A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

abril 12, 2011

Quem são os heróis da chacina dos estudantes no Rio de Janeiro?

Os portões e os muros da escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio, ainda estão cobertos com velas, flores e cartas. Centenas de pessoas acompanharam as famílias até o cemitério. Os estudantes que sobreviveram exorcizam suas angústias. “Parecia um filme de terror proibido para menores de idade”, disse um dos que escapou da saraivada de balas. Uma das coisas que impressionou o público foi o testemunho de uma criança da escola. “Meu amigo disse em voz alta: ” Não me mate, não me mate “, e ele sacou o revólver, atirou na cabeça e ele caiu morto a meus pés”, disse uma menina de 11 anos, lembrando que ficou mais surpresa ainda  “ao ver o sangue correndo pelas escadas…” Todos os depoimentos seguem a mesma linha e relatam que o assassino, Wellington Menezes, ex-aluno dessa escola, sofreu a humilhação e intimidação “, era uma pessoa tranquila e solitária, que passava horas navegando na internet e consultando páginas do fundamentalismo islâmico. Sua irmã mais nova, admitiu que “era usual ele falar de coisas dos muçulmanos” e que quase nunca saia de casa. A Comunidade muçulmana do Brasil foi rápida em negar que o assassino tinha algo a ver com eles ou que ele  freqüentava uma mesquita.

Quem são nossos heróis?

 

 
Hoje, recebi de uma querida amiga o texto abaixo. Ele é da Eliane Cantanhêde, que discorre sobre quem são os verdadeiros heróis dessa tragédia.
O nosso dia a dia é que revela os nossos verdadeiros heróis, aqueles que devem ser lembrados para sempre. Por isso tantas pessoas se lembram de seus pais, de alguns professores, dos médicos que os atenderam com dignidade e respeito, de bombeiros que se sacrificaram para salvar muitas vidas, etc.
 
Pessoalmente, quando penso em heroísmo em minha mente sempre estão os meus pais, que criou a mim e minhas irmãs com muito sacrifício, mas sempre com dignidade. Também tenho em mente pessoas como Mandela, Gandhi, Charles Chaplin ou Martin Luther King – cada um a seu modo tentou construir um mundo um pouco melhor. Acima de tudo e de todos coloco apenas a Luz que não se Apaga, ou seja, um ser superior – Deus ou chame como quiser – que acredito que seja o mensageiro e realizador dos valores que norteiam a existência de muitas e muitas pessoas, inclusive a minha…
 
Bem, agora segue o texto. Aproveite-o. Discuta-o.

Abraços.

Augusto

 
Eliane Cantanhêde – Frio na espinha
 
 
 

BRASÍLIA – Ao nascer, importou o nome de Wellington. Ao morrer, importou expressões religiosas estranhas à vida dele e o método norte-americano de ataques desesperados e assassinos contra dezenas de crianças inocentes numa escola onde um dia estudou -e sofreu sabe-se lá o quê, de quem.
De nada adianta, porém, reduzir a tragédia ao drama pessoal e aos demônios de Wellington. Como de nada adianta endeusar o policial que puxou o gatilho e encerrou a matança. Há muito mais em jogo.
Que o rapaz assassino tinha transtornos mentais, é óbvio. Daí a chamá-lo de “animal” e “psicopata” é jogar adjetivos fora. Ou jogar para a plateia. Tanto quanto classificar de “herói” quem foi treinado para situações e assim cumpriu adequadamente seu dever.
Se há heróis numa tragédia como essa, são as dezenas de anônimos que se dispuseram a passar horas numa fila para doar sangue e ajudar a salvar as pequenas vítimas feridas estupidamente.
O mais importante, porém, é não deixar passar o dia 7 de abril de 2011 em branco. É preciso tentar entender o que se passa nas escolas brasileiras, que tipos de violência e humilhação Wellington sofreu pela vida afora e como a família adotiva e as pessoas próximas não viram se aproximar o tsunami de dor, desamparo e violência.
E é preciso, mais do que tudo, descobrir a origem da arma e o seu roteiro até chegar às mãos de um rapaz doente e, afinal, perigoso.
Onde, como, de quem, quando, por quanto e com que facilidade ele comprou aquela arma para trucidar meninos e, sobretudo, meninas? E você que votou a favor do armamento, o que está sentindo?
O momento é de dor nacional pelas crianças mortas e feridas e por seus pais, mães, irmãos, irmãs, parentes e amigos. Uma dor que remete aos massacres nos EUA. Depois que começaram, na década de 1960, nunca mais pararam. Dá um frio na espinha. E na alma.

Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis. Bertolt Brecht

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8 Comentários »

  1. eu entendo que não houve heróis, nem os que doaram sangue.
    o PM que baleou estava cumprindo o dever, e o fez bem.na hora eu até entendi o titulo de herói, pois se não se desse esta conotação em segundos já estaria falando q

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    Comentário por coisadelilly — abril 12, 2011 @ 14:51 | Responder

  2. eu entendo que não houve heróis, nem os que doaram sangue.
    o PM que baleou estava cumprindo o dever, e o fez bem.na hora eu até entendi o titulo de herói, pois se não se desse esta conotação em segundos já estaria falando qUE UM PM MATOU UM CIDADÃO.
    desculpar o que welligton fez por que sofreu bullying?
    milhares sofrem em maior ou menor grau e seguem suas vidas.
    ou não.
    weellington matou inocentes, é doente mental e mais outros adjetivos 1000.
    tambem nao adianta rastrear armas, todos os dias, novas armas estao aí nas ruas, roubadas, adulteradas.
    nas maos de bandidos.

    o massacre de 7 de abril tem que ser lembrado.
    nenhum fato deve minimiza-lo.
    ele aconteceu, e o culpado morreu, uma pena.
    deveria pagar pela crueldade.

