A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 1, 2010

DILMA VANA ROUSSEFF LINHARES – A PRIMEIRA MULHER NA PRESIDÊNCIA DO BRASIL

Saudada com uma chuva de pétalas em Porto Alegre, onde votou na parte da manhã, Dilma Rousseff foi ovacionada ontem por dezenas de milhares de brasileiros que fizeram dela a primeira mulher presidente do Brasil.

Vida longa para Dilma!

Com 56% dos votos, se consagrou aos 62 anos por uma vantagem indiscutível sobre seu adversário, o opositor José Serra. Ontem à noite, a vitória foi celebrada em um hotel de Brasília, onde se instalou o comando da aliança que a levou à presidência. Junto dela se encontrava o vice-presidente eleito Michel Temer. “Minha escolha é um sinal de progresso democrático no país, porque, pela primeira vez uma mulher se torna presidente.”

E nessa linha ratificou vários compromissos que já havia delineado no programa de 13 pontos, que foi apresentado antes do último debate televisivo com o seu adversário José Serra.

Mencionou, em primeiro lugar, o seu compromisso “para a democracia em todas as suas dimensões” e “os direitos essenciais de moradia, renda e paz social.” Ela disse que vai, de imediato, “garantir a liberdade ampla e irrestrita de imprensa e de religião, duas das principais questões que a oposição tinha considerado as vulnerabilidades da presidenta eleita. “Aqueles que como eu têm lutado pela democracia, são amantes da liberdade. Eu disse e afirmo que a imprensa livre é indispensável para a democracia. Eu disse e reafirmo que prefiro as mil vozes da imprensa ao silêncio dos ditadores. ”
Ontem à noite ficaram para trás horas de ansiedade e estresse de uma campanha que, entre a primeira rodada e a final, adquiriu contornos “virulentos”. Dilma pela manhã havia comentando: “Foi muito difícil, com várias calúnias. Mas não guarda rancor. ”

Em seu primeiro discurso à nação foi enfática: “Eu vou ser presidente de todos os brasileiros, respeitando as opiniões políticas e convicções ideológicas.” E afirmou que irá valorizar a “transparência na administração pública, sem jamais perseguir adversários e nem proteger os amigos.”

Serra apareceu ante seus seguidores no início da noite e parabenizou Dilma. “Enviamos saudações à candidata Dilma Rousseff e desejo que ela faça o bem ao nosso país”, disse ele depois de ser derrotado por uma margem de mais de 12 milhões de votos.

Por outro lado, o Partido Social Democrata e seu aliado DEM sentiram-se desconfortados e fecharam seus ouvidos aos chamados conciliadores de Dilma. Sérgio Guerra, disse que a campanha “foi muito radical e violenta. Se ela tivesse obedecido a lei, seria possível um projeto de união nacional. Mas isso não aconteceu: houve confronto todo o tempo, com agressões mútuas e isso dificulta a construção de alianças”. Mas, embora com os resultados indiscutíveis pela distância de mais de 12 pontos percentuais, considerou que “a legitimidade desta eleição é contestada e requer uma grande reforma política”.
O que ele descreveu como “violência” esteve presente nos sites da Internet, curiosamente veiculado por partidários de Serra, que divulgaram desde desqualificações até rumores ofensivos sobre a intimidade da mulher que acaba de se consagrar como o 40º chefe de Estado do país.

A irritação da oposição chegou a por em dúvida uma vitória esperada e divulgada pelos órgãos de pesquisa. Disseram em uma estação de TV que informações do PSDB indicavam uma virada na eleição e que mostravam o candidato da oposição como o vitorioso.

Claro, nada disso serviu para forçar resultados claramente negativos para os tucanos. Com esta nova derrota, a oposição ficou desarticulada. O partido DEM que é o sucessor do antigo PFL (extrema direita) deixará de existir. Os caciques perderam seus empregos no Congresso e a expressão dessa força é quase inexistente. O PSDB vai ter de rever o seu comportamento ao longo do processo que conduziu Serra à eleição presidencial. Há duas referências de peso próprio, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador por Minas Gerais, Aécio Neves.

Ao contrário do titular do PSDB, o parlamentar, que foi governador de seu estado, disse que seu companheiro Serra que “fez o que podia fazer. Está claro que sempre que termina uma eleição encontram-se problemas que ocorreram aqui ou ali. Mas eu acho que o resultado final é muito positivo.”

Dilma disse que irá “bater na porta do Lula”, para consultá-lo sempre que precisar. “Eu herdei um cargo que devo honrar pelo que o presidente significou para o Brasil. Esse é um desafio.” E concluiu com um apelo à unidade nacional “para uma ação enérgica em prol do futuro do nosso país.”

