A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

agosto 23, 2011

Perigo, Perigo, Perigo! Minha paixão pelo seriado “Perdidos no Espaço!”

Nasci em 1959. Com 5 anos de idade minha família saiu da Fazenda São José do Morro Grande, na região de Rio Claro/SP e veio morar na cidade. Não tínhamos TV, somente um daqueles rádios “rabo quente”, a válvula.  Nele ouvíamos notícias, músicas, minha mãe acompanhava a novela “O direito de nascer”. Um dia meu pai resolveu fazer um curso à distância de Radiotécnico – as lições vinham por correspondência entregues pelos Correios – era oferecido pelo Instituto Universal Brasileiro. A partir de então ele começou a consertar rádios quebrados – um rádio bom trocava por dois rádios quebrados e vários deles passaram a povoar a nossa casa.

Perdidos no Espaço


 
TV mesmo só fomos ter quando eu completei 16 anos e comecei a  trabalhar – compramos um aparelho Colorado RQ de segunda mão, o qual tinha o tubo de imagens tão fraco que precisávamos colocar um cobertor na janela para enxergar alguma coisa. E, quando era desligado  ficava um ponto luminoso no meio do tubo que demorava a sumir. Bem, mas me adiantei na história…
 
Viemos da fazenda e fomos morar na Vila Martins. Tínhamos uma vizinha, a “Tia Nica”, que adotou a mim e minhas irmãs  como netos. Foi na casa dela que tomei refrigerante pela primeira vez – e que delícia foi sentir as bolhinhas de gás estourando em meu nariz… e foi lá que também me apaixonei por um caixote que como os rádios do meu pai “falava”, mas tinha um diferencial – a gente via a pessoa falar!!!  Na casa dessa doce senhora e a contra gosto de meu pai, eu e minhas irmãs assistíamos ao Silvio Santos aos domingos pela tarde, e também foi lá que vi algumas que embaralharam minha cabeça, atingiram meu coração e gravaram coisas em meu cérebro que permanecem até  hoje.

Não é a toa que muitos dos especialistas de TV consideram a década de 60 como a era de ouro da televisão. Eu adorava as séries de ficção – como a Além da Imaginação, Quinta Dimensão, As Aventuras de Super-Homem e a japonêsa National Kid. Tinha também a Viagem ao Fundo do Mar, Jornada nas Estrelas, Os Invasores, O Túnel do Tempo, Terra de Gigantes, e a minha série preferida – Perdidos no Espaço, que começou a ser exibida em meados dos anos 60, mais especificamente em 15 setembro de 1965. Vou falar um pouquinho como a série surgiu.

O Elenco da série

Nessa época muita coisa estava acontecendo no mundo, mudando os rumos da história. Muita coisa também acontecia quanto aos anseios de se conquistar outros mundos em outros planetas. E essa tendência incentivou o produtor Irwin Allen a criar uma série para TV, exibida na CBS, com o tema da viagem espacial.
 
Em 1964, Allen começa a produzir um programa piloto com um orçamento de 600.000 dólares, que fez dele o mais caro até aquela data, e escrito por Shimon Wincelberg. Parte do episódio foi rodado no deserto de Mojave, na Califórnia, perto de uma base militar restrita.
 
O seriado, muito criticado pelos especialistas em espaço, por conta das “falhas” da série, não deixou-se perder e investiu no interesse do público. O argumento tinha como principal foco a aventura de uma família perdida no espaço, em um futuro distante, no ano de 1997. A família era chefiada pelo Professor John Robinson (Guy Williams), sua esposa Maureen (June Lockhart), e seus filhos, Judy, Penny e Will (interpretados por Marta Kristen, Angela Cartwright, Billy Mumy e) finalmente, o Major Donald West (Mark Goddard), que era o piloto da nave Jupiter. Seu destino, um planeta habitável orbitando uma estrela do sistema Alpha Centauri, a cerca de 4,5 anos-luz da Terra. Os componentes da expedição permaneceriam congelados em animação suspensa durante a longa viagem até a sua chegada.
 
A série estava pronta para ser lançada, mas os executivos da CBS acharam que algo estava faltando – deviam incluir um vilão. Allen gostou da idéia. Assim, decidiram criar um novo personagem – o  Dr. Zachary Smith.

Smith era um agente que se vendeu a uma potência estrangeira (do leste europeu – suspeitou-se que a Guerra Fria ainda estivesse em vigor em 1997). Depois de considerar vários atores para o papel foi decidido por Jonathan Harris. O personagem do Dr. Smith deveria desaparecer após alguns episódios, mas dado o sucesso foi decidido pela continuidade.

