A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

dezembro 17, 2010

Sobre estudar em Escola Pública e outros temas…

Este é o site do Programa Ler e Escrever. Nele você pode conhecer melhor e interagir com essa importante iniciativa da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, que está oferecendo uma série de recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que freqüentam as primeiras séries do ensino na rede pública estadual.

Mais do que um programa de formação, o Ler e Escrever é um conjunto de linhas de ação articuladas que inclui formação, acompanhamento, elaboração e distribuição de materiais pedagógicos e outros subsídios, constituindo-se dessa forma como uma política pública para o Ciclo I, que busca promover a melhoria do ensino em toda a rede estadual. Sua meta é ver plenamente alfabetizadas  todas as crianças com até oito anos de idade (2ª série/3º.ano) matriculadas na rede estadual de ensino, bem como garantir recuperação da aprendizagem de leitura e escrita aos alunos das demais séries/anos do Ciclo I do Ensino Fundamental.

A Escola Pública é patrimônio de todos nós!

 

Li no blog Escola pública não é de graça da jornalista Vanessa Cabral, que  Chico Buarque, Cartola, Milton Nascimento, Caetano Veloso estão fazendo parte do dia-a-dia de um dos filhos dela.

A Vanessa Cabral matriculou seus dois filhos (10 e 8 anos) na escola pública e, além disso, decidiu escrever um diário eletrônico (blog) onde acompanha o dia-a-dia de seus filhos na escola estadual EE Brigadeiro Faria Lima (Perdizes, região central da capital paulista).

Num dos posts mais recentes ela diz assim:

“ Meu caçula anda empolgadíssimo com a boa música que está aprendendo a cantar na escola. Faz parte do projeto Ler e Escrever: um livro com exercícios extras para reforçar o aprendizado. Simples, não? Ensina as crianças a ler com o melhor da MPB.

Parece bobagem, mas com isso alinhavam o ensino com a cultura: dar referências de alto nível, muito além do que se vê na televisão ou nas rádios pops pode ser a solução para diminuir o abismo cultural que enfrentamos no país.

Escola pública não é do mundo do "faz de conta"

Não consigo entender como os noticiários da TV podem estranhar, por exemplo, os tantos casos de bullying e perseguições à homossexuais se são os próprios canais de TV que veiculam programas que incentivam a violência e o preconceito. Sob a desculpa de que estão fazendo humor, não fazem nada além de bullying. O que é o Pânico na TV senão uma coletânea de bullyings? Depois as crianças passam a semana toda xingando os colegas da escola com o bordão: “Boiola”, com a mesma entonação que repetem no programa.

E essas novelas? Só briga, grito e mau caratismo all the time.

Ah! A culpa é dos pais que deixam seus filhos assistir a esses programas. Em parte, sim.

Por outro lado, essas pessoas aí que hoje têm filhos também cresceram vendo a nossa TV baixaria. Nem sabem que aquilo é ruim – essa é a verdade.

Tanto que quando levantei esse assunto em uma reunião de pais na escola das crianças, muitas mães se mostraram contra: não acham nada demais que os filhos vejam Pânico, novelas e Big Brothers.

“Você é muito radical. O que que tem ver novela? Lá em casa todo mundo gosta”, uma das mães defendeu.

Fotografia do espólio de Eugenio Germano Baptista

Pois é: nada demais. Então por que será que os alunos da quarta série insistem em xingar os colegas de boiola, viado etc.

Esse levante contra homossexuais também é fruto de uma massificação, disfarçada de humor, em programas de entretenimento.

E quem pensa que o baixo nível cultural é coisa de escola pública está bem enganado. Vá lá no site do Colégio Sagrado Coração de Jesus, uma instituição de ensino particular de São Paulo: entre as fotos dos trabalhos de arte dos alunos, tem as capas de CDs feitas pela turma do sexto ano: na metade, dos meninos, tem fotos de jogos de guerra, com imagens violentas e armas pesadas; na outra, das meninas, tem mulheres em poses eróticas e seminuas, bem ao tom das beldades do funk ou do axé. Isso numa escola com esse nome, dirigida por uma entidade religiosa.

Não, não sou puritana. Mas, convenhamos: já que a proposta era fazer capas de CDs, por que não botaram essa turma para desenhar, cortar e colar, pintar???? Não, preferem limitar a imaginação e fazê-los repetir o padrão do mercado, com imagens que massacram na cabeça dos adolescentes diariamente.

E depois esperam que esses jovens sejam pacíficos, serenos e amorosos. Como?

O comportamento da garotada só repete as imagens que os hipnotizaram desde que nasceram.

E como educaremos crianças livres e de mentes abertas, se os pais também foram moldados nessa ode ao preconceito?

Aumentando o acesso a cultura: livros, filmes, exposições de arte, músicas INSPIRADORAS.

Obras que despertem o melhor do ser humano. Porque o pior de nós já está mais do que escancarado.

E a escola, pública ou privada, é um retrato desse quadro deplorável.

