A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

outubro 19, 2005

Parati, uma deliciosa viagem no tempo

Filed under: História,Viagens — Augusto Jeronimo Martini @ 18:30
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Estou em férias e em minha primeira semana de descanso passei uma semana maravilhosa em Parati/RJ. Conheci praias limpas e ilhas desertas, mergulhei em alto mar em águas transparentes e fiz novos amigos. Fiquei triste vendo os antigos habitantes locais (índios) largados pelas ruas da cidade, comercializando artesanato e mostrando seus cantos e danças para as centenas de turistas estrangeiros que visitam a cidade.

Os índios Guaianás viviam tranqüilos neste paraíso perdido no Atlântico. Eles reinavam sobre uma área que ia de Mangaratiba no Rio de Janeiro até Taubaté em São Paulo. Parati, em tupi, quer dizer jazida do mar, golfo, lagamar. E assim ficou sendo conhecida desde que os portugueses aportaram aqli por volta de 1500. A cidade começou a se formar a partir do forte e da capela construídas em um morro. Estas duas construções foram batizadas em homenagem a São Roque, santo do dia 16 de agosto, dia da descoberta da cidade. Em 1640 o pequeno vilarejo se alargou até o local hoje compreendido pelo Centro Histórico.

O traçado urbano definitivo só foi estabelecido em 1726. Reconhecida como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966, Parati é um dos conjuntos arquitetônicos da época colonial, mais bem preservados do Brasil. Suas ruas largas, o calçamento original, as portas e janelas coloridas, os símbolos maçônicos gravados em várias de suas casas levam o visitante à uma autêntica viagem no tempo. Parati segundo Lúcio Costa – um dos maiores arquitetos brasileiros – é a cidade onde os caminhos do mar e os caminhos de terra se encontram, melhor, se entrosam. As águas não são barradas, mas avançam cidade adentro levadas pela lua, e o reticulado das ruas balisadas pelas igrejas que levam para o mar.

Depois de viver uma fase de abundância nos primeiros séculos da vida brasileira, Parati passou ao ostracismo. Graças a isto a conservação de suas construções. A redescoberta aconteceu quando surgiu, em 1975, a rodovia Rio-Santos (BR-101), levando novamente a cidade a uma fase de progresso e riqueza. Dessa vez não como no século XVIII, onde o porto servia para escoar o ouro que vinha das Minas Gerais e a excelente aguardente produzida na região, mas como um local de turismo, aventura, caminhadas, cavalgadas, mergulho e cachoeiras abundantes. Parati está localizada entre a Área de Proteção Ambiental do Cairuci e o Parque Nacional da Serra da Bocaina. O mar tranqüilo da Baía de Parati garante mergulhos inesquecíveis. E bem próximo da cidade tem a Vila de Trindade cheia de praias belíssimas e piscinas naturais. Para os que gostam de trekking, a Trilha do Ouro é uma excelente opção.
Apesar de na língua dos primeiros habitantes Parati significar golfo ou lagamar, os atuais moradores da cidade traduzem como “para todos”. Para todos os viajantes brasileiros e estrangeiros que para lá vão todos os dias curtir este imperdível passeio pela história.

O melhor caminho para se chegar a Parati é pela Rio-Santos (BR-101). É uma estrada belíssima com diversos cenários que parecem cena de cinema. Mas, preste atenção nas imediações de Parati. Ali a estrada sofre constantes erosões no período das chuvas. E o motorista deve ficar atento com os degraus formados pelo desnível do asfalto.

Para curtir os passeios pela Baía de Parati e as belas praias de Trindade, a melhor época é mesmo o verão. Nas férias prepare-se para possíveis congestionamentos. Tente ir para lá nos períodos fora de temporada. É muito mais gostoso caminhar pelas ruas do século XVII, ou mergulhar nas águas transparentes da Baía sem o amontoado de gente característico dos feriados nacionais.

Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1999, o Centro Histórico é uma verdadeira viagem no tempo. Ele preserva o traçado urbano definido no século XVII e o calçamento de pedras irregulares (tipo “pé de moleque”). Nos entalhes e gravuras das casas da cidade ainda é possível ver as marcas dos períodos de maior abundância da Vila, quando o porto servia de escoamento do ouro que vinha das Minas Gerais e da fase da cana.

Na baía de Parati você pode encontrar mais de 65 ilhas e dezenas de praias selvagens todas cobertas de vegetação nativa. A Ilha Rasa parece cenário de filme! A água é sempre cristalina e com uma temperatura agradável para a prática de mergulho. Existem muitas maneiras de explorar a baía. A mais comum é partir em um passeio de 5 horas de escuna saindo do porto de Parati. Ele leva você à diversas ilhas e praias belíssimas como a do Lula, por exemplo.

Um dos passeios mais procurados de Parati leva a uma antiga aldeia de pescadores que hoje vive uma febre de turismo – a vila de Trindade. Isso aconteceu depois que asfaltaram a antes precária estrada de terra que ligava o lugarejo à BR-101. Mas ainda vale o passeio. Principalmente se você for no verão e fora de temporada. Tem a praia do Caixadaço, com suas piscinas naturais, a praia da Figueira, onde se pode praticar o nudismo. Trilhas levam você para cachoeiras deslumbrantes!

Parte do calçamento que leva até o Sítio Caminho do Ouro, ou Trilha do Ouro, como é mais comumente chamado, é datado do século XVIII. O trecho que vai de Parati até lá é de 3 km e pode ser percorrido a pé ou a cavalo. Guias fazem o percurso com turistas em dois horários diários. Pertinho dali não deixe de ir desfrutar da Cachoeira do Tobogã, onde poderá deslizar vários metros numa rocha até cair numa piscina de água cristalina. Mais acima tem o Poço do Tarzan. Atravessando a pista, poderá provar a deliciosa cachaça local, em um alambique familiar.

Parati está dentro da Serra da Bocaina. O que garante a esta cidade um entorno privilegiado, repleto de Mata Atlântica, lindas montanhas e muitas cachoeiras. A Serra é um viveiro natural e permanente de dezenas de espécies de mamíferos e aves em risco de extinção.

Também em Parati há m versátil e bem montado teatro de câmara de 100 lugares, e é o palco onde acontecem os espetáculos do Grupo Contadores de Estórias, do famoso Teatro de Bonecos. Conhecido pela qualidade de seu trabalho, o grupo apresenta-se periodicamente no Rio de Janeiro, São Paulo e diversos países do exterior, onde recebeu vários prêmios.

Vale a pena conferir esse roteiro histórico. Você não se arrependerá.

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