A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

maio 3, 2010

Viagem ao Chile… post 3

Filed under: Chile,História,Uncategorized,Viagens — Augusto Martini @ 18:15
Tags: , ,

20/11/2007 – terça-feira

Sobrevivi ao mal estar do dia anterior e naquela noite mesmo já havia planejado o que fazer hoje. Acordei, tomei um café  muito bom –  eles possuem uma variedade de pão muito grande e com uma vantagem – são todos deliciosos! Fui para a rua e peguei um ônibus até Valparaíso (Cidade que fica entre Santiago e Viña del Mar, sendo considerada Patrimônio da Humanidade – por sua idade e arquitetura, e pelo fato de possuir o maior porto da América Latina). A viagem é rapidinha – aliás quase voltei para Viña por engano – ainda bem que me dei conta que era o ponto final!

La Sebastiana

Meu objetivo era ver a casa de Pablo Neruda. Andei pelo centro de Valparaíso, que se difere muito do de Viña del Mar. As ruas são sujas, mas a arquitetura é fantástica – existem inúmeras casas “penduradas” nos morrose as cores são bem vivas. Andei pelas ruas e fui até a feira de artesanato. Tudo é muito caro e, como em Viña, há muitas frutas, aspargos e alcachofras sendo vendidas pelas ruas.

La Chascona

Como não conseguia “me achar” com as informações para pegar um ônibus até “La Sebastiana” – uma das casas do Pablo Neruda, peguei uma condução (táxi) com o Sr. Luiz.

Visitamos o mirante 21 de maio. Lá, das alturas, dá para se ter uma ampla visão de Valparaíso, de seu porto, que é o principal do país. De lá seguimos para “La Sebastiana” que é linda e reflete toda a sensibilidade de Pablo, o Neruda.

Pablo Neruda construiu três casas:

1)  a de Isla Negra,  construída ao regressar de seu exílio, em 1937. Neruda desejava um lugar tranqüilo para escrever  seu livro “Canto General”. Em Isla Negra, encontrou o lugar ideal para escrever este e tantos outros que viriam a compor sua obra.

2)  a “La Sebastiana”, localizada em Valparaíso – o poeta realizou o sonho de construir uma casa na cidade que possuía o porto, sua fonte de inspiração, e a batizou com esse nome em homenagem a Sebastián Collado, arquiteto espanhol foi o primeiro proprietário da casa.

3)  a “La Chascona”, localizada em Santiago – que foi construída em 1953 e recebeu esse nome em homenagem a sua terceira esposa – Matilde Urrutia, a La Chacosna (para nós seria mais ou menos cabelos encaracolados, soltos, flutuantes…)

4)  e tinha um projeto para a construção de uma quarta casa também em Santiago, que não se concretizou.

A La Sebastiana é ao mesmo tempo aconchegante, iluminada e colorida. Por todos os ângulos da casa se avista o mar. Daí se percebe a influência da atmosfera marítima na obra do poeta chileno…

Troca da Guarda - Palacio de la Moneda - Santiago

Os móveis são clássicos, muitos quadros, mobília de época e em cada cômodo tem a presença “de sus manos”.

Quería ir de Valparaíso para Isla Negra. Peguei um ônibus e o motorista assegurou que avisaria quando chegasse…  e é lógico que não avisou. Quase fui parar em Viña de novo.  Ainda bem que a Sra. ao lado me perguntou onde eu iria e avisou que o ônibus iria subir o “Cerro Esperança”. Desci atropelado do bus – muito bravo,  é claro! E com um chileno ainda a gritar: “Vamos! Vamos! Adelante! Yo tengo que trabajar!” Maior mico…

Ah! Esqueci de avisar que neste momento já havia conhecido a Rose e o Carlos (que são casados e moram em Florianópolis), os quais estavam comigo no ônibus.

Bom voltando: após o mico do ônibus, pegamos uma lotação (outra modalidade de condução – o povo entra paga e sai e assim vai o dia inteiro; similar a um táxi coletivo), e esta, finalmente, nos deixou no Terminal, onde pegamos um ônibus que nos levaria a Isla Negra, onde chegamos exatamente às 13h30.

Ainda sobre as casas do poeta…

A impressão que tive de “La Sebastiana”, a casa de Neruda em Valparaíso, foi de aconchego. É uma casa acolhedora e sem dúvida alguma o poeta era extremamente detalhista – e por isso gostei tanto dele e da casa – encontra-se de tudo nela e os cômodos foram projetados e decorados nos mínimos detalhes.

Já, todo o contrário acontece com a casa de “Isla Negra”. Esta foi projetada em forma de um barco, e sua marca registrada, sobretudo sob o ponto de vista da decoração e dos objetos, é a exuberância, o exagero, a ostentação.  Parece que Neruda projetou sua vida para a posteridade. Deixou alí demonstrado o seu lado excêntrico… ou seria isso uma coisa comum de todos os poetas? A casa possui vários vitrais coloridos, pois ele desejava “ver o mar de várias cores”. Encontra-se ainda peças de diversas partes do mundo. É uma casa de praia que Neruda gostava de freqüentar no inverno, onde a vista para o Pacífico é simplesmente deslumbrante e indescritível. Ao entrar no corredor existe uma parte do piso que é feita com caracóis (caramujos) para ao andar descalço pudesse “massagear os pés”. É linda!!!

Pablo Neruda nasceu em 1904 e morreu em 1973, vítima de um câncer. Foi Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Casou-se por três vezes e teve uma única filha morreu aos 8 anos. Portanto, não deixou herdeiros.

Na casa de Isla Negra encontra-se sepultado Pablo Neruda, juntamente com Matilde, sua última esposa; sendo que a sepultura é como um barco vist de frente, extremamente florido e feito de pedras. Chorei muito ali! Neruda não usava seu nome porque seu pai não queria que seguisse a carreira de poeta. Inspirou-se então em um autor russo Juan Neruda e ficou “Pablo Neruda”. Foi exilado em 1948, em função de sua atuação na política de esquerda. A La Chascona foi invadida pelos militares, e muitos de seus objetos, materiais, documentos e escritos, etc, foram saqueados, roubados, queimados. Após sua morte, Matilde criou a Fundação Pablo Neruda e “redecorou a ‘La Chascona’”.

A face do poeta está imponentemente esculpida em um dos inúmeros conjuntos de pedra da praia.

Coisas imprevistas da viagem – 

1) a Rose foi assaltada! Roubarm-lhe a máquina fotográfica. Mas ela levou na boa. Na hora ficou baqueada, mas depois citou uma frase do Frei Betto, que ao ser torturado disse: “podem arrancar minhas unhas, meus dedos, testículos, mas o que eu tenho em minha cabeça jamais conseguirão retirar”. Assim falando, fixou seus olhos na imensidão do Pacífico, na beleza e na plenitude daquele local e disse que jamais iria esquecer… 

2) nesse dia peguei um calor horrível.

3) no dia seguinte, no Congresso, as “madames congressistas”, todas empolgadas para estreiarem seus modelitos novos, se vestiram de acordo com o calor do dia anterior e se ferraram, pois o dia estava nublado e o maior frio!!!

4) Ah! Eu não poderia deixar de pagar alguns micos: o primeiro foi na tarde anterior que insistentemente tentava abrir a porta do quarto 13 e o meu era 14! Rs! O hóspede do quarto já vinha vindo ver o que estava acontecendo quando a camareira me alertou…

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Obrigado por assinar o meu blog! Espero que goste!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: