A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

fevereiro 22, 2010

São Paulo – uma cidade à beira do caos!

São Paulo está um caos! Calor infernal, trânsito parado, muita gente nas ruas. Nesse País, dizem que o ano só começa depois do carnaval. Então o ano está começando hoje!
Os paulistanos já estão habituados aos problemas de trânsito em horário de pico, mas de algum tempo para cá não tem mais dia, lugar ou hora. A cidade está parando todo dia, o dia todo.
Como moro perto do trabalho e faço quase tudo que preciso a pé, não sinto os efeitos dessa loucura. Só vejo que isso está acontecendo quando saio para as ruas e passo por grandes avenidas ou ao tentar sair ou voltar à cidade nas viagens que faço para Rio Claro, cidade onde tenho casa e familiares.
Tenho a impressão que São Paulo toda está em obras, cheia de desvios e armadilhas, caçambas e montes de lixo por todo lado, como se a cidade estivesse recém-saída de uma guerra ou de um terremoto. Quando assisti ao filme “Ensaio sobre a cegueira”, tive a certeza que tiveram que limpar um pouco a cidade para mostrar aquelas imagens. O lixo que encontro todos os dias ao vir para o trabalho é muito maior que aquilo tudo.
E olha – não adianta nada ficar xingando o prefeito ou o governador. Isso é uma questão de EDUCAÇÃO. Basta ir para qualquer cidade do Chile ou Argentina e ver que lá não há papéis nas ruas, lixo pelos cantos e pessoas dormindo sobre eles. Bem, o fato é que São Paulo está à beira de um colapso. E acho mais – que nossos governantes devem ter um profundo sentimento de impotência tentando solucionar tais problemas para colocar ordem no caos.
Casas populares são entregues aos montes, mas milhares de paulistanos continuam morando em barracos, sob viadutos ou jogados nas calçadas. Sim, o saneamento básico chega às periferias, mas sempre faltará esgoto nas favelas e vilas que brotam todas as semanas na cidade. Por mais que se invista em novas linhas de metrô ou corredores de ônibus, ou ruas e avenidas, a cada dia é sempre mais difícil circular pela cidade. Postos de saúde e escolas são inaugurados aos montes, mas mesmo assim continua tendo muita gente sem atendimento. Novos impostos e taxas surgem a cada dia, mas sempre falta dinheiro para atender as demandas mínimas como a coleta de lixo ou tapar os buracos das ruas.
Penso que falta amor dos moradores pela cidade de São Paulo, onde quase todos são forasteiros, filhos, netos, bisnetos de migrantes e imigrantes. E estes não vêm que as ruas da cidade é a extensão de suas casas. Que o lixo jogado na calçada vai parar no bueiro, que vai causar as enchentes numa chuva mais forte e assim por diante.
E qual a solução para melhorar a vida nesse grande caos? Procurar morar o mais perto possível do trabalho para ter uma qualidade de vida um pouco melhor é uma delas, diminuindo assim o stress. Você tem alguma idéia? Deixe-a aqui. Compartilhe!

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9 Comentários »

  1. Em um país sem Educação o que nos resta é policiamento.

    Penso que o Programa “Policial do quarteirão” com plantão 24hrs seria solução para muitos problemas aqui no centro de São Paulo, quiçá toda a cidade pudesse ter!!

    Não temos dinheiro suficiente?? Pense na economia com enchentes, doenças transmitidas por moradores de rua, diminuição da criminalidade e outros impactos que certamente virão com o tempo.

    Policiais bem pagos e treinados poderiam ser amigos da população do quarteirão…. bem…. Papai Noel está batendo na janela do meu quarto… Acordei!!!

    Hoje está um dia lindo e não perderei a esperança na capacidade do ser humano de modificar as coisas em pouco tempo!!

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    Comentário por Solange — fevereiro 22, 2010 @ 15:22 | Responder

  2. isso não se vê só em são paulo, vc vive aí, então relata a sua realidade.
    isso acontece tambem na minha cidade.
    asfalto de pessima qualidade, esgoto a CEU ABERTO,
    o problema é que produzimos muito lixo, sem parar.
    é falta de cultura MESMO.
    entre fazer um minimo de esforço pra não poluir e continuar uma conduta errada, preferem o que?
    então, estamos vivendo como se não houvesse um amanhã.

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    Comentário por lilian — fevereiro 22, 2010 @ 18:42 | Responder

  3. Meu querido Augusto. Moro também numa capital,onde temos lindas lembranças da arquitetura Portuguesa(que deveria estar sendo preservada)Mais a educação aqui também nos deixa a desejar.Nossos próprios moradores fazem das praças centrais e ruas históricas de banheiros públicos.Nosso mangue está morrendo num total de mais ao menos 50%. Nossa população não esta observando. Somente os visitantes que entendem de ecologia é que nos perguntam,por que não gritar aos governantes para que esta riqueza não se acabe. Nossas praias estão imundas,pois os esgotos estão sendo jogados diretos ao nosso mar.Temos uma lagoa maravilhosa e que nunca mais os nossos líderes fizeram a filtração dos dejetos nela colocados a céu aberto dia a dia.Deveríamos ter pessoas espalhadas por este Brasil com interesses de educar os nossos moradores.Sabem cobrar dos governantes, mais não querem ajudar,cobrar e tentar resolver com novas idéias. Depois de tudo isso que vejo ainda me pergunto: será que queremos ter um país mais limpo, organizado,educado,servindo de exemplo…Sabemos copiar modas extravagantes dos americanos. Tudo que de não consumido por lá fazem questão de comprar e consumir, na total ignorância de qualidade.

