A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

janeiro 3, 2011

Memórias… “galos, noites e quintais”…

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá…

É muito interessante quando a gente relembra o passado e paramos para analisar fatos e as pessoas que vamos conhecendo ao longo da vida e como essas pessoas vão nos mostrando aspectos de nós mesmos ou nos fazendo parar para pensar em nossas escolhas…

Escrevendo sobre mim pude perceber o quanto minha escolha por Geografia e minha paixão pelas plantas estavam inseridos na minha alma sem que me desse por conta disso.

Venho de uma família humilde que sempre viveu no campo. Minha mãe, Maria como tantas Marias que existem, que são batalhadoras, guerreiras, íntegras e que não desistem do que querem. Mas essa minha Maria era especial – e para mim a mais especial de todas as Marias. Trouxe-me ao mundo e me deu todos os cuidados e amor. Essa é a minha Maria, meu referencial de vida, a Maria que eu amo. Veio de uma família de agricultores. Somente completou a escola primária, nasceu e cresceu em um sítio na área rural da cidade de Rio Claro/SP – onde eu também nasci e cresci. Minha mãe tinha descendência italiana. Seus avôs vieram do norte da Itália.

Meu pai foi agricultor, depois motorista de trator em uma fazenda… Também de descendência italiana, com avós oriundos do Vêneto, da comune de Cornuda! Vejam que nome! Quando eu e minhas irmãs ainda éramos bem pequenos, mudaram-se para a “cidade” e meu pai foi trabalhar no DAAE – Departamento de Água e Esgoto de Rio Claro. Ficou pouco por lá. Entrou na PREMA – Preservação de Madeiras S/A. em seguida onde se aposentou.

Eu, com o chapéu do meu pai, em meu quintal e junto das Helicônias. A Helicônia Rostrata, também conhecida como Helicônia, Caeté ou Bananeira do mato. Planta tropical originária da América do Sul, América Central, Ilhas do Pacífico e Indonésia. Muito utilizada para fins ornamentais por se tratar de uma planta de tipo exótico.

Se quiser saber mais sobre a Helicônia dê um clic aqui

Assim eles estabeleceram-se em Rio Claro, onde viveram todo o resto de suas vidas. Meu pai não conseguia prover para nossa família muito além das necessidades básicas da casa. Sempre trabalhou muito duro. Assim, eu e minhas irmãs trabalhamos desde cedo para completar a renda familiar.

Na minha família em geral nunca houve muitas perspectivas para que eu ou minhas irmãs freqüentássemos uma universidade. No histórico familiar, na geração dos meus pais ou dos meus avós não há ninguém com formação superior, e bem poucos com formação secundária.

Embora com pouca instrução acadêmica, minha mãe sempre nos incentivou a estudar. Meu pai nem tanto. Para ele importava ter um emprego, qualquer que fosse, trabalhar e ter um salário. Já minha mãe sempre deixou claro que só estudando é que nós teríamos oportunidade de uma vida melhor, que só estudando é que nós alcançaríamos independência intelectual e financeira. Eu freqüentei uma universidade. Minhas irmãs não.

Minha mãe sempre gostou muito de plantas. Em nossa casa, ela cultivava muitas espécies de plantas ornamentais e medicinais com as quais fazia chás e compressas para nós de casa ou para quem mais viesse pedir a ela. Acho que em meio a tantos vegetais cresci com a “alma verde”.  Meu pai também gostava muito de plantas. E aprendi muito com os dois.

Comecei a trabalhar muito cedo, por volta dos 15 anos. Trabalhei em comércio e gostava muito do contato com os clientes. Fiz curso técnico de eletricista no SENAI, depois segundo grau de técnico em Eletrônica em uma escola particular. Trabalhei e paguei meus estudos. Sou de origem popular e tive dificuldades para chegar até a universidade pública, que a fiz depois de algum tempo de ter terminado o segundo grau, porém, acredito que minha origem não me impediu ou impedirá de alcançar nenhum dos meus objetivos acadêmicos, sociais ou pessoais. Fiz mestrado na USP, iniciei o Doutorado. Fiz uma especialização também.

