A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini

novembro 28, 2010

CIDADE DE SÃO LUIS – ESTADO DO MARANHÃO – SUA CULTURA E SEU FOLCLORE

Centro de São Luis-MA, ao entardecer

Estive nove dias na cidade de São Luis do Maranhão – uma cidade fantástica, pulsante, pujante, com novos edifícios saindo a cada quarteirão, com uma população educada e cordial e uma culinária fantástica e saborosa.

Detalhe do centro histórico de São Luis-MA

Pode-se dizer que a cidade de São Luís nasceu diferente. Está localizada dois graus abaixo da linha do Equador, conta com o privilégio de ser banhada por águas de temperatura amena e com sol o ano todo. A Ilha de São Luís está bem no centro do extenso litoral maranhense. O clima é tropical, quente e semi-úmido, com duas estações bastante distintas: com o verão que vai de julho até dezembro e as estações das chuvas que vai de janeiro a junho.

A história da cidade começa há quase 400 anos com os franceses, liderados por Daniel de La Touche com o objetivo de fundar ali a França Equinocial. Uma mistura de povos deu-lhe a cultura que tem hoje – primeiro os índios, depois portugueses, franceses, holandeses e africanos. Toda essa diversidade contribuiu de forma fundamental para a formação de sua cultura, dando origem à variada culinária, às danças, à língua e ao comportamento.

Centro histórico de São Luis - recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, da UNESCO

A cidade representa, através de seus sobrados e azulejos do centro histórico, seus tambores, de sua culinária típica com seus restaurantes aconchegantes e sua musicalidade, toda a diversidade cultural que pulsa em seus becos estreitos, suas ladeiras e janelas. Suas danças e ritmos, como o bumba-meu-boi e o tambor-de-criola, nos levam à uma alegria contagiante e mágica, como as estórias e lendas conservadas entre gerações.

O MARANHÃO E SEUS TAMBORES

O BUMBA MEU BOI

Os negros, escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas danças. Além dessas danças, pode-se presenciar, nos arraiais da cidade, no período dos festejos juninos, outras danças como a quadrilha, que de forma caricatural retrata uma cena da vida do caipira do Nordeste brasileiro; a dança da fita e dança portuguesa.

Um dos bois de São Luis

E a cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos maranhenses foram-se transformando no tempo quente da emoção, da promessa e da diversão. É nesta época de junho, que reina majestoso o Bumba-meu-boi.
O auto popular do Bumba-meu-boi conta a estória da Catirina, uma escrava que leva seu homem, o nego Chico, a matar o boi mais bonito da fazenda para satisfazer-lhe o desejo de grávida, de comer língua de boi. Descoberto o malfeito, manda o Amo (que encarna o fazendeiro, o latifundiário, o “coronel” autoridade) que os índios capturem o criminoso, o qual, trazido à sua presença, representa a cena mais hilariante da comédia (e também a mais crítica no sentido social). Para ressuscitar o boi chama-se o doutor, cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias ironizam a medicina. Finalmente, ressurgido o boi e perdoado o negro, a encenação termina numa grande festa cheia de alegria e animação, em que se confundem personagens e assistentes. Com traços semelhantes aos dos autos medievais, a brincadeira do Bumba-Meu-Boi existe em outras regiões do País, mas só no Maranhão tem três estilos, três sotaques, e um significado tão especial. É mais que uma explosão de alegria. É “quase uma forma de oração”, servindo como elo entre o sagrado e o profano, entre santos e devotos, congregando toda a população. O Bumba-Meu-Boi de verdade nasce do pagamento de uma promessa feita ao “glorioso” São João, mas nas festas juninas maranhenses também se rende homenagens a São Pedro e São Marçal.