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    Comentário por coisadelilly — abril 12, 2011 @ 14:55 | Responder

  3. O PM desempenhou seu dever, mas, se por acaso vacilasse poderia despertar maior ira no rapaz e a tragédia seria maior. Alguns adjetivos que foram colocados no rapaz, pela população indignada, só demonstram o quanto as pessoas também vivem no limite e à beira de um descontrole de proporções variadas. Sentimento de ódio não irá trazer as crianças de volta e nem levará o amparo emocional as famílias que vivem seu momento de grande dor. O que diferencia cada ser humano é a capacidade de atravessar as adversidades da vida e sair de cada uma delas fortalecido, uns conseguem outros não. Tantas pessoas passaram por humilhações/bullying e estão aí no mundo artístico como verdadeiras celebridades. Certamente Bill Gates como um “Nerd” deve ter passado por poucas e boas na adolescência…e o que ele é hoje em dia??? Mas o ocorrido também serve de reflexão em especial para aqueles alunos que adoram humilhar seus amigos tido como “certinhos”, tímidos, etc. Vivemos um tempo em que não se pensa nas conseqüências de cada atitude ou palavra.

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    Comentário por Emília — abril 13, 2011 @ 1:23 | Responder

  4. bem, emilia, como vc disse, muitas pessoas passam por bullying e depois crescem com isso.
    eu entendo que a atitude do governador, de chamar de heroi o PM foi pra impedir que em seguida alguem dissesseque a PM tinha matado um cidadão
    deu certo.
    ele realmente impediu mais assassinatos.
    notei que a atitude dele nao foi de alvejar o assassino mortalmente, pra que ele fosse capturado com vida. e pagasse pelas mortes.
    agora não há mais o que falar, ele nem tem familia, o legado dele é muito triste.
    hj já tem videos no youtube mostrando o grau de insanidade dele.
    noa tem como controlar as armas.
    estão aí, nas maos de bandidos e loucos.
    o sarney quer fazer OUTRO plebiscito e assim agstar mais tempo e milhoes do contribuinte pra confirmar o que todos ja sabem: 70% da população é a favor do desarmamento.
    mais segurança é o que precisamos.
    e a midia precisa parar de explorar cada tragédia como se fosse o ultimo fato da terra.
    a cada fato/crime acontecido, todos querem dar sua opinião.
    isos vira uma bola de neve pois alí cada jornalista imprime a SUA impressão e a vontade de que as pessoas concordem com ela.
    é o que eu sempre digo: por tras de um artigo sempre tm a agenda escondida.

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    Comentário por coisadelilly — abril 13, 2011 @ 13:19 | Responder

  5. Lilly. Gisele Bundchen foi uma das pessoas famosas que em seu tempo de estudante também sofreu bullying. Infelizmente o rapaz que se tornou em um sádico assassino, tinha também um transtorno mental e segundo alguns psiquiatras o rapaz em seus delírios criou para si um personagem(um terrorista), a mente humana é complicadíssima até para os especialistas.

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    Comentário por Emília — abril 13, 2011 @ 21:25 | Responder

  6. Fiquei muito triste,pois sei que os meios de comunicação não estão ajudando nos ensinamentos corretos e sim trazendo aos que tem problemas mentais este tipo de comportamento.Sei também que o soldado que o tirou daquele massacre,não esta se sentindo um herói, pois ele é pai e sabe como doí estas coisas .Ele foi apenas justo naquele momento em atira na perna para que ele se rendesse.Mais a mente doentia em que o rapaz se encontrava o fez suicidar.Ele foi instruído pelas más pessoas ,pelas pessoas doentes destes grupos de extermínios que andam usando a Internet para fazerem o mal. Não sabemos nem o que falar ao certo ,pois isso nos deixa muito chocados

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    Comentário por Irany — abril 15, 2011 @ 14:04 | Responder

  7. Discordo plenamente desse artigo, a ponto de chama-lo de rídiculo!
    Com certeza o PM e seus dois companheiros agiram como heróis, mesmo sendo os seus deveres, sem essa ação o desastre poderia ser muito maior; tudo bem que esse era o trabalho deles, mas dizer que eles fizeram nada mais que seu dever… tenha a santa paciência, Emília; eu queria saber quantas pessoas são dispostas a trabalhar como policial, ganhar o quanto ganham e agir com eficiência e sem exitação numa situação desesperadora como essa.
    E a questão do desarmamento, nas suas palavras -“E você que votou a favor do armamento, o que está sentindo?” – como ousa dizer uma barbaridade dessas? Minha filha, a arma era ilegal tanto que o “vendedor” foi preso. A questão do desarmamento trata da posse de armas legais, as ilegais sempre vão existir caso não haja um controle ao contrabando.

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    Comentário por Brunno Eduardo — abril 16, 2011 @ 19:20 | Responder

  8. Nota: Eu me referia à Eliana e seu artigo em meu comentário anterior, e não à Emília.

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    Comentário por Brunno Eduardo — abril 16, 2011 @ 19:24 | Responder


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