Quando comecei a escrever esse texto, o intuito era de falar sobre o meu amor e paixão pelas plantas e árvores e acabei desviando do assunto. Bem, conheço muitas plantas, sei para que servem e quase todas pelo nome popular: alecrim, alfavaca, arnica, aroeira, arruda, assa-peixe, barbatimão, bugre, boldo, buriti, cana do brejo, chapéu de couro, cipó cruz, congonha, copaíba, erva cidreira de rama, erva cidreira de capim, erva de bicho, erva de passarinho, fedegoso, gengibre, genipapo, hortelanzinho, hortelã pimenta, imbaúba, insulina, ipê roxo, ipê amarelo, ipê rosa, jatobá, junquinho, levante, malva branca, mamona, mangaba, mastruz, noz moscada, pau doce, poejo, sambaíba, sofre-do-rim-quem-quer, sucupira branca, trançagem, dentre outras. Mas isso tudo ficará para uma próxima postagem…
Queridas amigas e amigos leitores, parafraseando o meu amigo Fernando: “que 2011 lhe traga em dobro as alegrias de 2010 e não lhes sobre tempo, disposição e espaço para a tristeza.”

Abraços.

11 Comentários »

  1. vc começou falando do seu amor por plantas, e logo passou para as suas reminiscencias de infancia.
    porque é mais facil mesmo entender porque gostamos de algo quando mostramos que isso vem lá de longe.
    da mae que tinha canteiros floridos e uma horta de verduras e ervas.
    do pai que trabalhava na terra pra sustentar a familia.
    a sua ligação com eles é muito forte e uma das formas de te manter ligado é amando as mesmas coisas que eles, percebeu?
    vc gosta da vida simples, da comida na panela do fogão, do cheiro da horta regada logo de manhã.
    estas coisas fazem parte de vc, como fizeram parte dois teus pais.
    e é muito bacana ver isso.
    pois eu sou uma daquelas que passou a adolescencia brigando com os pais, pra chegar na vida adulta e perceber que era o que eu queria era ser exatamente como eles.
    nao tem melkhor jeito de amar que este: o de querer ser como nossos pais.
    parabens

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    Comentário por coisadelilly — janeiro 3, 2011 @ 17:52 | Responder

  2. Lendo a sua entrada, a minha memória viajou para o romance: O menino do dedo verde, de Maurice Druon. Fica aqui a dica para quem não leu mas tem a “alma verde”.

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    Comentário por Kuka — janeiro 3, 2011 @ 18:19 | Responder

  3. Oi Augusto!
    Obrigada pela visita ao meu blog!
    Eu cresci morando em casa, então também tive muito contato com plantas, mas hoje ao ter minha própria casa que me interesso mais por conhecer, além de só olha-las.
    Atrás do meu muro de 1 metro de altura, na parte de trás da casa, nasceu uma arvorezinha, como já estava se projetando pra dentro comentei com meu marido que queria cortar. Moramos no limite do condomínio, os fundos do meu terreno dá para uma grande fazenda, onde as vacas passam quase que diariamente nos visitando. Como é uma fazenda seria muito simples pular o muro e cortar.
    Mas no fim de semana quando ele foi cortar, a árvore floresceu, vários botões minúsculos, nada chique, mas muito bonito.
    Talvez esse tipo de beleza não agrade a maioria, mas nos agradou.
    Deixamos ela sobreviver, após as flores, todas as sementes abriram como floquinhos.
    Uns meses depois um amigo nos visitando reconheceu: Assa-peixe
    Gostei muito do seu blog! Bem diversificado
    Vou te acompanhar 🙂
    Marluce

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    Comentário por Marluce — janeiro 3, 2011 @ 18:36 | Responder

  4. Oa anos transformam nossas idéias, nossos corpos. Portanto no mais autêntico do nosso ser fica a essência, e esta é a oportunidade para reencontrarmos com as pessoas que nos deram e nos trouxeram a vida.
    Feliz Vida Para Você.

