A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

abril 5, 2013

Enchentes em São Paulo: principal problema da expansão urbana!

Recebi a indicação desse vídeo de uma leitora do Blog, a minha amiga Vera Grellet. Nele, dá para entender um pouco sobre o problema dos alagamentos de São Paulo. Basta assistir o vídeo abaixo. Ele é um alerta para que os urbanizadores aprendam a respeitar as forças da natureza. Para mim, que sou Geógrafo/Historiador/Arquivista, foi um deleite – tem um enfoque geográfico-histórico, permeando também questões sobre meio ambiente e política.

Andando de carro ou transporte público pelas ruas da cidade é difícil enxergar alguns detalhes. O que visualizamos são prédios e construções. Mas, você já se perguntou o que há abaixo do asfalto? Em muitas ruas da de São Paulo a resposta seria: Rios! Muitos deles foram canalizados e cederam espaço a corredores importantes como Avenida 23 de maio e Avenida 9 de julho. Os problemas foram surgindo a partir daí: rios poluídos e sem vidaenchentes e muito trânsito. O que se vive hoje é, em grande parte, consequência de administrações passadas.

Esse documentário, denominado Entre Rios, de 2009, apresenta um ótimo relato para se entender a questão. O filme faz um resgate histórico da importância dos rios no nascimento da cidade, mostra os impactos da chegada das estradas de ferro e detalha os problemas sanitários e o plano de urbanização pelo qual a cidade passou na década de 50, quando os rios passaram a ser considerados um obstáculo ao desenvolvimento.

Os rios como o Tamanduateí e o Anhangabaú foram primordiais para São Paulo, já que por séculos a cidade existiu em função de suas águas. A história começou a mudar com a chegada das ferrovias. O desenvolvimento nos transportes encurtou distâncias e mudou a dinâmica da cidade. Veja fala do documentário: “A elite paulistana sonhava em construir uma cidade como as que via em suas viagens pela Europa. E seus rios não se encaixavam neste sonho”.

Muitas perguntas que pareciam sem respostas são elucidadas, como: Quais são os limites da intervenção humana sobre o espaço?
Esse filme, fruto do trabalho de conclusão do curso de bacharelado em audiovisual do Senac São Paulo, dirigido por Caio Silva Ferraz, aborda algumas dessas questões que pareciam sem resposta.

O filme mostra como a elite paulistana buscou transformar a cidade em uma metrópole europeia, alterando os cursos dos seus rios, desmatando suas várzeas, aterrando, loteando e vendendo as áreas de suas margens dando vez à especulação imobiliária.

A urbanização de São Paulo foi uma coisa tão violenta que ocupou o lugar do rio. Então, enchente é coisa que nós inventamos. Ela é produto da Urbanização“, disse a professora Odete Seabra, do departamento de Geografia da FFLCH-USP.

No documentário há importantes depoimentos de especialistas nas áreas relacionadas ao tema da urbanização, como o Professor Nestor Goulart Reis, do Departamento de História da Arquitetura da FAU-USP; o Professor Alexandre Delijaicov, do Departamento de Projeto da FAU-USP; o Professor Marco Antônio Sávio, do Departamento de História da UFU; e Professor Mario Thadeu de Barros, do Departamento de Hidráulica da POLI-USP.

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2 Comentários »

  1. A realidade é essa trocaram as árvores por ruas, estradas, tiveram de construir pontes em meio a rios….
    Não existe retorno e quanto as pelas escolhas que o homem fez, e as causas são irreparáveis, quantas pessoas sofrem
    com as enchentes. E eu refleti é fato, o homem invadiu o lugar do rio, e agora reclama do percurso de sua natureza
    e quando o homem invadiu a sua área quem foi e reclamou que aquele lugar não podia ser ocupado, que tais árvores
    não poderiam ser derribadas, que esses animais que estão em extinção.
    A plantação é livre, mas a colheita é obrigatória.

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    Comentário por Adriana Siqueira — abril 8, 2013 @ 23:12 | Resposta

    • Lindo comentário, Adriana. Abrs.

      Em 8 de abril de 2013 23:12, A Simplicidade das Coisas — Augusto

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      Comentário por Augusto Martini — abril 9, 2013 @ 9:08 | Resposta


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