O TAMBOR-DE-CRIOULA

A tradição do Tambor-de-Crioula vem dos descendentes africanos. É uma dança sensual, excitante, que apresenta variantes quanto ao ritmo e a forma de dançar, e que não tem um calendário fixo, embora seja praticada especialmente em louvor a São Benedito. É dançado apenas por mulheres que fazem uma roda, em cujo centro evolui apenas uma delas. O momento alto da evolução é a umbigada, que é uma forma de convite para que outra dançarina assuma a evolução no centro da roda. O Tambor de Crioula é ritmado por três tambores, que recebem os nomes de grande ou roncador (faz a marcação para a punga), meião ou socador (responsável pelo ritmo) e pequeno ou crivador (faz o repicado).

O fantástico artesanato do CEPRAMA - mostra de artesões do Maranhão

 

O TAMBOR-DE-MINA

O tambor de mina é o termo pelo qual é conhecida a religião que os descendentes de negros africanos de origem jeje e nagô trouxeram para o Maranhão. É uma manifestação da religiosidade popular especificamente maranhense que tem lugar em casas de culto conhecidas como terreiros. É uma religião de possessão, onde os iniciados recebem entidades espirituais cultuadas pelo seu pai de santo em rituais conhecidos como tambor.

A São Luis moderna - visão do bairro Renascença, desde a Lagoa da Jansen

Nesses rituais são utilizados instrumentos como tambores, cabaças, triângulos e agogôs. Mediante o toque dos instrumentos, os iniciados, em grande parte mulheres, vestidas com roupas específicas para o ritual, dançam e incorporam as entidades espirituais.

Finalizando, quero dizer que São Luís é uma das capitais mais interessantes do Brasil que já visitei, tendo muito o que fazer por lá. Como o passeio pelo Centro Histórico, o qual foi restaurado, entre praças, ruas de pedra, escadarias e becos, casarões antigos, mirantes, igrejas e monumentos.

Ponta d´areia - São Luiz - MA

Agora, se seu negócio é curtir a natureza e muito sol, a Ilha de São Luís está cercada de belíssimas praias, como a Praia da Ponta d’Areia  – um lugar lindo, maravilhoso e tranquilo, a Praia de São Marcos, a Praia do Calhau e a Praia do Olho d’Água.

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7 Comentários »

  1. O Brasil sempre esteve de braços abertos para todas as culturas, por isso há muito o que se conhecer por aqui.

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    Comentário por Emília — novembro 30, 2010 @ 15:15 | Resposta

  2. Muito gostoso saber,e ler as palavras que agora vocês tem de São Luís.É muito bom mostrar a cultura,os costumes e o que de bom temos a oferecer na culinária.São Luís é rico para se conhecer.

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    Comentário por Irany — dezembro 5, 2010 @ 11:54 | Resposta

  3. bom dia, estou em BH lendo estes comentários maravilhosos sobre o Maranhão, fiquei encantada com a sua visão das coisas simples do nosso dia a dia, pois mesmo sendo de fora, vivendo há 15 anos em São Luís, me sinto elogiada por “minha terra”
    um grande abraço e voltam logo
    hanne

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    Comentário por hannelore — dezembro 7, 2010 @ 10:52 | Resposta

  4. [...] a Semana Santa estive em São Luis do Maranhão, que é uma ilha cheia de cores, ritmos, sabores, história e [...]

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    Pingback por São Luis do Maranhão – sua história e culinária « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — abril 15, 2012 @ 15:14 | Resposta

  5. [...] setembro de 2012 vai acontecer o 18º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância  em São Luis/MA. O CIAED terá como tema “Histórias, Analíticas e Pensamento “Aberto” – Guias para o [...]

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    Pingback por 18º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância. O CIAED tem como tema “Histórias, Analíticas e Pensamento “Aberto” – Guias para o Futuro da EAD”. « A Simplicidade das Coisas — Augusto Martini — julho 12, 2012 @ 9:21 | Resposta

  6. legal é falar. Foda é morar nessa porra

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    Comentário por Fabian — setembro 14, 2012 @ 7:51 | Resposta

  7. São luís é uma merda, aí de quem duvida disso. Porra nessa droga de aniverssario de 400 anos, so teve cantor idiota a balofa da Alcione. Viva o heavy metal porra.
    Eu qro é bater cabeça por mim que se fodam

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    Comentário por Fabian — setembro 14, 2012 @ 7:55 | Resposta


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