A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

junho 2, 2010

Milão (Milano)… a cidade da moda e das indústrias

A cidade de Milão (Milano) foi a última cidade italiana que visitei em minhas férias do ano de 2007. A primeira, como já disse, foi Roma, que deixarei por último para tecer comentários.
 
 Milão passou por diversas transformações ao longo do tempo, vivendo períodos de especial esplendor e importância histórica.  A cidade foi capital do Império Romano do Ocidente durante o século IV ao V e exatamente nesse período tornou-se centro de propagação do cristianismo, graças também a São Ambrósio, não por acaso conhecido como santo padroeiro da cidade. O segundo período importante, cheios de testemunhos da arquitetura, foi a época com a qual coincide com a época Comunale e com a luta pela liberdade contra os imperadores da Alemanha: esta fase vai dos séculos XI ao XIII  é tem como prova a Basílica de São Ambrósio e de São Eustorgio e também o Palácio della Ragione. O Renascimento em Milão, que vai dos séculos XIV ao XVI, tem como período os governos dos Visconti, dos Sforza e de Ludovico, o Mouro. Essa época é caracterizada pela construção do Duomo (magnífico!), pelo Hospital Maggiore, pelo Castelo Sforzesco, pela Igreja de Santa Maria delle Grazie, e por Santa Maria S. Satiro, e, também pela presença de dois artistas: Bramante e Leonardo.

A planta da cidade de Milão è curiosa: possui disposição a círculo de raios do qual o centro è a Piazza del Duomo, com uma primeira faixa que è aquela de Naviglio ( em grande parte enterrado) e um segundo anel que corresponde à expansão da fase de 1500. Ao interno destas áreas se desenvolve a vida social, econômica e cultural da cidade.

 O centro histórico teve uma importante mudança urbanística por volta do ano de 1800, que iniciou-se na fase napoleônica e prosseguiu até a unificação da Itália. Milão teve também uma interessante fase comtemporânea, que vai dos anos 50 até mais ou menos o fim dos anos 80, colocando-a como um dos principais lugares italianos conhecido pela vivacidade cultural, atividade e desenvolvimento econômico. 
 

Por suas dimensões e riqueza, Milão chegou a ser a segunda cidade da Itália na época do Império Romano. Séculos depois, o desenvolvimento industrial recolocou-a em posição destacada, sobretudo após a segunda guerra mundial

Um pouco de História – Milão situa-se no norte da Itália, no centro da bacia do Pó, e está cercada pela planície Padana, que se estende entre os rios Adda e Ticino. Ao norte da cidade, capital da província de Milão e da região da Lombardia, se elevam os Alpes e ao sul corre o rio Pó.

O núcleo primitivo foi fundado pelos celtas por volta de 600 a.C. Quando foi conquistada pelos romanos, em 222 a.C., já era a cidade mais poderosa da região. Mediolanum, nome que lhe deram os romanos, prosperou durante a era republicana e só perdia em importância para Roma em toda a região ocidental do império. Quando o imperador Diocleciano procedeu a divisão administrativa de seus domínios, no século III da era cristã, Mediolanum tornou-se capital da parte que coube ao imperador Maximiano. No século seguinte, Constantino o Grande declarou-a capital da Itália.

No século V, a cidade foi várias vezes ocupada e saqueada pelos bárbaros: Átila, à frente dos hunos, no ano 452; Odoacro, rei dos hérulos, em 476; e Teodorico, rei dos godos, em 493. Em 569, foi incluída no reino lombardo, ao qual permaneceria vinculada até a segunda metade do século VIII, embora Pavia fosse a capital. Nesse intervalo, os arcebispos passaram a ser as figuras dominantes em Milão, conquistaram autoridade secular e expandiram suas terras.

Milão empreendeu uma série de guerras contra as cidades vizinhas de Pavia, Cremona, Como e Lodi, e se impôs como a mais importante cidade do norte da Itália. Em 1162, no entanto, foi conquistada pelo imperador alemão Frederico I, o Barba-Roxa, que a conservou até 1176. Novamente libertada, Milão iniciou um período de florescimento comercial.
 
