordo com Paula Caleffi, reitora da Estácio, a capacitação é importante porque é preciso que os professores compreendam as diferentes plataformas de EAD. “Não basta o professor achar que vai reproduzir a sua metodologia presencial na modalidade de EAD”, destacou a reitora.

Luis Gomes revelou que a Anated trabalha para criar uma certificação em tutoria para balizar essa formação. “Hoje cada instituição capacita de acordo com suas necessidades, que às vezes é muito específica para determinado curso”, observou Gomes. 

As características para o sucesso da tutoria on-line foram reunidas no trabalho O tutor no ambiente virtual de aprendizagem: competências e processos de desenvolvimento, apresentado por Marta Fernandes Garcia, tutora da Unesp e pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ela, os tutores devem conhecer as ferramentas de ensino e serem capazes de ajudar os alunos a usá-las. Outra competência importante é a capacidade de estabelecer um bom relacionamento com os alunos que os motive a participar ativamente das atividades e permanecer no curso.

REVISTA ENSINO SUPERIOR – EDIÇÃO 158 – 11/2011 – EDITORA SEGMENTO

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7 Comentários »

  1. Se há um tutor para “chamar de meu”, é a LILIAN, sure! Bjs. Silvia

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    Comentário por Silvia Gouvea — dezembro 10, 2011 @ 8:53 | Responder

  2. excelente o artigo sobre tutoria Augusto.
    das 4 modalidades citadas eu escolhi a virtual.
    como sempre tenho alunos de cidades diferentes seria impossivel reunir todos em uma sala para uma aula presencial.
    então eu procuro compensar a ausencia fisica com o máximo de atençao.
    desde 2005 em contato com a EAD eu tive todo tipo de tutor: desde aquele que so mandava o guia do aluno até o que nem se apresentou.
    então eu decidi que eu seria uma pessoa REAL para meus alunos.
    desde o começo do curso eles veem que podem contar com uma pessoa amiga que poderá ajuda-los a passar pelas fases mais dificeis do curso.
    escrevo e-mails em que vem recheados de instruços e informaçoes, coisas sobre mim, noticias, artigos retirados de revistas.
    já pelo meio do curso vejo quantos amigos fiz na classe.
    ao final, vejo que valeu a pena todo o esforço.
    eu procuro ser a melhor possivel para os meus alunos: nao só a melhor tutora, MAS A MELHOR AMIGA E A MELHOR PESSOA DURANTE A FASE DO CURSO.
    fico disponivel a maior parte do tempo.
    neste ultimo curso aconteceram vários incidentes de doenças na minha familia, batida de carro, alergias, sustos e de uma maneira espantosa, A CLASSE ME DEU TUTORIA.
    a maioria tomava conta de mim, por e-mail e elefone, perguntando se eu estava bem, querendo saber da minha familia, da minha situaçao…e eu percebi que mesmo com tantos problemas havia envolvido a classe.
    tinha amigos ali.
    pessoas que entenderam desde o inicio o meu papel que É AJUDAR, FACILITAR.
    quando fiquei fragil, foi a turma 19 continuou firme, nao so fazendo o curso todo como me ajudando.
    a tutoria nao é facil em nenhum sentido: o tutor tem que ser disponivel, tem que ter vontade de ajudar, e tem que valorizar o aluno.
    em vez de dizer: ESTA SUA OPINAO NO FORUM NAO TEM MUITO A VER, dizer: VAMOS TENTAR DESENVOLVER DENTRO DO TEMA??? E dar dicas de como isso acontece.
    olho as provas que estaolá salvas sems erem enviadas e digo:
    vc vai enviar assim??de uma olhada com carinho antes.
    a pessoa fica esperta em relaçao as respostas, analisa e acha erros.
    é como ajudo sem ser injusta com o resto.

    entao a tutoria é isso: estamos ali para auxiliar o aluno, mas a troca é tao boa, tao grande que ao final vimos que aprendemos muito mais do que ensinamos.

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    Comentário por coisadelilly — dezembro 10, 2011 @ 12:20 | Responder

    • Obrigado pelo depoimento, Lilian. Seus alunos sempre elogiam muito o seu trabalho. Bjs.

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      Comentário por Augusto Martini — dezembro 10, 2011 @ 21:01 | Responder

  3. Como eu tinha comentado antes, fiz 2 cursos EAD, e nos 2, embora, em instituições diferentes, tive bom relacionamento com a tutoria.
    No primeiro, a tutora chegou a me pedir uma indicação para uma aula presencial de auditoria. Eu trabalhava nisso, na época, mas passei a bola, indiquei meu chefe, por que seria uma ciumeira só, e não dou para ser professora. Tremo que nem vara verde, até para pequenos grupos! rsrs. Neste curso DEF, foi hilário! ANTES do curso, já batia papo por e-mail, sem parar com a Lilian. A identificação entre uma e outra foi quase que imediata. Então, eu “naveguei” no curso muito tranquilamente, até mesmo, nas aaausências da Lilian. Espero que eu tenha a mesma sorte no próximo EAD. Silvia

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    Comentário por Silvia Gouvea — dezembro 12, 2011 @ 14:02 | Responder


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