A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 5, 2010

Sobre a morte e o morrer – Rubem Alves

“Quem nos fascinou assim, para termos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?” 

Atire a primeira pedra quem nunca teve na vida um momento em que se apercebeu que cada dia a mais é um dia a menos… O tempo passa, sem nunca parar e a morte é a nossa única certeza. No Oriente as pessoas, em vez de evitarem pensar na morte, preparam-se para ela como um competidor para a competição ou o guerreiro para o combate. A morte é uma evidência que não causa nem medo nem esperança.

Cemitério da Consolação, em São Paulo

 

Embora ninguém possa negar a realidade da morte, no nosso mundo moderno é inconveniente falar dela, pensar nela, ou mesmo encarar a sua eventualidade. Nós tememos a morte e ponto final! Não falamos dela senão indiretamente. Todos sabemos o que nos espera, mas a morte enche-nos sempre de medos. Para nós, é como se ela não fizesse parte da vida: preferimos ignorá-la. No entanto, morrer dignamente é pelo menos tão importante como viver com retidão. E como nós podemos enfrentar uma coisa que tentamos ignorar durante toda a vida?

Eu acredito na morte e no renascimento! E isso é perfeitamente acessível a todos aqueles que se dedicam a uma prática de transformação do espírito, como a que o Budismo e outras tantas crenças propõem.

Abaixo, alguns apontamentos de mestres do pensamento que o Rubem Alves publicou na Folha do último dia 02 – Dia de Finados.

Cemitério da Consolação - detalhe de túmulo

“Somente onde há sepulturas pode haver ressurreições”.
NIETZSCHE

“A MORTE é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir, como sempre acontece, que tudo está errado e que você está ao ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua morte e pergunte-lhe se assim é. Sua morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa, a não ser o seu toque. Sua morte lhe dirá: Ainda não o toquei.”
“D. Juan, o bruxo.”

“A morte torna a vida maravilhosa. Porque vamos morrer precisamos poder dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo, temos de ser decentes hoje, generosos hoje, felizes hoje.”
( Lya Luft)

“Há uma estranha, devoradora felicidade quando agimos com a total convicção de que, qualquer que seja a coisa que estamos fazendo, esta pode muito bem ser a nossa última batalha sobre a terra.”
“Pois somos apenas a casca e a folha. A grande morte que está em todos nós é a fruta em torno da qual tudo gira.”
(Rainer Maria Rilke)

“Ao matar a morte, a religião nos tira a vida: vivemos morrendo. A eternidade despovoa o instante. Porque vida e morte são inseparáveis. Tirando-nos a morte, a religião nos tira a vida. Em nome da vida eterna, a religião afirma a morte desta vida.”
(Octávio Paz)

“Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada, ela virá me abrir a porta como uma velha amante sem saber que é a minha mais nova namorada.”
(Vinícius de Moraes)

“… antes que se parta a corrente de prata e se quebre a taça de ouro, e despedace o cântaro junto à fonte…”
(Eclesiastes 11.6)

“Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”
(Manoel Bandeira)

“As nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe ganham suas cores solenes de olhos que atentamente vigiam a mortalidade dos homens…”
(William Wordsworth)

“Fico tão longe como a estrela.
Pergunto se este mundo existe,
e se, depois que se navega,
a algum lugar enfim se chega…
-O que será, talvez, mais triste,
Nem barca nem gaivota:
somente sobre-humanas companhias…”
(Cecília Meireles)

“Quem nos fascinou assim, para termos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?”

(Rainer Maria Rilke)
“O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir…
“Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.”
(Ricardo Reis)

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7 Comentários »

  1. Querido amigo, que trem é esse de acordar nesta linda sexta-feira de Sol aqui de Washington e pensar na morte? Sei do aspecto ontológico da bendita, isto é, que faz parte da vida e tralálá… Mas vc ainda é tão jovem para pensar nela agora e sua vida já é uma batalha constante para permanecer vivo que nem precisa se preocupar com ela.

    Mudando de assunto… montei um blog aqui também no wordpress, pois é mil vezes mais fácil de manipular do que o blogger. Como faço para que avisar as pessoas que meu blog está no ar? Vou mandando emails? Daí, como elas se associam, para, como eu, ficar recebendo emails de atualizaçòes de novos posts do seu blog? Tem como me ajudar nisso?

    saudades. fer

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    Comentário por FSTF — novembro 5, 2010 @ 16:30 | Responder

  2. Charles Chaplin deu um jeito de inverter a “lógica” da Vida com a frase: “Há uma coisa tão inevitável quanto a morte: A Vida.” Perdi minha avó recentemente, porém tenho sonhado com ela e tenho consciência que ela está viva onde quer que esteja. Apesar das religiões que nos ensinam sobre a Vida Eterna desejamos que algo mais palpável a comprove. Mais importante que buscar provas e filosofar sobre assuntos é VIVER. O desafio dos que vivem na saudade do que se foi está na frase:”A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.” (Norman Cuisins)

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    Comentário por Emília — novembro 5, 2010 @ 17:18 | Responder

  3. falando de morte e vida, me lembrei desse poema espanhol…

    ” El amor no és una palabra.
    El amor no és una teoría, tampoco és un símbolo.
    El amor és una realidad tan clara como la muerte.
    En el amor no existe el tiempo.
    El amor no és un acto de la voluntad.
    El amor no és una experiencia.
    El amor no és ni tuyo ni mio.
    El amor és una LUZ que no tiene sombra”

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    Comentário por alim soares — novembro 5, 2010 @ 17:29 | Responder

  4. “A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.” Nicholas Sparks,in: O caderno de Noah

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    Comentário por Emília — novembro 11, 2010 @ 13:15 | Responder

  5. A morte é como um silêncio de um reflexo de um espelho… Luiz Silveira

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    Comentário por Luiz Carlos — agosto 24, 2012 @ 9:58 | Responder

  6. […] Nunes, Plinio de Arruda Sampaio, Lauren Bacall. Em julho, em pouquíssimos dias se foram – Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna. A “noite preta” chegou também para Vange Leonel! E, […]

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    Pingback por Sobre o viver e a morte… | A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — agosto 18, 2014 @ 13:38 | Responder


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