Milão fabricava armas e tecidos – gerou sérias tensões durante o século XIII, já que as classes trabalhadoras pressionavam a nobreza para modificar as relações de tipo feudal predominantes. Em 1237, a cidade foi novamente conquistada, dessa vez por Frederico II, que se manteve no poder por quarenta anos.
 
 
 
 

Tipos de tomates e frutas encontrados em um Mercado de Milão

Até 1311, duas facções que se tornariam célebres na história, os guelfos (partidários dos papas) e os gibelinos (partidários dos imperadores da Alemanha), lutavam para dirigir os destinos de Milão. A vitória coube aos gibelinos, liderados pela família Visconti. Em 1450, a cidade foi conquistada por Francesco Sforza e, apoiada na indústria da seda, prosperou novamente. Outra vez caiu em mãos estrangeiras em 1495, quando Luís XII da França dela se apoderou. O povo, porém, se rebelou e reconduziu ao poder o duque Ludovico Sforza, dito o Mouro. Em 1500, Luís XII voltou a ocupar a cidade e prendeu Ludovico. Pelo Tratado de Blois, de 1504, o rei francês prometera entregar Milão a sua filha Claude, casada com um neto do imperador alemão Maximiliano I, mas não cumpriu a promessa. Seu sucessor, Francisco I, disputou Milão com Massimiliano Sforza, até que, pelo Tratado de Madri (1526), abriu mão de suas pretensões na Itália.  
 

Fachada do Duomo, em restauro - julho de 2007

Caminhando pelo teto do Duomo de Milão

Detalhes do teto do Duomo - Da praça do Duomo iniciam-se importantes ramificações: o eixo da via Orefici/via Dante que leva até o Castelo Sforzesco, construído em 1450 e grande exemplo da Milão do renascimento, caracterizando-se pela torre central, pela estrutura em quadrilátero e pela estrutura interna de pátios e torres. Abriga as Civiche Raccolte de Arte Antiga e a Pinacoteca, com obras primas como a Pietà Rondanini de Michelangelo, a Sala delle Asse, com afrescos de Da Vinci, esculturas medievais e do renascimento. Atrás do Castello se tem um grande parque, onde está assentado o napoleônico Arco da Paz de 1807. Nesse castelo, tive o prazer de assistir um ensaio de uma ópera. Foi fantástico!

Após todas essas mudanças de domínio, Milão ainda foi submetida pelos espanhóis em 1535 e permaneceria nessa condição até o princípio do século XVIII. Com o governo espanhol, iniciou-se um período de estancamento comercial e declínio político. A situação se agravou em 1630, quando a cidade foi assolada pela peste, catástrofe descrita numa das obras clássicas da literatura italiana, I promessi sposi (1825-1827; Os noivos) de Alessandro Manzoni.
 
 
 
 

Detalhe de um dos vitrais do Duomo

Em 1706, no fim da guerra da sucessão espanhola, o príncipe Eugênio de Savóia tomou o ducado. Teve início outro período de governo estrangeiro, dessa vez austríaco, e Milão recuperou o esplendor industrial e cultural. No século XVIII figuras proeminentes viveram na cidade, como o criminologista Cesare Beccaria e o administrador e literato Pietro Verri. Em 1796, a cidade recebeu com grande entusiasmo as tropas de Napoleão Bonaparte que, após instaurar a efêmera República Cisalpina (1797), coroou-se rei da Itália em 1805 e designou Milão sua capital. Com a queda do império francês, Milão retornou ao domínio da Áustria. Nesse período, especialmente na década de 1820, com o Teatro Scala, converteu-se em importante centro musical e, ao mesmo tempo, foco de resistência à opressão austríaca. 
 
 

À esquerda de quem olha para o Duomo você verá um pórtico colossal e que chamará sua atenção: é a entrada da Galleria Vittorio Emanuele, construída entre 1865 e 1877. Trata-se do centro comercial mais chique de Milão e de um notável exemplo da arquitetura neoclássica do país

Após a insurreição antiaustríaca de 1848, seguida de brutal reação, os milaneses não pararam de lutar pela independência da Itália. Em 1859, logo após a batalha de Magenta, Milão acolheu o novo rei da Itália, Vítor Emanuel II. Já definitivamente integrada ao país, foi a cidade onde se formaram, em 1919, os grupos de extrema-direita que levariam Mussolini ao poder na década seguinte. Gravemente atingida durante a segunda guerra mundial, Milão foi reconstruída com enormes gastos e trabalho. Um plano de organização da área metropolitana vem procurando preservar o centro histórico e ordenar o crescimento da aglomeração urbana, que absorveu vários municípios próximos. 
 