“Agradeço muito especialmente e com muita emoção ao presidente Lula”, disse Rousseff, que teve de interromper seu discurso por causa da sua voz embargada e por militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) que começaram a cantar o nome do popular presidente.

“Agradeço a honra de seu apoio”, disse Rousseff. “Ter aprendido com a sua sabedoria é algo que deve ser guardado por toda a vida”, disse a presidenta eleita, e nesse momento um canto emocionado se fez ouvir no hotel em Brasília, onde ele fez seu discurso.

Bem, enfim temos nossa primeira presidenta. E os machistas de plantão devem estar se remoendo. Durante toda a campanha muitos devem ter recebido um telefonema onde uma voz feminina perguntava: ”será que a Dilma dá conta, sem o Lula?”

Homem que se exibe é por puro machismo!

Puro machismo! Como disse Rodrigo Viana em sua página “Escrevinhador”, Dilma não precisou segurar na mão do Lula quando – aos 17 ou 18 anos – foi pra clandestinidade lutar contra a ditadura. Dilma não precisou do apoio de Lula quando esteve presa, nem quando resistiu aos torturadores. 

Dilma tem trajetória própria. Os tucanos, por menosprezar essa verdade, acreditaram nas balelas veiculadas como: “ela não resiste à campanha sem o Lula”. Machista, normalmente, leva um susto quando vê que a mulher não “precisa” de homem.  

Uma coisa é reconhecer: Lula é um líder popular imensamente mais carismático que Dilma. Isso é fato. Ponto. Outra coisa é querer reduzir Dilma ao papel de “a mulher que Lula indicou”. Dilma foi secretária de Energia pelo PDT gaúcho. Lá, não havia Lula. Foi escolhida ministra por méritos próprios.

E Serra com a sua arrogância dizia nos debates – ”a candidata não entende minha pergunta”, “acho que você não compreende bem.”

O Rodrigo Viana ainda diz… “marqueteiros e jornalistas (homens) talvez projetem para mulheres poderosas (como Cristina Kirchner e Dilma Rousseff) a fragilidade e o medo que eles mesmos sentem diante da possibilidade de ficarem “sozinhos”. São marqueteiros e jornalistas que talvez tenham vontade de segurar na não da “mamãe-esposa” quando ficarem velhinhos. Nada de errado nisso. Todos nós temos nossas fragilidades – homens ou mulheres.“ Dilma não é mulher que precise viver à sombra de homem nenhum. Não é à toa que teve como companheiro, durante tantos anos, Carlos Araújo um homem capaz de dar uma entrevista tão corajosa e firme – e ao mesmo tempo carinhosa – que quando perguntado quem mandava na casa, disse: “nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros. Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.”

Desejo um bom governo para Dilma. Ela concentra a esperança de um Brasil mais justo!

2 Comentários »

  1. Parodiando o presidente Lula que adora comparar a política com uma partida de futebol…Um bom jogador não fica se contorcendo no chão quando leva um chute na canela, se caiu levanta e vai prá cima do adversário. Assim é na vida política, quem decide fazer parte da vida política sabe das polêmicas de toda sorte, do “jogo sujo” e quem ficar se lamentando perde a vez, não há lugar para ressentimentos é pensar prá frente e na responsabilidade que está por vir. Dilma vai herdar duas administrações do PT na Presidência e ela diz que vai dar dar continuidade aos programas iniciados. Ela terá muito que trabalhar pelo país portanto não terá tempo de pensar no passado e em possíveis ressentimentos. Não sou simpatizante do PT, mas pelo bem do País torço pelos acertos(que sejam em grande número) na administração de Dilma Rousseff. As palavras de Dilma até agora são positivas. Mas como todo Ser Humano é sobretudo um Ser Emocional, desejo sinceramente que ela mantenha cada uma de suas palavras quando der “de cara” com as emoções e dissabores do dia a dia. Aí está o desafio!!!

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    Comentário por Emília — novembro 1, 2010 @ 15:55 | Responder

  2. Eu confio e aprovo a chegada dela ao poder executivo e que seja histórico para o Brasil.
    Transcrevo abaixo essa parte verdadeira do seu texto:
    “…Dilma não precisou segurar na mão do Lula quando – aos 17 ou 18 anos – foi pra clandestinidade lutar contra a ditadura. Dilma não precisou do apoio de Lula quando esteve presa, nem quando resistiu aos torturadores…”

    Hoje acordei com uma sensação de que era natal.

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    Comentário por Alim Soares — novembro 1, 2010 @ 18:17 | Responder


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