A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 14, 2011

A Árvore de Natal que tive durante minha infância

Perto do Natal estive lembrando minha infância e dos Natais já passados… Em todos, havia uma celebração específica em minha casa – a noite, ir à Missa do Galo, voltar, dormir e no dia de Natal tinha um almoço bem melhor que os de costume.

Minha eterna Árvore de Natal

Lembro-me que em minha infância fazíamos as árvores de Natal com galhos – e eram enfeitadas com bolas e outros enfeites de vidro coloridos os quais eram guardados de ano em ano em caixas de papelão, bem embrulhados em jornal, para que não se tocassem e impedindo que se quebrassem.
Lembro que quase era só eu quem montava a árvore de Natal, mas minhas irmãs e mãe também ajudavam. Tínhamos o maior cuidado e no fim jogávamos pequenos fiapos de algodão para dar um toque de neve!

Ao terminarmos, maravilhados, apreciávamos o brilho e o colorido como quem está em frente a algo de outro mundo. Sempre esperávamos presentes que nem sempre vinham, mas o simples ato de montarmos a árvore em si já era um presente e somente hoje posso perceber isto.

Os presépios eram uma tradição muito mais comum e o Menino Jesus era colocado somente na noite de Natal em algumas das casas.

Atualmente há grande variedade de tipos de árvores de Natal, pinheiros de todas as cores; árvores de cabeça para baixo; de fibra ótica que acendem e apagam; árvores que tocam músicas natalinas…

As bolas ainda fazem parte dos enfeites, só que agora na versão plástico e com diversas coberturas de cores e tipos. Há bonecos… Há laços brilhantes.

Mas a árvore de minha infância era muito mais bonita que estas. Um belo galho seco sempre era cortado da goiabeira do quintal e o fixávamos numa vasilha ou lata preenchida com pedras, areia ou terra. Depois cobríamos a vasilha com papel colorido – ou metalizado – quando conseguíamos uns trocados. Quando tínhamos tinta prata, pintávamos cuidadosamente cada segmento do galho seco, da parte mais grossa até às terminações mais finas. Depois dependurávamos os enfeites. Quando eram poucos, inventávamos – flores secas, macarrão pintado… Caroços da manga-espada que eram bem chupados, até ficarem brancos viravam Papai Noel! Caneta preta para pintar os olhos, nariz e boca, algodão e papel vermelho para fazer barba, cabelo e gorro. E lá ficavam eles felizes pendurados em nossa árvore.

Nossas Árvores de Natal nunca ficavam prontas, pois íamos encontrando coisas, e inventando outras para enfeitá-la, ao longo do tempo. De ano a ano os galhos mudavam, mas, durante todos os anos da minha infância e parte da minha adolescência foram assim confeccionadas. Estavam sempre lá, no canto da sala, com espaço para abrigar mais algum objeto, ou flor, ou galho, ou qualquer outro item que nos ocorresse acrescentar-lhe. Nossa árvore parecia ter vida própria: se quebrasse algo, rapidamente o enfeite era substituído por outros pequenos objetos, e já não se sentia falta do que se houvesse perdido.

Os anos passaram, cresci, fiquei independente, a casa de minha infância já não existia mais e a minha árvore de Natal deixou de existir também…

Mas, quando eu penso nessas coisas de minha infância e em meus Natais passados, é como se a minha Árvore de Natal ainda estivesse lá, no íntimo do meu ser, quietinha, querendo um dia reaparecer, passando longe das correrias de compras, das excitações em função dos festejos, roupas, viagens, estradas concorridas que levam à morte, rodoviárias e aeroportos lotados…

Hoje, basta-me ver um Flamboyant em flor, o cantar de uma cigarra, um casal de Maritacas barulhentas cruzando o céu me remetendo aos sons do interior, ou quando caminho rápido e dou uma pausa para recobrar o fôlego, ou um abraço fraterno, ou o calor de um afago – quaisquer dessas coisas me fazem reencontrar o sentido mais humano do viver… E me fazem recordar… E afloraram o Augusto-bicho-do-mato-moleque que ainda habita em mim.