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    Comentário por alim soares — janeiro 3, 2011 @ 18:40 | Responder

  5. Com certeza…Pois aqui o verso continua assim. Minha Terra tem palmeiras onde cantam as sabiás…

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    Comentário por Irany — janeiro 3, 2011 @ 21:42 | Responder

  6. Adorei a sua história.A foto ficou linda também.O chapéu lhe cai muito bem.

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    Comentário por Irany — janeiro 3, 2011 @ 21:50 | Responder

  7. Por mais que encontremos amigos admiráveis vida afora, o que permanece em nós são os valores familiares. As plantas descritas no texto tomei conhecimento delas devido ao meu primeiro emprego que era em um Laboratório de Remédios Naturais e na fabricação eram utilizados extratos de plantas medicinais. Minha origem humilde poderia ser uma boa desculpa para não estudar, mas como eu gostava de estudar não deixei que os poucos recursos representassem um obstáculo. Conheço pessoas que tiveram maiores dificuldades
    que as minhas mas seguiram em frente em busca de seus objetivos e concluíram seus estudos. Por isso que Políticas Assistencialistas me deixam com a “pulga atrás da orelha” porque dependendo do “assistido” ele assim o será a vida inteira e a condição de assistido poderá ser transmitido para as gerações futuras(péssima herança). Sou mais favorável aos Cursos Profissionalizantes Gratuitos do que distribuição de cestas básicas. O Brasil é muito rico(só os brasileiros não sabem) vide seus Recursos Naturais.

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    Comentário por Emília — janeiro 3, 2011 @ 22:08 | Responder

  8. Oi Augusto!
    Cheguei aqui pelo comentário que você fez no meu blog. Acabei de chegar e, confesso, só dei uma olhada por cima nos seus posts, mas gostei muito do blog. Coloquei nos favoritos, voltarei mais vezes, e pretendo te linkar assim que voltar a escrever no meu.
    Um abraço, e um ano muito feliz pra você!

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    Comentário por Flávia Lacerda — janeiro 4, 2011 @ 4:08 | Responder

  9. OI MEU IRMÃO QUERIDO!!! EU JÁ DISSE UMA VEZ QUE TODAS AS COISAS QUE VOCÊ ESCREVE ME FAZEM ROLAR LÁGRIMAS DOS OLHOS… PRINCIPALMENTE QUANDO SE TRATA DOS NOSSOS PAIS – PAIS MARAVILHOSOS QUE TIVEMOS… SUA FOTO DE CHAPÉU FICOU LINDA MESMO! EU TE AMO MUITO MEU IRMÃO!!! BJOS IVONE.

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    Comentário por ivone veronica martin christofoletti — janeiro 4, 2011 @ 20:53 | Responder

  10. Boa noite Gu,
    Adorei o texto !!!!!!!!!!! A foto tb ficou linda !!!!!!!!
    Concordo com o que a vó dizia q estudo é tudo. Ás vezes fico pensando, tantas pessoas com condições financeiras desperdiçam a oportunidade. Eu sei o quanto vc batalhou e se esforçou pelos seus estudos e me orgulho muito disso, vc é sempre exemplo nas conversas que tenho com o Renan. Vc tem guardado no fundo da alma toda essência da infância, e isso faz muito bem. Já te disse outras vezes que adoro qdo vc escreve sobre os avós me faz bem e me traz boas lembranças.
    Uma ótima semana , fica com Deus.
    bjusss
    Regiane

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    Comentário por Regiane — janeiro 4, 2011 @ 23:57 | Responder

  11. Curiosamente, meu primeiro emprego no Brasil (sou espanhol), foi na Prema Preservação de Madeiras, no escritorio da Rua 7 de Abril em São Paulo, bons tempos aqueles (1959). Conheci seu Diretor-Presidente, seu carro importado, não me lembro a marca, mas tinha uma plaquinha escrito “de luxe”, fiquei lá menos de um ano, mas me marcou.
    Hoje visito Rio Claro seguidamente, nosso melhor cliente é a Roncoli Rolamentos, sinto-me muito bem na sua cidade, ainda calma.
    Um forte abraço.
    Juan Pino

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    Comentário por juan pino — abril 13, 2011 @ 18:16 | Responder


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