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    Comentário por IRANY — fevereiro 22, 2010 @ 20:19 | Responder

    • Querida Laly,
      Não conheço São Luis do Maranhão, mas sempre ouço sobre as péssimas condições de infraestrutura e o estado de abandono dos casarões no Centro Histórico. O descaso e o estado de abandono de um dos maiores conjunto de casarões coloniais dos séculos XIX e XX deveria ser motivo de revolta, não é?
      Dizem que não é preciso andar muito pelo local para se deparar com o total abandono desses imóveis – dizem que os casarões abandonados pelos proprietários estão todos com sua estrutura interna comprometida e tomadas pelo mato. Também as fachadas já estão sendo atingidas. E olha que muitos desses imóveis foram inscritos na Lista do Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Será que uma maneira de preservar esses imóveis não seria a de dar-lhes novos usos? Talvez.
      Um beijo. E obrigado pelo comentário. Gostei muito.

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      Comentário por augustomartini — fevereiro 22, 2010 @ 20:30 | Responder

  4. Fala Augustao…

    Coisa triste.

    Seu texto me deixou intrigado. Concordo com as críticas à população, mas essa de que o governo faz a sua parte na medida do possível não colou. Consigo ver a lógica do que vc escreveu, mas não consigo comprá-la.

    “Falta amor dos moradores pela cidade de São Paulo”… well, talvez tal amor por vc aludido também deveria ser parte do projeto político…

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    Comentário por André UK — fevereiro 22, 2010 @ 20:56 | Responder

    • Grande André! Tudo bem em Londres? Como está a família? Tenho visto as fotos de sua filha. Está cada dia mais bonita. Parabéns!
      Como sempre, vc sempe atento e crítico a tudo. Vou tentar explicar.
      Vivemos num planeta que é coletivo e não individual, cada um fazer a sua parte. Em qualquer processo que seja, somente fazer a nossa parte não é suficiente para que nos livremos dos problemas que enfrentamos hoje. Precisamos fazer mais do que achamos que nos cabe, e é nesse sentido que eu digo que o governo faz a sua parte e que muitos habitantes dessa cidade não estão nem aí. Meu pais e avós fizeram as suas partes, mas muitos outros pais e avós não faziam as suas. O indivíduo não consegue ser perfeito e a vantagem da coletividade é a capacidade de anular os efeitos das imperfeições alheias. Um indivíduo anulando os efeitos das imperfeições do outro e tendo um pouco dos efeitos das suas próprias anulado por um outro. Bem, mas eu não sou o dono da verdade não. Apenas penso assim. Cada um pode sempre fazer um pouquinho mais. Se não jogo lixo na rua, posso recolher um pouco daquele que encontrar no caminho, e com isso, tento sanar um pouco do efeito “lixão” e contribuo para o coletivo, entende? Faz alguns anos que trabalho com a Educação Fiscal para a cidadania. E isso me faz ver várias imperfeições que com alguma ação em conjunto podem ser anuladas. Cada um tem e deve ser um agente fiscalizador. Uma pessoa informada acaba enxergando mais o desrespeito às leis informais do bom comportamento público. Não podemos e nem devemos fazer vista grossa – brigue, denuncie, cobre das pessoas, cobre dos governos e cobre das empresas, além de cobrar você mesmo. Acho nossa população muito vaquinha de presépio. Dizem amém para tudo. E não dá para ser assim, certo?
      Abração.

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      Comentário por Augusto — fevereiro 23, 2010 @ 17:07 | Responder

  5. Vejo em seu relato o caos de São Paulo, entretanto, não está tão distante de Rio Claro (SP). Se há alguma coisa a se fazer por São Paulo, cidade a qual já está nesta situação! O que fazer por Rio Claro, tão próxima deste mesmo FIM!!!

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    Comentário por Luciano Calligaris Jr — fevereiro 28, 2010 @ 18:14 | Responder

    • Luciano,
      Acredito que não lembre de mim. Trabalhei com seu pai no Arquivo do Município. Não imagina com fiquei feliz e emocionado em ler um comentário seu em meu blog! Diga para sua mãe que mandei um abraço e que sempre lembro os bons momentos de papo que tinha com seu pai – homem correto, mas sempre revoltado com as mazelas do mundo.
      Um grande abraço para vc.
      Augusto

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      Comentário por augustomartini — março 1, 2010 @ 12:11 | Responder

  6. Oi Augusto, educação é tudo mesmo. As pessoas estão passando por esta vida sem noção, sem respeito… não estão deixando raízes, exemplos e valores para os que virão. Não se preocupam nem com eles mesmos que já sofrem todos os efeitos do descaso que praticam. É uma pena.
    Mas, sei também que isso ocorre em todos os lugares, infelizmente e que, felizmente há pessoas diferentes e preocupadas, que tem consciência e sabem valorizar tudo o que Deus nos deu.
    Tomara que um dia, acordem para a vida e comecem a traçar um caminho diferente.
    Abraços mil…

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    Comentário por Ivana — março 3, 2010 @ 20:05 | Responder


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