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14 Comentários »

  1. na minha familia sempre teve arvore de natal
    um dia, crescemos, os enfeites se quebraram…não montamos mais arvores.
    eu poassei a ter um pouco de reserva em relação ao natal
    deixou de ser o “natal na casa da dona olga”, pra ser o “natal das pessoas irritadas, correndo contra o tempo pois não compraram os presentes”
    conforme minha familçia foi envelhecendo e os problemas surgindo a situação ficou mais critica
    teve natal que eu passei sozinha com meu marido, um bebe de 5 meses e o Ro, de 4 anos…assei um peru so pra gente, fiz maionese, todos os pratos.
    tudo por causa de uma briga de familia, da qual eu nem gosto de lembrar…
    houve outros natais em que passei sozinha…
    passei a ter aversão de natais.
    nada ficou da lembrança da minah infancia.
    neste ano, eu levei uma chamada dos meus leitores.
    PORQUE VC NÃO GOSTA DE NATAL???
    então, tirei pra fora minha arvore, joguei enfeites velhos fora, fiz eu mesma enfeites bonitinhos que misturei com brinquedinhos dos meninos.
    pra mnelhorar a comemoração foi na minha casa, que tinha cor, brilho e cheiro de natal]
    é…acho que retornei aos antigos natais…mas ainda parece uma coisa coemrcial pra mim.
    vou tentar deixar mais religioso nos proximos anos.

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    Comentário por lilly — janeiro 14, 2011 @ 19:23 | Responder

  2. ps: esta é sem duvida uma bela arvore…mas como é dificil arranjar um galho assim hein???
    vou tentar achar no proximo ano…pinto de verde vivo e aí coloco os enfeites que fiz etse ano e os que farei ano que vem.

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    Comentário por lilly — janeiro 14, 2011 @ 19:25 | Responder

  3. Muito bom lembrar…Eu me vi nesta sua narrativa.

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    Comentário por Irany — janeiro 14, 2011 @ 22:22 | Responder

    • Laly querida…

      Lendo o post do Augusto..me fez lembrar tanta coisa boa da nossa infância…eu também me lembro de como você ornamentava as nossas ávores de galhos secos e pintados…tente descrever um pouco mais essa época que nos fez tão felizes como ao Augusto.

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      Comentário por alim soares — janeiro 15, 2011 @ 3:25 | Responder

  4. Em tempos em que haviam unidades da SEFAZ nas Secretarias de Estado, eu trabalhava em uma unidade da SEFAZ dentro da Secretaria da Agricultura e o que mais havia ao redor da Secretaria eram árvores(claro!!!)uma das funcionárias fazia Árvore de Natal com galhos. Todo ano próximo ao mês de Dezembro ela ficava atenta nas podas das árvores da Secretaria e também pedia nosso auxílio na procura dos galhos. A cada ano a Árvore de Natal do nosso setor era confeccionada com galhos. Uma árvore bem econômica, bonita, criativa e porque não dizer lembrança de um tempo bom, muito bom. Em que as brincadeiras de Amigo Secreto eram muito mais verdadeiras.

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    Comentário por Emília — janeiro 14, 2011 @ 23:17 | Responder

  5. Muito linda essa árvore, vou fazer uma parecida pra colocar na varanda! Linda mesmo!!!!!!!

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    Comentário por Debora Ludtke de Lima — novembro 13, 2011 @ 20:44 | Responder

  6. […] comprar uma Árvore de Natal ou quiser enfeitar um determinado local ou centro de mesa com uma, construa-a.  Acha difícil? Nada mais simples! Necessitará apenas de uma base de madeira onde prenderá uma […]

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    Pingback por Idéias para decorar sua Árvore de Natal « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — novembro 26, 2011 @ 16:25 | Responder

  7. muiiiiiiiiiiitooooooooooo legal !

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    Comentário por noemy — novembro 27, 2011 @ 15:18 | Responder

  8. muito legal parabens !

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    Comentário por noemy — novembro 27, 2011 @ 15:20 | Responder

  9. Bem… eu também lembrei do meu ano de árvore artesanal… mas no meu caso foi ano passado e eu já tenho 21 anos! Mesmo adulta acho a árvore de galhos arranjados um máximo! Feliz natal pra todos!

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    Comentário por Lorena — dezembro 16, 2011 @ 12:13 | Responder

  10. estea narrativa do augusto me levou numa viagem tao gostosa…quando minha mae arrumava nossa arvore de galho toda emroladinha de algodao com todo tipo de emfeites colorido depois colocava uns fios bem fininhos dourado,pratae vermelho ai sim colocava o pisca/pisca enos ficavamos ali contenplando aquele espetaculo de cores e brilhos que saudade.

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    Comentário por lucia helena de melo — dezembro 2, 2012 @ 17:49 | Responder


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