 

A Galleria Vittorio Emanuele foi projetada pelo arquiteto Giuseppe Marangoni (que morreu em 1877) e construída entre 1865 e 1877. É moldada como uma cruz, com um octógono de ferro e vidro no meio. É um lugar fantasticamente lindo, repleto de lojas, antiquários e restaurantes, cafés e livrarias

Durante a segunda metade do século XX, o crescimento da população e das indústrias converteu Milão no coração econômico da Itália. A cidade conta com indústria automobilística, de produtos químicos e medicinais, de papel, de derivados da borracha e alimentos industrializados. É também um importante centro de moda e desenho industrial e domina as exportações italianas. Uma ampla rede de transportes terrestres e aéreos favorece esta atividade. Milão tem oito estações ferroviárias e é o ponto de partida da Autostrada del Sole (“rodovia do sol”), que percorre toda a Itália.

A cidade hoje – Milão possui bibliotecas antigas e prestigiosos conservatórios de música. O Teatro Scala é um dos mais importantes do mundo. Entre os muitos prédios notáveis destacam-se o Duomo, cuja construção começou em 1386 e durou cinco séculos, o palácio de Brera, de 1651, e diversas igrejas que contêm valiosas obras de arte.
A Piazza del Duomo è um símbolo com importantes características: o aspecto que ela tem hoje é o mesmo de 1965; a praça é dominada pelo Duomo, datado de 1386, tendo como fim das obras simbolicamente em 1765/69 com a ponta que ergue a famosa “ Madonnina”. A fachada, com elementos neogóticos e neorenascimentistas foi concluída em 1887.

O edifício è uma obra prima do estilo gótico internacional caracterizado pela pontas e pelos arcos empinados, onde estão dispostas 2245 estátuas. E você pode subir no teto e caminhar e ver de pertinho todo aquele arabesco. O interior è suntuoso e escuro: a luz entra pelos grandes vitrais coloridos e tipicamente góticos, dividido em cinco naves que alcançam uma altura de 70 metros. Na visita ao Duomo não deixe de ir aos terraços dos quais se admira não apenas o panorama único da cidade (como eu disse acima) mas também o complexo arquitetônico interno da estrutura. Na praça  está também o Palácio Reale, datado de 1778 e que frequentemente expõe obras de arte de grande interesse.
 
Saindo da Piazza del Duomo, e seguindo a via Torino, se tem a Igreja de S. Maria S. Satiro, uma das obras de arte absolutas da arquitetura do renascimento, projetada por Bramante e famosa pelo efeito ótico de profundidade da perspecção.
 
Da Piazza del Duomo, pela via dei Mercanti, se chega até a Piazza Mercanti, isto è, a única parte urbana sobrevivente da Milão medieval – tem-se o centro da antiga  prefeitura, onde se ergue o Palácio della Ragione, erguido em 1233.
Ainda partindo de Piazza del Duomo, se pode atravessar a Galleria Vittorio Emanuele II,  criada entre os anos de 1865-77. Faça um passeio pelos corredores cobertos, caracterizado por uma estrutura de ferro e vidro, típica da nova arquitetura do final dos anos 1800. Essa caminhada poderá levá-lo atè o Teatro Scala di Milano – o nome deriva de uma antiga igreja – Santa Maria della Scala, que nasceu naquele mesmo ponto. O Scala di Milano, projetado em 1778 por Piermarini (e recentemente remodernado em sua estrutura e nas instalações graças a um atencioso e detalhado restauro) é considerado o templo mundial da música lírica e, o seu palco, ainda hoje recebe importantes diretores de orquestra e intérpretes.
Apenas fora desta faixa urbana se encontram obras de arte excepcionais e de extrema importância: em Corso Magenta se tem a igreja Santa Maria delle Grazie, de Bramante, que conserva em seu refeitório o afresco de Leonardo Da Vinci, a Última Ceia – ficar na frente desse afresco é algo fantástico. Mas prepare-se – precisará agendar a visita. É muita gente querendo ver a pintura; perto de via Carducci se tem a românica Basilica de São Ambrogio, solene e simples, mas que ainda representa, intactas, as estruturas típicas de uma igreja medieval; Veja também a Porta Ticinese na Basílica de S. Lorenzo Maggiore, com obras paleo-cristianas.
 