Também foi incluído um outro elemento no grupo, um robô, projetado por Robert Kinochita.  Mas, o personagem mais popular da série foi definitivamente Dr. Smith, e sua frase mais famosa – “Nada tema, com Smith não há problema”, relegando os outros persongens para segundo plano.

Perigo! Perigo! Perigo!

 
O seriado teve três temporadas, com os Robinson vagando de planeta em planeta tentando chegar à Alfa Centauri ou voltar à Terra. As histórias são fantásticas. Algumas cheias de monstros, formas de vida extraterrestres inteligentes e estranhas, que são ameaças constantes. Lembro bem de tudo da primeira temporada, que era em preto e branco, onde as histórias têm maior teor de ficção científica que as temporadas seguintes. A partir da segunda, junto com as cores, vieram histórias cômicas e bizarras, onde todos os episódios tinham como personagens centrais Will, Dr. Smith e o Robô.

As vezes, quando fecho os olhos e volto para aqueles dias, ainda escuto o “Perigo, Perigo, Perigo” dito pelo robô, o episódio do dia acabando e eu, imaginando o que aconteceria no dia seguinte.

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12 Comentários »

  1. AKAKAKAKAKAKAKA você lembra bem. Eramos felizes e não sabíamos …

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    Comentário por Irany — agosto 23, 2011 @ 20:26 | Responder

  2. Meu sonho de consumo é um robo deste!Vale milhões nos antiquários

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    Comentário por CECILIA MEDEIROS — setembro 3, 2011 @ 15:08 | Responder

  3. Guy Williams, antes do papel de professor John Robinson, também foi o Zorro em seriado de TV. Era um Dom Diego De La Vega/Zorro bem charmoso!!!

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    Comentário por Emi — setembro 3, 2011 @ 22:04 | Responder

    • Oi Emilia!

      Estava sentindo sua falta no blog! Não sabia desse detalhe sobre o Gy Willians! Bjs. Augusto

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      Comentário por augustomartini — setembro 3, 2011 @ 22:26 | Responder

  4. OI !!!Augusto !!!! que saudades da tia NICA !!!! um beijo grande no coração dela onde ela estiver !!!! um bjão pra voce t.b. te amo .

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    Comentário por ivone veronica martin christofoletti — setembro 5, 2011 @ 1:12 | Responder

  5. Olá. Eu tenho um daqueles robôs distribuidos pelo Ovomaltine na década de 60, quando patrocinava o seriado Perdidos no Espaço pela TV Record. Tem uns 30 centímetros de altura e ainda parece novo de tão corservado.

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    Comentário por Nelson — setembro 23, 2013 @ 15:35 | Responder

    • Oi Nelson.
      Guarde com carinho! Já deve valer um bom dinheiro para colecionadores.
      Abrs. e obrigado pela visita.
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — setembro 23, 2013 @ 16:24 | Responder

  6. O seriado Perdidos no Espaço povoava meu imaginário nos tempos de criança quando morávamos com nossos avós em Belém, no bairro do Curió. Eu simplesmente adoraaaava! Lembro perfeitamente que o seriado passava pela parte da tarde mas as vezes acontecia de passar à noite e ai meu amigo, a coisa pegava. Quando isso acontecia eu sentia medo, pavor de ver aqueles alienígenas, eu virava o rosto para não ver a cena e aquela trilha musical contribuía para aumentar ainda mais o meu medo. Lembro também com muitas saudades das séries Daniel Boone, Jornada nas Estrelas e Viagem ao Fundo do Mar, mas Perdidos no Espaço era de longe o meu preferido.

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    Comentário por Carlos Almeida — junho 2, 2014 @ 12:35 | Responder

    • Olá Carlos.
      Eu também gostava de Viagem ao Fundo do Mar e Túnel do Tempo.
      Abraços
      Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — junho 2, 2014 @ 12:58 | Responder

  7. so tenho que complementar os comentarios ,expostos acima ,éramos felizae e não sabíamos,que saudades,
    já não se vê mais seriados assim,felizmente em 2013,consegui baixar todo o seriado de perdido nos espaços,
    túnel do tempo,viagem ao fundo do mar.o tempo bom não volta mais abraço a todos.

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    Comentário por abraao chagas de andrade — dezembro 23, 2015 @ 16:35 | Responder


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