A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 11, 2010

O Crack – a droga dos pobres (?) no Brasil – parte 1

O garoto que chamarei de A. deixou seu barraco em uma favela, quando tinha oito anos, percebendo que o dinheiro que conseguia nas ruas era gasto por seu pai com álcool e drogas. Escolheu viver nas ruas, como tinham feito os seus dois irmãos mais velhos, a quem há muito tempo não sabe de qualquer notícia. Também o “empurrou” para as ruas as freqüentes surras que recebia do pai. A mãe, uma costureira, não se queixa de agressão, mas de “indiferença”. Um de seus dois irmãos mais novos, de 6 anos, permanece na tarefa de pedir nas ruas – tarefa que o pai ensinou aos seus filhos, dando-lhes as melhores dicas de como devem abordar potenciais doadores. A decisão foi tomada há quatro anos. Em poucas semanas, A. se juntou à legião de fumantes de “crack” que perambulam pelas ruas de uma das grandes cidades brasileiras. Há dados de que no Rio de Janeiro, 70 a 80% das pessoas que vivem nas ruas dependem da mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amônia, ou seja, o crack, segundo estimativas de profissionais que os assistem, social ou psicológicamente.

Um garoto fumando crack na "Cracolândia" no centro de São Paulo. (AP Photo / Andre Penner)

Este ano e até o momento, a droga apreendida pela polícia do Rio aumentou muito em relação a 2009. A maioria crescente de crianças e adolescentes usuários dos serviços municipais de saúde que visam a desintoxição afirmam consumirem cocaína e crack. A expansão, visível em algumas ruas e praças onde se encontram os fumantes “de pedras” nas grandes cidades, afeta principalmente os pobres, mas também se tornou presente nos setores abastados da população.

A gravidade dessa epidemia urbana tem ampla cobertura na imprensa através de notícias de assaltos acompanhados de morte na maioria das grandes cidades. E não vemos uma ação maior por parte de nossos governantes. Sabemos que é um problema social e que quem deve tomar uma atitude mais drástica são nossos representantes que estão nas Câmaras Municipais e Estadual, nas Assembléias Legislativas, etc. etc..

A proliferação do crack representa um novo desafio para a ação antidroga no Brasil, numa época em que a maioria dos governantes reconhece a ineficácia das políticas nacionais de repressão contra o tráfico de drogas. O fracasso da “guerra às drogas” foi diagnosticado em um relatório elaborado pela Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, fundada em 2008 e liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1985-2003), Brasil César Gaviria (1990-1994), da Colômbia e Ernesto Zedillo (1994-2000), do México.

A. aprendeu a fumar crack com “um homem de cerca de 40 anos.” Diz que teve a maior sensação de prazer que já havia provado na vida. Muito diferente da que lhe forneceu as bebidas alcoólicas e cigarros, a sua primeira droga, e a maconha, que ele não gostou porque ela o deixava com fome e sono, ou a cocaína em pó, “que não me fazia nada.” Esse homem também o introduziu na atividade remunerada de “avião”, ou seja, tornou-se um traficante de pequeno porte. Somando o que ele ganha como mendigo, sua renda diária é entre 50 e 70 reais, todos com destino certo – a compra de crack. Cada pequena pedrinha custa cinco reais, mas o efeito dura só poucos minutos de “boas sensações”.

 A pouca comida que A. necessita, pois a droga tira quase todo o apetite, fica mais fácil pedir do que roubar. Cerca de uma dúzia de pessoas, de 04 a 60 anos de idade, são seus “colegas” nas ruas. A polícia não os incomoda. A. admite ser analfabeto e já está com 12 anos e não tem sonhos para o futuro. Tudo que ele precisa são as pedras. Tampouco está preocupado com os danos que causam, os quais são terríveis para o cérebro, coração, intestinos e outros órgãos, além de encurtar a vida do usuário.

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1 Comentário »

  1. Além das políticas públicas se faz necessária também a decisão pessoal de abandonar o vício. Famílias classe média ou alta que enfrentam o mesmo problema têm condições de pagar por tratamentos de primeira linha(aí está o que as diferencia dos pobres), entretanto o sucesso do tratamento dependerá da vontade “do doente”. Existem hospitais públicos que oferecem tratamento para drogados, que são tratados por psicológicos e outros profissionais da área. Dentre os medicamentos utilizados no tratamento estão aqueles que são necessários para o período das crises de abstinência e que são muito caros. Quanto ao mal que a droga provoca aos viciados imagino que nem se dão conta uma vez que são escravos dela. Estes (as) drogados(as) também colocarão no mundo filhos que nascerão viciados (a droga estará na corrente sanguínea desde o nascimento). Em uma matéria exibida no Programa Fantástico mostrou jovens grávidas usando drogas, estas jovens deixam seus filhos nos hospitais para adoção, estes bebês por não receberem mais a droga que recebiam de suas jovens mães durante a gestação apresentam todos os sintomas de quem sofre da síndrome de abstinência. Os problemas sociais e familiares podem levar a droga, porém uma vez escravo dela é praticamente impossível libertar-se. Mas para Deus não existe o impossível.

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    Comentário por Emília — novembro 11, 2010 @ 18:59 | Responder


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