 
 
 

Falar de Milão é falar em cultura. Mostras de arte e também fundações privadas como a Fondazione Mazzotta, atividades teatrais (não deixe de ver o Piccolo Teatro e o Teatro Strheler), importantes museus ricos em obras primas, como a Pinacoteca Ambrosiana (obras de Caravaggio, Ghirlandaio, Botticelli) e a Pinacoteca di Brera, que em seu interior pode-se admirar as obras de Raffaello, De Chirico, Piero della Francesca, Caravaggio, Morandi e até a fase italiana de 1800, tamanha é a importância e a qualidade da coleção

Você terá também a Milão das compras, da moda e do cinema que tem como locais mais visitados as via Montenapoleone, via Spiga, Piazza S. Babila, via S. Andrea, via Manzoni e o Corso Vittorio Emanuele.

Enfim, uma cidade em que as atrações não são poucos e todas imperdíveis!

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4 Comentários »

  1. Eita, ainda vou comer muita pizza lá. Mais uma vez, obrigada pela linda viagem e aprendizado. Parabéns pelo dom especial que tem pois, escrever com tanta clareza e objetividade é para poucos.
    Muito beijos no coração..

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    Comentário por Ivana — junho 2, 2010 @ 21:14 | Responder

  2. Não sei quando. Mais, quero poder ter a honra de ter você para me mostrar estes caminhos e suas histórias.

    BEIJÃO

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    Comentário por Irany — junho 2, 2010 @ 22:17 | Responder

  3. Boa noite, desde já os meus parabéns pela descrição que faz das suas aventuras. Gostaria, se fosse possivel de conselhos relativamente a preparação d euma viagem a Milão. Vai durar apenas 48h e por isso deverei escolher os melhores locais a visitar…Um bem haja à sua patilha de conhecimento.

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    Comentário por MARIA GUERREIRO — fevereiro 28, 2011 @ 0:59 | Responder

    • Oi Maria. Agradeço pela visita e pelo comentário.
      Eu estive em Milão por pouco temop, e ao contrário do que me informaram amigos e conhecidos, Milão possui muita coisa boa para se ver – tudo depende dos interesses de cada um.
      Visite a zona dos canais construídos pelo Leonardo Da Vinci, junto aos quais se concentram muitos bares.
      Visite o Cenacolo onde vc poderá ver o afresco da Ultima Ceia, também do Leonardo da Vinci. É fantástico, mas quase tarefa impossivel. Marque a visita com antecedência. Pode fazer isso pela internet. E conheça a Igreja de Santa Mrie della Grazie que fica ao lado.
      Visite a magnífica Duomo de Milão – tanto o seu exterior como o seu interior. Suba ao telhado. Sente na praça Duomo e admire todo o movimento ao redor.
      Visite a Galeria Vittorino Emmanuel, o Castelo de Sforza (que no seu interior possui 6 museus, mas que não vi nenhum, pelo pouco tempo). Mas, lá, vi um ensaio aberto de uma ópera – Carmen! Fantástico!
      Visite o Scala de Milão, no qual deve ser fantástico ver a um espetáculo (algo que também irei fazer numa próxima visita).
      Passeie pelo Quadreláto da Moda, onde se concentram todas as grandes grifes (se quiser. Isso eu não acho imperdível)
      Vá até a Basilica de S. Lourenço e visite as colunas Romanas que estão junto dela … Visite uma das mais antigas igrejas de Milão – a Basilica de Santo Ambrósio …
      Olha – existe mais uma quantidade de monumentos e museus que devem valer a pena visitar, os quais não tive possibilidade de ver na minha primeira ida a Milão, pelo pouco tempo. Espero que goste das dicas.

      Boa viagem.

      Abraços.

      Augusto

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      Comentário por augustomartini — fevereiro 28, 2011 @ 15:20 | Responder


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