A saída: ALEGRIA! ALEGRIA! 

“Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento…”

É lindo ver as crianças da segunda série cantar a plenos pulmões.”

Lendo esse post da Vanessa Cabral, lembrei de um que escrevi e que falo de uma professora, a Graça, da aldeia Arembepe, no litoral bahiano. Na Vila Hippie conheci muitas pessoas especiais. E nesse post falo um pouco da mais especial delas. É uma história de amor e desapego. Não uma história de amor convencional, com seus encontros e desencontros, amores impossíveis ou proibidos, onde duas pessoas enfrentam grandes dificuldades para ficarem juntos no final. Não há mocinho. Há somente a mocinha. É uma história do amor de uma mulher que não sabia o que sentia. Como diz o poeta: “amar se aprende amando”; e foi assim que ela – a Graça se transformou numa adorável professora (hoje também diretora) e descobriu a sua verdadeira vocação: ensinar as crianças (filhos da Aldeia, os seus próprios filhos e os filhos das lavadeiras que se acabam à beira do Rio Capivara, deixando os filhos a mercê de tudo), a amarem a natureza que ela também amava, a apreenderem a ler e escrever e a crescer como gente. Leia o texto. Vale a pena. Eu acho…

4 Comentários »

  1. Ensino que deveria o governo ter mais atenção,ao envés de só pensarem em aumento de salário deles próprios

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    Comentário por Irany — dezembro 17, 2010 @ 20:18 | Responder

  2. “Sua meta é ver plenamente alfabetizadas todas as crianças com até oito anos de idade (2ª série/3º.ano) matriculadas na rede estadual de ensino, bem como garantir recuperação da aprendizagem de leitura e escrita aos alunos das demais séries/anos do Ciclo I do Ensino Fundamental.” A meta que se pretende atingir está abaixo do tempo que entrei na escola, quando uma criança de 07 anos aprendia a ler no 1º. ano de escola. Por que será que hoje é tudo mais “complicado”, será que antes os professores eram mais respeitados? As crianças não se distraiam com celulares(que não existia naquele tempo) e que hoje em dia é usado em sala de aula para troca de mensagens bobinhas entre colegas de classe, unindo assim a falta de concentração com a falta de respeito que levam ao péssimo aprendizado. Afinal aprender prá que? Se é possível passar de ano sem saber coisa alguma… Será que é de interesse de alguém uma nação de ignorantes e alienados que encontram distração em “programas” tipo: Pânico na TV, BBB e outros do genero?

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    Comentário por Emília — dezembro 17, 2010 @ 22:34 | Responder

  3. A matrícula de filhos de pessoas como a jornalista Vanessa Cabral podem mudar o rumo da escola pública.

    Os políticos deveriam ser obrigados a matricular seus filhos na escola pública. Utopia.. sem a vivência dentro dos muros da escola fica impossível avaliar e propor medidas concretas para minimizar as dificuldades que algumas crianças enfrentam.

    O grande gargalo da educação pública hoje está no ensino médio, os adolescentes não gostam da escola, fazem tudo com o único objetivo de passar no vestibular. A educação é mais que isto, por isso as estatísticas aterradoras de evasão escolar nesta faixa etária.

    Temos que ter um motivo melhor para aprender!!

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    Comentário por Solange — dezembro 20, 2010 @ 11:08 | Responder

  4. Oi Augusto!!!
    Infelizmente o bullying, o preconceito e tudo mais, atingem todos os níveis da sociedade, em alguns lugares mais acentuados em outros menos mas, não deixam de existir e ser um veneno para todos.
    Concordo quando dizem que, a TV ajudou em tudo isso e, ajudou mesmo. Em casa, tomo muito cuidado com o que eu e minhas filhas assistimos. Há muito lixo na TV. Não gosto de novelas, nelas se aprendem tudo o que não deve… sempre com vilões se dando bem, chantagens etc até o último capítulo.. mostram preconceito, roubos, gente passando a perna em outros… mostrando que o mundo é dos espertos e sem caráter… realmente há muitas cenas lamentáveis. Feliz de quem pode conviver com seus filhos e serem amigos e abertos o suficiente para orientar e permitir que eles venham até você tirar as dúvidas e comentar os acontecimentos do dia.
    Infelizmente temos que, dia a dia, filtrar as informações que recebemos pelos meios de comunicação, o que é uma pena.
    Quanto as escolas estaduais, ainda precisam, na minha opinião, serem resgatadas quanto ao nível de aprendizado, qualidade de ensino e investimento. Talvez com a participação mais ativa e diária dos pais e alunos, cobrando melhores condições, melhore gradualmente. Creio nisso. A população, mesmo que a passos lentos, está se conscientizando e brigando pela qualidade e pelo seu direito. Acredito que ainda teremos apenas coisas boas para comentar. Uma hora teremos!
    Bjs…. Ivana.

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    Comentário por Ivana — dezembro 20, 2010 @ 18:16 | Responder


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